“Crise ambiental enquanto questão global”, por José Alho

A presente conjuntura demonstra, até para os mais céticos (ou quase todos) que teimaram em ignorar os indicadores mais vacilantes das últimas décadas, a existência de uma incontornável crise ambiental global, que nos tem de conduzir a uma inadiável tomada de consciência, compreensão e participação ativa.

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Recordem-se de forma sucinta os principais problemas ambientais com que se defronta o futuro do Planeta:

Alterações climáticas

Expansão Demográfica

Rutura dos ecossistemas e da diversidade biológica

Desertificação dos solos por agricultura intensiva

Desflorestação, erosão dos solos e assoreamento dos rios

Contaminação e depleção dos recursos hídricos

Contaminação/poluição dos solos, ar, rios e oceanos

Incêndios florestais

Catástrofes naturais

Em recente relatório apresentado na abertura da II Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-2),Nairobi, Quénia, em Maio do ano passado, esta organização confronta-nos com um conjunto de indicadores preocupantes como por exemplo o facto de mais de 25% das mortes de crianças com menos de cinco anos, 23% das mortes registadas anualmente estarem relacionadas com a deterioração das condições ambientais as quais também são responsáveis por 12,6 milhões de mortes prematuras por ano, pelo aumento significativo das doenças não transmissíveis ou crónicas, que matam 38 milhões de pessoas por ano, das quais 75% em países pobres.

Achim Steiner, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), no seu discurso nessa sessão refere que “as nossas economias matam muitas pessoas em nome do desenvolvimento, uma em cada quatro ou cinco mortes prematuras são provocadas por nós. É o que se chama massacre ou assassínio”.

Estes problemas assumem principal efeito nos designados países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.

Ainda de acordo com o referido documento, a poluição atmosférica é apontada como origem de muitas doenças respiratórias estimando-se a morte de sete milhões de pessoas por ano, na sua maioria em países pobres com más condições de vida.

A má qualidade ambiental reflete-se num problema para saúde mundial.

Doenças como o Ébola ou o Zika, são exemplos dramáticos da extensão do problema que nestes casos está conectado com a forma como o tráfico de espécies selvagens se tem intensificado.

Estes problemas não surgiram agora de forma espontânea e se recuarmos a Junho de 2002 segundo a United Nations Population Fund os cenários apresentados já eram deveras preocupantes:

A população mundial quadruplicou no último século (em 2000 a população mundial era de 6100 milhões de habitantes, contra os 1600 milhões do início do século XX);

A desertificação e os solos degradados, associados a fenómenos de inundações, secas, erosão, salinização, desertificação e pressão populacional eram os principais adversários de 815 milhões de pessoas mal nutridas no mundo;

Apesar de recurso fundamental a água, ainda não era acessível em condições potáveis, neste início de século, a mais de mil milhões de pessoas e a contaminação de rios e aquíferos, a seca, o excesso de consumo e as chuvas ácidas agravam ainda mais a expectativa.

No domínio da destruição da biodiversidade o planeta perdeu 2,4 por cento das florestas de 1990 a 2001 e estima-se que todos os anos o homem destrói 0,2 por cento das espécies do planeta numa destruição da biodiversidade de ritmo galopante.

A poluição atmosférica e emissão de gases responsáveis pelo ‘efeito de estufa’ estão a provocar o aumento da temperatura média da terra, e a provocar alterações drásticas no clima no processo conhecido como Aquecimento global e alterações climáticas

De acordo com a mesma fonte cerca de 25% de mortes anuais têm causas ambientais na Poluição do ar, na Contaminação das águas, Alterações climáticas, Riscos químicos (cem mil novos produtos desde 1900).

Neste cenário descrevem-se outros factos, outrora pouco associados à crise ambiental: 3 milhões de crianças nos países em desenvolvimento morrem anualmente devido à má qualidade ambiental (água, químicos, poluição atmosférica), 5 milhões de pessoas/ano morrem de má qualidade da água e problemas sanitários, cerca de 3 milhões morrem por problemas relacionados com a poluição atmosférica.

Não restam dúvidas que o planeta está doente e que nós humanos somos responsáveis numa paradoxal irracionalidade.

Temos em mãos a tarefa de sobrevivência da espécie humana e do planeta.

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José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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