Constância | Casa-Memória de Camões recebe reconhecimento de Interesse Nacional (c/áudio)

Casa Memória de Camões, em Constância. Foto: José Gaio/mediotejo.net

Chegou ao final da tarde, pouco antes da reunião pública do executivo municipal de Constância desta quinta-feira, dia 24 de outubro, a luz ao fundo do túnel para a Associação Casa-Memória de Camões. O Ministério da Cultura reconheceu a Casa-Memória como equipamento de Interesse Nacional, dando despacho favorável neste sentido. Sérgio Oliveira, presidente da CM Constância, disse que se aguarda a chegada do documento de reconhecimento público assinado por Graça Fonseca, afirmando que a boa-nova é “uma vitória” do concelho e da região do Médio Tejo.

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Segundo o presidente da Câmara de Constância, a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, “despachou favoravelmente o reconhecimento do Interesse Nacional da Casa-Memória”. “Nesta fase aguardamos o documento em si, assinado pela Sra. Ministra, com o reconhecimento [oficial]”, disse.

Áudio: entrevista a Sérgio Oliveira, presidente da CM Constância, confirmando a declaração de Interesse Nacional da Casa-Memória de Camões

 

Contextualizando o que se segue, Sérgio Oliveira lembrou que a Casa-Memória de Camões “é gerida por órgãos sociais próprios”, sendo que “esta declaração era fundamental para que consigam chegar a um conjunto de fundações e instituições particulares, com vista a angariar fundos para dotar o espaço dos conteúdos que necessita para abrir ao público”, explicou.

Neste sentido, o documento do reconhecimento público do equipamento vem beneficiar a Associação Casa-Memória de Camões uma vez que poderá assim obter financiamentos como aqueles que já tem em perspetiva por parte da Fundação Gulbenkian e da Fundação Oriente.

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“É mais um passo fundamental, naquilo que é a promoção do concelho e a ligação íntima que Constância tem com Camões há vários anos”, Sérgio oliveira

O autarca constanciense mostrou-se agradado com a eficácia deste despacho. “Foi um processo célere, a Sra. Secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira, esteve há relativamente pouco tempo em Constância, no mês de julho, e estando em outubro e ver já o processo finalizado é uma vitória de todos, do concelho como um todo. É uma vitória da comunidade não só do concelho, mas também da Comunidade do Médio Tejo, porque também reconhece aquele equipamento como Interesse Regional”, assumiu.

Quanto à mais-valia deste reconhecimento e o futuro risonho para a Associação que gere a Casa-Memória no sentido de dinamizar e abrir ao público o equipamento, Sérgio Oliveira não tem dúvidas que “será mais um motivo, quando a Casa estiver apetrechada e aberta ao público, para visitar Constância. Este passo, de ter esta declaração, era um passo fundamental, sem ele todo o processo seria muito difícil”.

De salientar que o equipamento foi criado para “preservar, valorizar e divulgar a relação de Camões com Constância”, mas também com intuito de acolher um Centro Internacional de Estudos Camonianos. Há muito que a Associação Casa-Memória, mais recentemente na pessoa do presidente António Matias Coelho e restantes membros da direção, reivindicava um final digno para este espaço dedicado à vida, obra e tempo de Camões.

Casa Memória de Camões. Foto: mediotejo.net

Em 1983 as ruínas da casa quinhentista foram classificadas como imóvel de interesse público; sobre as mesmas foi erguida a Casa-Memória de Camões, conforme projeto da Faculdade de Arquitetura de Lisboa. As obras foram iniciadas em 1991, tendo-se arrastado por vários anos devido à dificuldade da Associação em obter financiamentos para a sua conclusão.

Recorde-se que a Secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira, se comprometeu a fazer um despacho no sentido de afirmar a importância da Casa-Memória de Camões para o desenvolvimento cultural do país. O compromisso foi assumido durante uma visita que Ângela Ferreira fez no dia 9 de julho àquele edifício que está concluído há 12 anos, mas que continua fechado ao público e por inaugurar por não ter conteúdos e estrutura para tal.

Na mesma visita ficou em perspetiva a possibilidade de o fundo documental e a biblioteca pessoal doada por Manuela de Azevedo [jornalista, fundadora e Presidente Honorária da Associação Casa-Memória de Camões] ser preservado, tratado e catalogado com colaboração do Arquivo Distrital de Santarém.

Momento da deposição de flores, por António Matias Coelho e o autarca Sérgio Oliveira, no monumento a Camões, durante as Pomonas Camonianas – um grandioso evento cultural que pretende homenagear Camões, a época em que o épico viveu e a sua ligação à vila de Constância. Foto: mediotejo.net

Também a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) havia declarado a 28 de fevereiro, por unanimidade, o reconhecimento da Casa-Memória de Camões como “um bem patrimonial, cultural e turístico da região”.

A deliberação unânime por parte dos 13 autarcas dos municípios da região, em sessão descentralizada que decorreu em Abrantes, resultou da solicitação do autarca de Constância para o reconhecimento da importância e da necessidade para a região do Médio Tejo da abertura daquele ativo cultural com potencialidade turística e científica sobre o poeta maior do panorama português.

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