“Constância, Vila Poema: 25 anos de sedução”, por António Matias Coelho

Esta é uma história que começou na Páscoa de 1990, já lá vão 25 anos.

Nessa altura, o turismo em Constância dava, a bem dizer, os primeiros passos: não havia praticamente nenhuns materiais de divulgação, eram diminutas as atividades que pudessem ser oferecidas aos visitantes, não existia Posto de Turismo, faltavam lugares onde pernoitar ou onde tomar uma refeição completa, a Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem reduzia-se à pequenina procissão local e à Bênção dos Barcos com apenas três embarcações existentes na vila… Mas Constância já era, claro está, lindíssima e muito atrativa pelo encanto das suas ruelas e escadinhas pejadas de flores, havia bastante trabalho feito em torno de Camões e da sua relação com a vila, muitos outros poetas entretanto se tinham enamorado dela, a poesia corria-lhe pelas ruas, sentia-se em cada recanto.

Constância, Vila Poema foi lançado, nesse ano já distante de 1990, com o propósito de sintetizar a essência da vila e de, através do slogan, seduzir o visitante. Mas também pretendia, ao mesmo tempo, valorizar Constância junto da população do concelho, tornando-a mais falada, mais conhecida, mais apreciada.

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Não era apenas um slogan: era um projeto cultural, assim designado, que integrava diversas ações promotoras da vila, dos seus encantos, da sua poesia e que, por outro lado, tinha como objetivo reforçar a relação de Constância com os poetas, em especial com Camões, e revitalizar a bicentenária Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem que se encontrava em acelerado processo de decadência.

Tudo isso foi feito, com os resultados que hoje estão bem visíveis: Constância é das vilas mais apreciadas da região pela sua harmonia e pelas suas belezas, Camões é uma presença permanente na vila e, mais do que isso, na identidade comunitária e a Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem não apenas sobreviveu como se tornou a grande Festa do Tejo, conhecida em todo o país.

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E ficou o slogan: Constância, Vila Poema. Vila Poema colou-se de tal modo ao nome da vila que hoje faz parte integrante dele, como se fosse um sobrenome. Com frequência, a comunicação social refere-se mesmo à Vila Poema sem precisar de dizer mais nada e toda a gente sabe que é de Constância que se fala. Foi, digo-o sem falsas modéstias, uma ideia feliz de cuja paternidade me orgulho.

Recordo-me da forma tímida e dos cuidados como ela foi lançada. A princípio não se fazia, evidentemente, a menor ideia de como iriam reagir, tanto a população da vila como a comunicação social, os leitores dos jornais e os ouvintes das rádios. Poderia ser um sucesso, como foi, mas também poderia ser um fiasco e, pior ainda, um motivo de chacota. Recordo-me das conversas que tivemos, eu e o presidente da Câmara de então, António Mendes, procurando antever as reações que a ideia provocaria. E, porque lhe pareceu boa, António Mendes, que é um homem cauteloso mas que não desperdiça oportunidades, acarinhou-a, arriscou e deu-lhe luz verde. E Vila Poema Constância ficou. Até hoje e sabemos lá por quanto tempo!

O projeto foi apresentado através do n.º 2 do Boletim Informativo da Câmara Municipal (que já vai, agora, no n.º 150…), relativo a março / abril de 1990. Nessa altura foi produzido um desdobrável com uma imagem associada e o seguinte texto:

CONSTÂNCIA, VILA POEMA

Neste local de encontro entre Tejo e Zêzere tinha de haver uma vila. E os homens fizeram-na, no desenrolar das gerações: Punhete primeiro; Constância agora.

Vista à distância, a vila é uma trepadeira de casinhas brancas, escalando a colina. Desvendada por dentro, surpreende o visitante a cada esquina, na exuberância das flores, no asseio das ruas e escadarias, na frescura das margens, no calor humano, na alvura da cal, na beleza das coisas simples conservadas com carinho. Constância é um poema.

E é também terra de poetas. A tradição garante que aqui viveu Camões. A Casa dos Arcos está intimamente ligada à sua memória. Vasco de Lima Couto e Alexandre O’Neill estão ainda bem vivos na memória colectiva. Terão tido razões para escolher Constância e legaram-lhe o melhor de si próprios.

Refúgio de poetas e de reis, Constância continua hoje receptiva a quem chega, disposta a oferecer-se aos que buscam a calma, a beleza natural, a riqueza do património, a evasão num ambiente poético.

A natureza transformou este lugar num ponto de encontro. De rios e de homens. Dos que sentem orgulho em viver aqui e dos que descobrem o prazer de a vir desfrutar.

Neste local tinha de haver uma vila. E os homens fizeram-na: Constância, Vila Poema.

A primeira imagem associada à ideia foi desenhada pelo arquiteto Pedro Nogueira:

Fig. 1

MATIAS1-page-001Representava o perfil da vila, da matriz até aos rios, atravessado por uma pena evocativa de Camões e da poesia – ou seja, os elementos identitários essenciais de Constância.

Seis anos mais tarde, em 1996, entendeu-se estilizar a imagem, mantendo os mesmos elementos identitários:

Fig. 2

MATIAS2-page-001A imagem atual – que privilegia a sugestão dos barcos-de-água-acima, símbolos da Constância marítima e do intenso movimento do seu porto fluvial, durante séculos um dos mais importantes do Médio Tejo – foi lançada em 2007 e acabou por se assumir como logotipo do próprio município.

Fig. 3

MATIAS3-page-00125 anos depois, é muito interessante (e gratificante) olhar retrospetivamente o caminho percorrido por este Constância, Vila Poema que nasceu entusiástico mas cauteloso, se foi impondo com o tempo e conquistou um lugar cimeiro como símbolo de Constância e do seu concelho. São 25 anos de pura sedução.

 

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