“Começar o ano “com amor””, por Carlos Alves

Foto: R Escada

Ainda te lembras? Foi num baile da minha aldeia que me surgiste neste teu sorriso ardente, quase penetrante e que a atração nos ligou. O momento foi divino, o perfume que a tua alma transbordou, marcou para sempre a nossa felicidade. Hoje estamos juntos, saltamos, amamos, ligamos os nossos destinos envoltos por uma luz reluzente, ávidos de recordar a vida palpitante, intensa e dominante, na esperança de encontrar a frescura da vida, a essência do coração sem espinhos.

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Saltavas para o jardim, exuberantemente fresco, o teu perfume sentia-se a grande distância, parecia nascer da terra, tudo em redor floria, os pássaros cantavam, os génios encantavam, nunca a nossa vida teve tantas estrelas, aquelas que inundavam os céus, aquele infinito que nos deslumbrava. Corríamos pelos campos, atravessávamos os ribeiros, e pelo caminho vinha até nós a poesia, a música, que embalavam os nossos espíritos. Que emoção! Como a vida era cheia de sol, a terra sem fogo mortífero e caos turbulento, a natureza casta, afetuosa, compassiva e bordada a ternura.

As nossas almas fundidas, em silêncio, cheias de alegria, palpitavam em sintonia, desbravando os muros das preces, embrulhados em mantas de cetim. Que cumplicidade! Que realização suprema do amor, que encanta, que se orgulha, que pressente as soluções como a magia apela ao coração. Tudo em nós se juntava no amor, na razão, na necessidade, no encanto de termos tudo. Por isso o nosso afeto vivia da felicidade e da atração. Como nós eramos risonhos, crianças doces e dedicadas.

Venha noite, venha dia, mesmo que as lágrimas melancólicas se soltem das nuvens, seremos sempre estrelas cadentes. Sê Benvinda, escreve versos antes de dormir, ostenta teus olhos de verde-mar, suaves como as tulipas. Escreve para as gentes, entoa com paixão os versos que foram feitos com tanta elevação orquestral. Fico à espera dessa noite em que poucos, mas deliciosos minutos, nos alimentam espiritualmente de sensações generosas. Ainda bem que o silêncio nos deixa palidamente expectantes. Os versos tranquilos, esperam uma pausa de escrita, e a beleza que transmitem é devorada com frenesim e emoção.

Nós que somos do tamanho de um oceano onde erguemos a nossa paixão, as nossas ambições, havemos de continuar, com razão ou sem ela, ultrapassando todas as crises que destroem o nosso reino de fadas, espalhando poesia, em feliz convivência. Lábios que beijam, braços que se estendem. Ruídos aqui e ali que confundem com o som da água caindo, com a cantiga dos pássaros, com o ruído das folhas machucadas. São sons firmes e claros que ouço vagamente nos meus sonhos de quem dorme e que perturbam o meu coração. Por isso sê forte para olhar o meu coração. Ama-me como uma árvore de prata, um rio brilhante, um cabaré giratório ou um dançarino vestido de seda dourada. Dorme, mas não te esqueças de me vir buscar para passearmos no infinito. Ama-me sempre.

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