Constância | Associação Humanitária dos Bombeiros ameaça entregar as chaves à Câmara

Quartel dos Bombeiros Voluntários de Constância (Foto: mediotejo.net)

Agrava-se a crise na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Constância, com ordenados em atraso de quase dois meses e dívidas a fornecedores.

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Os dirigentes dos três órgãos da Associação estiveram reunidos esta terça-feira, dia 12, e no final emitiram um comunicado no qual anunciam que a Câmara Municipal “será a depositária das chaves da Associação quando lhe forem entregues, que poderá ser o caso a manter-se a situação presente, de incumprimento de pagamento de dívidas pelas instituições a quem prestamos serviços”.

“Não temos podido contar com a colaboração consequente de entidades a quem cabe cuidar das vidas, dos bens e da segurança da população, cuja responsabilidade pertence ao presidente da Câmara Municipal de Constância”, refere o comunicado, acrescentando que “a Câmara manifesta paralisia perante as dificuldades que lhe temos sistematicamente comunicado, e tem sido incapaz de decidir acerca de vias de solução para os problemas existentes”.

Em causa está uma dívida de cerca de 400 mil euros por partes de hospitais e centros hospitalares a quem a Associação presta serviços, designadamente a nível de transporte de doentes. Uma verba que representa cerca de metade do orçamento anual da Associação Humanitária e que resulta de “atrasos de pagamento excessivos por parte da maioria das entidades a quem presta serviços, todas integrantes do sistema nacional de saúde”, o que provoca um “insuportável estrangulamento de tesouraria”.

Apesar disso e depois de “medidas de racionalização e de compressão de custos”, a Associação mantém em plena utilização todas as suas capacidades e meios”, de modo a garantir o socorro em caso de necessidades urgentes e de catástrofe.

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No final, alerta-se no comunicado que, a manter-se a atual situação, não é possível “assegurar que essa Missão possa continuar a ser cumprida”.

Câmara descarta responsabilidades

“O Município de Constância não tem capacidade financeira para prestar mais apoio à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, do que o que tem prestado até ao momento”, lê-se num comunicado emitido pelo Município a propósito da crise na corporação.

Depois de elencar todos os apoios dados aos BVC que “sem contabilizar os pontuais, ascendem a um valor anual de 56.360,03 € (dados de 2018)”, o Município argumenta que “não pode assumir uma responsabilidade que não é sua” e que “chegou o momento de cada um fazer uma avaliação das ações/opções, e assumir as suas responsabilidades que não podem ser imputadas nem ao Município, nem a outra Instituição, mas sim aos próprios”.

“A Associação Humanitária dos BVC tem órgãos sociais próprios que são totalmente responsáveis pelas decisões e opções que tomam, bem como serão os únicos que poderão explicar a todos e a todas como é que a Associação Humanitária chegou à atual situação”, sublinha-se.

No final do comunicado, o Município diz “estar disponível para continuar a trabalhar e a colaborar com a Associação Humanitária dos BVC como sempre fizemos até hoje, numa base sólida de verdade, transparência, lealdade e diálogo”.

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