“Crises…”, por Carlos Alves

Foto: R.Escada

De facto as confidências que vão sendo feitas, quer na televisão, quer na rádio ou nas redes sociais, ilustram bem a realidade que brota do nosso mundo. Não pensem os ilustres fazedores de sedução que nós vamos apreendendo essas motivações.

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Ao transpor para a sociedade os anseios animados dessas toupeiras encantadas que se digladiam através das suas parcialidades dominantes, julgam estar a enganar o mundo das trevas negando a existência de manifestações literárias e intelectuais de alas avançadas. Não dramatizem as crenças metafisicas ao mesmo tempo que restabelecem canais privados que afrontam o comum dos mortais.

Esta conceção da nossa sociedade, que é fomentada diariamente pelos fumegantes fazedores de opinião que nos intoxicam prosaicamente, umas vezes aos soluços, outras vezes com dislates de circunstância, só podem incomodar quem defende a intuição prospetiva e progressista da vida. Muitos são brilhantes analfabetos que luzem aos pingos das críticas breves e elegantes mascarados de um aticismo sereno que acabam sempre por soçobrar em baixas ideias e sentimentos.

Pobres disciplinados que precisam de revelar a sua interioridade para se poderem ouvir. Que profundo vazio, que amorfismo e indiferença psicológica. Não sabiam esses gatos de jardim que as crises massificam o conformismo da opinião pública. O povo não é burro, seus gatos selvagens! Querem os coletes de que cor?

Alguns cultivam o showman de estímulos e slogans vazios e desconexados, como quem bebe a bela de uma cerveja aprimorada pela música e nós em casa, isolados e sem rumo, ouvimos e vemos o espetáculo publicitário do absurdo. Confesso que é nestas circunstâncias de isolamento que inclino os meus olhos para o Padre António Vieira, não para falar dos Índios que moram lá nas suas aldeias e pelos quais o próprio muitas vezes levantou a voz mas para ler os seus magistrais Sermões. É preciso saber interpretá-lo, chorar com ele as lágrimas que ele chorou…

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Não brinquem com o fogo! Vivemos realmente numa roda de combinações de propósitos, o discurso é personalizado, diverso e sedutor conduzindo-nos inevitavelmente à armadilha dos populismos, recentrando em nós a passividade, a indiferença. Perante esta saturação infinita de informações, o que nos resta é reagir, olhar para a nossa existência não unicamente pela razão, mas também por aquilo que ela é: emoção, instinto e sentimento.

Prevalecem muitas crises, reais ou artificiais, hoje infelizmente assistimos a uma crise de valores, da ética, da moral e da religião. Tudo isto subverte as relações naturais do poder e demonstra a promiscuidade entre o poder económico e o poder politico. A base da nossa sociedade, a essência de todas as civilizações, deve ser a base moral.

O que se torna perigoso é que a falência das nossas instituições políticas, económicas e jurídicas com a consequente desumanização da nossa sociedade, tem contribuído para o Homem perder as suas referências.

Estamos metidos numa civilização comandada pela informação. Não nos podemos esquecer que a democracia não pode viver sem a verdade.

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