Constância | Secretária de Estado promete reconhecimento da Casa-Memória de Camões (c/vídeo)

Reunião na Casa-Memória de Camões. Foto: mediotejo.net

A Secretária de Estado da Cultura comprometeu-se a fazer um despacho no sentido de afirmar a importância da Casa-Memória de Camões, em Constância, para o desenvolvimento cultural do país. O compromisso foi assumido durante uma visita que Ângela Ferreira fez esta terça-feira àquele edifício que está concluído há 12 anos mas que continua fechado e por inaugurar.

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Acompanhada por técnicos da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) e da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), a Secretária de Estado atestou que a Casa-Memória “tem capacidade para evoluir para novos projetos, tanto de exposições temporárias como de arquivo documental”. E por isso assumiu o compromisso do Governo reconhecer o interesse da importância e da necessidade da abertura da Casa-Memória.

A deslocação a Constância começou com a visita ao Jardim-Horto de Camões, onde o vice-presidente da Casa-Memória, António Mendes (o presidente António Matias Coelho estava ausente em França), acompanhado pelo presidente da Câmara, Sérgio Oliveira, e restante comitiva, apresentou o espaço e explicou os recentes investimentos efetuados.

Seguiu-se a visita pormenorizada aos cinco pisos da Casa-Memória começando nas ruínas térreas onde se supõe que o poeta Luís de Camões terá vivido.

Após a reunião no auditório em que os técnicos da DGLAB e da DGPC explicaram os resultados das visitas técnicas que efetuaram ao espaço, apontando alguns aspetos que limitam a sua utilização e as várias hipóteses de projetos, a Secretária de Estado propôs a elaboração de uma informação conjunta das duas Direções Gerais com a análise atual à Casa-Memória e perspetivas de futuro que permitam definir “qual o caminho a seguir”.

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E será com base nessa informação que Ângela Ferreira irá proferir o despacho acerca do interesse nacional daquela instituição criada há cerca de 30 anos em Constância.

No final, o presidente da Câmara disse ter obtido a resposta que pretendia que era o de ver o reconhecimento do Estado português, mas ressalvou que “há ainda um longo caminho a percorrer”.

“É um passo importante pelo qual temos lutado”, afirmou Sérgio Oliveira. É que, com o documento do reconhecimento público, já a Associação Casa-Memória de Camões pode obter financiamentos como aqueles que já tem em perspetiva por parte da Fundação Gulbenkian e da Fundação Oriente.

Visita da Secretária de Estado da Cultura, Arquiteta Ângela Ferreira à Casa-Memória de Camões, em Constância, após a qual assumiu o compromisso do Governo reconhecer o interesse da importância e da necessidade da abertura da Casa-Memória.

Publicado por mediotejo.net em Terça-feira, 9 de julho de 2019

O vice-presidente da Associação disse que saiu “otimista” da reunião e mostrou-se confiante nas palavras da Secretária de Estado. “Gostaríamos que as coisas fossem para ontem mas sabemos que isso não é possível. Acredito que seja desta vez. E agora, mãos ao trabalho”, afirmou António Mendes que disse esperar “que o Ministério da Cultura consiga chegar a Constância tal como Camões o conseguiu”.

Antes, o dirigente reconhecera que, em relação a eventuais candidaturas a financiamentos comunitários, seria difícil uma vez que a associação não dispõe de fundos para a parte não comparticipada.

“Não reivindicamos dinheiro, apenas gostaríamos de dar vida a este edifício, que custou milhares de euros ao Estado e que ainda não foi inaugurado. É um desaproveitamento”, notou.

Em relação ao problema das acessibilidades à Casa-Memória (cinco pisos sem elevador), António Mendes revelou ao membro do Governo que já existe projeto para a parte do imóvel ainda não recuperado, onde está definido o espaço para a caixa do elevador.

Repetiu a informação segundo a qual não há quaisquer documentos que atestem a estadia de Camões em Constância, apenas a tradição oral. Mas “Camões está em Constância”, ressalva, lembrando as atividades desenvolvidas pela associação ou em parceria como por exemplo as Pomonas Camonianas.

“Em mais nenhuma parte do país se comemora Camões como em Constância”, sublinhou.

Os técnicos da DGLAB e da DGPC fizeram notar que a Casa-Memória foi concebida sem ter um programa museológico. No cenário atual defendem que seja ali criado um centro cultural que possa condensar a memória de Camões e a relação do poeta com Constância, já que o edifício não tem condições para se instalar ali um museu.

Quanto ao fundo documental e à biblioteca pessoal doada pela fundadora, Manuela de Azevedo, ficou em perspetiva a possibilidade de colaboração do Arquivo Distrital de Santarém para a sua preservação, tratamento e catalogação.

Visita ao Jardim-Horto de Camões. Foto: mediotejo.net
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