Com o pão como tema, novo modelo do Festival Nacional de Gastronomia é “aposta ganha”

A abertura oficial do Festival Nacional de Gastronomia decorreu ao fim da tarde de quinta-feira na Casa do Campino, em Santarém, numa cerimónia que incluiu uma degustação de diversas iguarias servidas em pão, fazendo jus ao lema desta edição.

Até dia 29, o festival, que se realiza há 37 anos em Santarém, tem por tema “O Pão de Cada Dia”, com uma padaria, instalada pela Associação do Comércio e da Indústria da Panificação (ACIP) e dinamizada por Paulo Chagas, a confecionar, diariamente, em várias fornadas, o pão do dia – hoje as “pombinhas” de Santarém – e a promover ‘workshops’ e ações de formação.

Luís Farinha, vereador da Câmara de Santarém com o pelouro do Turismo, disse à agência Lusa que o aumento de visitantes neste primeiro dia, apesar da chuva, é um indicador “animador”, pois sente-se “um ambiente, uma atmosfera muito positiva”.

Para o vereador, em fase final de mandato, a aposta iniciada há quatro anos, de “modernização” do festival mantendo a sua matriz tradicional, foi “ganha”, a julgar pelo número crescente de visitantes.

Esta “nova roupagem para o festival, adaptando aquilo que são as necessidades dos nossos dias e que decorrem do que é um novo modo de vida, que não existia há 15 anos”, é sobretudo patente num espaço mais reservado, que Luís Farinha, arquiteto de profissão, ajudou a decorar e que acolhe o “Lucky 13”, um 13.º restaurante dentro do festival, que se destina a “incorporar” os chefes no certame.

Este conceito, criado no novo figurino do festival com o apoio de Paulo Amado (responsável por eventos como o Chefe Cozinheiro do Ano e o congresso de Profissionais de Cozinha), permitirá este ano trazer 18 chefes, três dos quais mulheres – mais 10 do que há três anos, quando foi ensaiado -, entre os quais o escalabitano David Costa, estrela Michelin na cidade de S. José, na Califórnia (Estados Unidos da América).

“Pretendíamos modernizar o festival e, ao contrário do que algumas vezes dizem, que transformámos o festival numa coisa diferente, acho que não é verdade de todo, uma vez que a matriz tradicional do festival está cá. O festival teve por base a promoção da gastronomia tradicional e ela continua cá, intacta”, declarou.

Nas antigas cavalariças da Casa do Campino, 12 restaurantes servem petiscos provenientes de vários pontos do país (incluindo ilhas), mantendo-se os espaços de venda de doçaria, de artesanato e de produtos regionais, com destaque para o espaço “Raiz da Lezíria” e para o aumento da presença dos agroprodutores.

Para o vereador, outro grande objetivo do festival, a qualificação da oferta de restauração em Santarém, juntou-se a uma dinâmica turística que se tem notado no último ano e meio no concelho e que atribui à concertação com a ação da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.

Uma das atrações do festival será a apresentação, sábado, da “maior Massa à Barrão de sempre no maior Pote do Mundo”, uma panela de ferro de três pernas colocada em frente à entrada principal da Casa do Campino, uma iniciativa que conta com os apoios do município de Bragança e da Confraria da Gastronomia do Ribatejo.

Outra novidade do certame será a presença de um ‘winebar’, com vinhos de norte a sul do país, um espaço que substitui o Salão do Vinho ensaiado na edição de 2016 e que a organização, em conjunto com a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), decidiu transformar para diferenciar em relação ao que acontece em outros eventos, associando o vinho, a copo, a petiscos.

Na padaria instalada nos claustros, em cada dia, é servido um pão diferente: na sexta-feira haverá Bola de Lamego, no sábado Massa Sovada (dos Açores), no domingo Broa de Avintes (Vila Nova de Gaia), na segunda-feira Folar Transmontano (Bragança) e na terça-feira Bolo do Caco (Madeira), dia em que é apresentada a Final Jovem Talento de Gastronomia e a cerimónia de Entrega de Prémios Great Taste.

Dia 25 há Pão Alentejano (Vidigueira), seguindo-se a 26 o Pão Algarvio (Loulé), a 27 o Pão de Mafra, a 28 o Pão do Sabugueiro (Seia) e, no último dia, a Caralhota de Almeirim.

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