“Comunicar Poesia…”, por Carlos Alves

Foto: Carlos Alves

A poesia deve comunicar!

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Porque escreveriam os poetas se não fosse, efetivamente, para que os outros a leiam e compreendam?

Mas a poesia deve também fazer outras coisas. E faz. A poesia, tal como todas as outras artes, não é um mero formalismo, não se reduz a um meio de expressão que atua na comunidade e ao serviço dela, para que qualquer grupo a proponha, a imponha ou a inspire, através de qualquer tutela politica e a conduza a seu belo prazer. A realidade artística é por natureza autónoma e é para a sua especificidade que temos de olhar.

A liberdade que a poesia a arte moderna conquistou a partir de Blake, Arthur Rimbaud e Van Gogh, contra os falsos valores de uma sociedade repressiva, têm de ser preservados, em todas as circunstâncias, no presente e no futuro. É através da linguagem que o poeta descobre o mundo, seja real ou irreal, incontestavelmente transcendente, e por isso o objeto do poema é o próprio poema. Assegurar a sua transcendência é não cair na pura tautologia.

O poema é criado no isolamento e na solidão do poeta, mas também na necessidade íntima de procurar compreender o social onde tem a sua experiência e a sua vivência. A palavra poética, pela sua própria liberdade, é o seu ponto de partida e o seu objeto. O poeta não escreve para dizer algo que conheça previamente, mas para suscitar o que ele mesmo ignora, para encontrar o desconhecido, para descobrir o novo, o inicial, a pureza absoluta do desejo. A poesia é considerada pelos especialistas a principal área de testagem das línguas, o setor onde a linguagem apura e concretiza suas potencialidades como veículo do pensamento criador. A poesia tem de ser trabalhada a partir de um conceito criativo e não como um simples diletantismo ou como um exercício de inspiração. O poeta recentra-se na sua dinâmica expressiva, feita com objetividade, clarificação e precisão. O poeta atual tem que falar uma linguagem que se aproxime em sua concisão das mensagens que a atualidade exige e condiciona.

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A poesia visa aproveitar ao máximo, ao lado de outros recursos, os recursos da comunicação visual e caminhar para conquistar formas de poemas, que possam ser exibidos na tela dos cinemas, nos vídeos, ser afixados em muros e paredes, ou mesmo gravados no asfalto. Hoje já falamos em poesia cibernética. O poeta tem de trabalhar a sua poesia, cônscio da época em que vivemos.

O poeta e a sua poesia tem uma presença responsável e lúcida no mundo atual, na realidade que ele quer modificar e revestir das formas do novo. Porque o poeta atual não teme o novo, a ele só repugna o que é anacrónico e perempto. Ao poeta impôs-se uma liberdade absoluta de pesquisa e criação e a procura de uma tensão semântica apta a fazer do texto poético uma forma de comunicação impregnada de contemporaneidade. O que se pretende é que o processo de reajustamento da linguagem seja feito através da eliminação de excesso discursivo, da atenuação da sobrecarga metafórica da palavra, da procura da precisão semântica, do reforço da síntese frásica, e que acentue no poema o seu desejado nível inventivo ou as suas potencialidades de comunicação.

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É albicastrense de gema, mas foi em Malpique (Constância) e em Tramagal (Abrantes) onde cresceu e aprendeu que a amizade e o coração são coisas imprescindíveis na valorização do ser humano. Vive no Entroncamento. Estudou conservação e restauro e ciências sociais. É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE). Trabalha na área de informática. Participou em várias Antologias Poéticas e escreveu o livro “Diálogos da consciência” que serviu para se encontrar consigo próprio numa fase difícil da sua vida. Acha que o mundo poderia ser melhor, se o raciocínio do Homem fosse estimulado. A humanidade só tem um caminho que é amar, amar por tudo e amar por nada, mas amar.

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