Constância | Matias Coelho deixa presidência da Associação Casa Memória de Camões

António Matias Coelho e Manuela de Azevedo. Foto: Câmara Municipal de Constância

António Matias Coelho, atual presidente da Associação Casa Memória de Camões, em Constância, está de saída da instituição após cumprir três anos de mandato. As eleições decorrem este sábado, dia 22, e na altura da saída, Matias Coelho faz um balanço do trabalho desenvolvido, sublinha o potencial de uma Casa Memória digna de Camões e de Portugal, e fala das “amarguras” pelos objetivos não concretizados.

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Prestes a terminar o mandato porque não se recandidata a um novo ciclo diretivo?

Devo recordar as três razões que me levaram, em abril de 2016, a dar o passo (que nunca antes tinha admitido) no sentido de assumir a presidência da Associação: antes de mais, evitar a dissolução da Associação que estava iminente face à crise diretiva resultante da legítima indisponibilidade da Direção anterior para prosseguir em funções; depois, poupar a nossa fundadora Manuela de Azevedo, que então ainda estava viva, ao desgosto que significaria para ela saber que a sua Associação morria antes dela; e, finalmente, dar à Associação e à causa de Camões em Constância um novo impulso, em termos de atividades desenvolvidas, de visibilidade pública, de renovação e animação do Jardim-Horto e de esforço com vista ao desenvolvimento do processo de abertura ao público da Casa-Memória.

Esses três propósitos estão cumpridos: a Associação não se dissolveu, Manuela de Azevedo morreu descansada e, como todos reconhecerão, estes quase três anos assistiram a um diversificado conjunto de iniciativas, aos mais diversos níveis, que imprimiram à Associação e à temática camoniana em Constância uma dinâmica como há muito não se via. Neste momento o caminho está reaberto e, comparativamente com o que se passava em 2016, é muito menos difícil prossegui-lo.

Com uma antecedência muito grande – de um ano – tive o cuidado de informar a Assembleia Geral de que não seria candidato a novo mandato. Disse-o em dezembro passado e reafirmei-o na Assembleia seguinte, em março. E expliquei porquê: porque, tendo, com a colaboração das minhas colegas da Direção, alcançado os três propósitos referidos, a minha missão está cumprida. É desejável que as pessoas sirvam as instituições – sejam elas quais forem – pelo período de tempo estabelecido (neste caso, três anos) e depois saiam para que outros prossigam, renovando e imprimindo novas dinâmicas.

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O que gostaria de ter conseguido fazer e não foi possível? porquê?

Gostaria de ter visto construído o novo edifício de entrada do Jardim-Horto, mas a lentidão dos procedimentos administrativas foi mais forte do que a minha vontade. Mas fico feliz por deixar tudo pronto para que a obra de faça nos próximos meses.

Gostaria de ter visto restaurado o Pavilhão de Macau e reabilitada a sua envolvente, mas a verba necessária é avultada e a resposta dos potenciais patrocinadores foi muito escassa. Mas creio que ainda conseguirei, antes do final do mandato, um apoio substancial para se poder concretizar pelo menos parte da intervenção.

Gostaria de ter visto aberta ao público a Casa-Memória de Camões, mas infelizmente não foram cumpridas as promessas que nos foram feitas e não vi, fora da Direção da Associação, grande empenhamento nesta causa.

Mas vi – e é importante sublinhar isso – uma Associação que não apenas não se dissolveu como duplicou o número dos seus associados, que desenvolveu considerável quantidade e variedade de atividades, que recuperou o Jardim-Horto de Camões, que tem em perspetiva obras e projetos e que relançou e reforçou a relação afetiva de Constância com a memória de Camões.

Que mensagem ou apelo deixaria ao mundo cultural português e aos decisores políticos, locais e nacionais, sobre o projeto da Associação Casa Memória de Camões?

É a mesma mensagem de sempre, que venho repetindo insistentemente desde que assumi a presidência da Direção: Constância – que tem com Camões uma relação de afeto como nenhuma outra terra no nosso país – dispõe de uma Casa-Memória nova e com condições excelentes para ser a Casa de Camões que Portugal, lamentavelmente, não tem.

Se os poderes públicos nos apoiassem, como prometeram apoiar, poderíamos cumprir o sonho de Manuela de Azevedo e ganharíamos todos: Constância, o Médio Tejo e o país. Bem sei que é à Associação que compete batalhar nesse sentido. É isso que, como espero, irá continuar a fazer, com paciência e persistência.

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