Concelhos em declínio não vão crescer e há que aceitar a realidade – CCDR do Centro

"Concelhos em declínio não vão crescer e há que aceitar a realidade", defendeu Ana Abrunhosa. Foto: CCDR do Centro

Os pequenos centros urbanos que estão em declínio “não vão crescer”, sendo necessário aceitar a realidade e gerir de forma inteligente esse declínio, defendeu a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

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Face ao despovoamento, é necessário que os autarcas aceitem a realidade e façam uma gestão inteligente do declínio de concelhos pequenos que têm perdido população ao longo dos anos, afirmou Ana Abrunhosa, que falava à agência Lusa no final do seminário “Os Municípios na Europa das Regiões”, que decorreu em Coimbra.

Para a responsável da CCDRC, os autarcas poderão ter de avançar com medidas para gerir esse declínio que podem não ser vistas “com bons olhos por parte da população, que não dão votos”.

Porém, salientou, essas opções devem ser feitas envolvendo a população e debatendo com os locais quais os objetivos e prioridades.

“Temos de decidir quais os serviços que oferecemos e, para isso, temos de fazer opções. Não podemos estar a prometer parques industriais e festivais internacionais. É fazer opções, é pôr muita racionalidade na política e muita verdade”, declarou Ana Abrunhosa.

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No seminário participou o presidente do município alemão de Altena, Andreas Hollstein, que deu o seu testemunho de como é que um autarca, perante um concelho em declínio e “mesmo sendo honesto e dizendo à população que a cidade não ia crescer, continuou a ganhar eleições e como é que faz a gestão de uma pequena cidade em declínio”, contou Ana Abrunhosa.

Segundo a responsável da CCDRC, naquele município alemão, as pessoas participam na identificação das prioridades, nas soluções para os problemas e envolvem-se até nas obras necessárias, como por exemplo na construção de passeios ou reconstrução de escolas.

Para Ana Abrunhosa, é necessário abandonar o discurso da promessa da fixação de novas pessoas para concelhos despovoados, considerando que já há uma nova geração de autarcas em Portugal que começa a ter uma outra postura perante estes problemas.

No entanto, para uma gestão dos pequenos centros urbanos em declínio, são também necessárias políticas nacionais e europeias que tenham em conta essas especificidades, notou.

“Temos dois terços dos municípios em declínio [na Europa] e depois temos o paradoxo de que as políticas de cidades são só para as grandes metrópoles. Temos de ter instrumentos financeiros e políticas que tenham em conta as especificidades desses problemas”, defendeu Ana Abrunhosa, referindo que está a trabalhar para que o próximo quadro comunitário tenha em atenção esses centros urbanos.

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