“Crónica fotográfica”, por Paulo Jorge de Sousa

Estação da CP em Ortiga, Mação. Foto: Paulo Jorge de Sousa

Cada vez que aparece uma decisão governamental associada a alguma prática que indicie uma preocupação social, ficamos desconfiados. Vamos logo pensar em que medida esta decisão favorece alguma entidade, algum interesse económico de alguma empresa privada, quem está nos comandos dessas empresas, se envolve algum familiar de alguém bem colocado no governo ou se será alguma empresa ligada à atividade profissional de alguns deputados, tal é a frequência de decisões de que temos tido conhecimento e que nos leva a pensar no “outro lado” destas medidas.

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Temos tido notícias de tantos e tantos negócios ruinosos para o Estado e altamente convenientes para alguém que lucra sempre com isso, que quando sabemos de uma medida equilibrada, desconfiamos logo. É o caso das descidas dos preços dos passes sociais e o incentivo ao uso dos transportes públicos.

Admitindo que até pode ser uma boa medida, pode não o ser, também, para o Interior.
Muitas estações de comboios ainda evidenciam o abandono a que foram deixadas.

Aqui na Ortiga, Mação, a linha que ficou a funcionar está do lado oposto ao da estação e há quem decida passar ali mesmo, em opção à deslocação de umas dezenas de metros para chegar em segurança à saída.

Com os estudos sobre a reforma da segurança social que se vão encomendando a gosto por aí – e beneficiando dos favores de alguma comunicação social “amiga” que os vão divulgando -, um dia acaba mesmo por não haver gente por aqui.

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Quem, aos 80 anos, consegue ir trabalhar todos os dias, tendo de andar mais uns 200 metros ou saltar estes degraus para apanhar um comboio?

(Ortiga, Mação, abril de 2019)

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Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.
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