“Coletes amarelos” vão fazer protestos em várias cidades , entre elas Abrantes, Tomar, Ourém e Santarém

"Coletes amarelos" vão fazer 25 protestos em 17 cidades na sexta-feira. Foto: Reuters

A lista das manifestações dos “coletes amarelos” na área de atuação da PSP para sexta-feira soma 25 protestos em 17 locais das principais cidades do país, divulgou hoje a corporação, sendo que na região do Médio Tejo há convocatórias a circular para Abrantes e Tomar, para além de Ourém e Santarém, capital de distrito.

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Em Tomar, a concentração está agendada para as 7:00, na Rotunda em frente à Casa dos Cubos. Na cidade de Abrantes, a convocatória que circula nas redes sociais marca concentração para a Rotunda do Quartel, às 9:00. Na cidade de Santarém a concentração está agendada para as 7:00 na rotunda do Continente. Em Ourém há indicações de manifestação mas o nosso jornal não conseguiu confirmar se se realiza nem a hora e o local da mesma.

Pelo menos nove câmaras municipais foram informadas até hoje à tarde da realização do protesto dos “coletes amarelos”, agendado para sexta-feira, na maioria a partir das 07:00, segundo dados recolhidos pela agência Lusa.

As autarquias de Braga, Coimbra, Caldas da Rainha (distrito de Leiria), Leiria, Viseu, Aveiro, Santarém, Lisboa e Almada (distrito de setúbal) confirmaram o aviso feito por alguns cidadãos afetos à organização da manifestação.

A Lusa questionou hoje mais de 20 câmaras municipais abrangidas por locais assinalados num mapa do protesto, divulgado nas redes sociais.

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Além das nove autarquias que confirmaram terem sido notificadas, 13 municípios indicaram não ter recebido qualquer informação: Sintra, Covilhã, Tomar, Abrantes, Ourém, Vila Real, Bragança, Lamego, Amadora, Montijo, Beja, Covilhã e Amarante.

Os protestos dos “coletes amarelos” em Portugal foram convocados por vários grupos através das redes sociais, com inspiração nos movimentos contestatários das últimas semanas em França.

Em comunicado a PSP avança que os locais onde poderão ocorrer constrangimentos na circulação automóvel, e que são da área da responsabilidade da polícia, são nas principais cidades do país, a começar por Lisboa, com previsão de constrangimentos na Ponte 25 de Abril, na Praça Marquês de Pombal/parlamento, junto ao Palácio de Belém e na autoestrada 8, que liga Torres Vedras a Lisboa.

No Porto igualmente constrangimentos na Via de Cintura Interna e no Nó de Francos e ainda na Avenida AEP.

Segundo o mapa divulgado pela polícia estão previstas ações ainda em Ponta Delgada, Açores, e na Rotunda do Infante, na Madeira. E em locais centrais ou de ligação nas cidades de Aveiro, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu.

A PSP “confirma que, amanhã, dia 21 de dezembro, encontram-se previstas diversas ações de protesto, em vários pontos do país”, pelo que “desenvolverá todas as ações necessárias” para garantir a segurança, ordem e tranquilidade públicas, bem com os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos”, diz-se num comunicado da corporação.

A PSP reafirmou que tudo fará para garantir a segurança, ordem e tranquilidade pública na sexta-feira, quando são previstos protestos por todo o país.

A PSP aconselha os cidadãos a privilegiar o transporte público, verificar acessibilidade das vias que pretendem usar e pedir a colaboração das autoridades, através do 112, se tal for necessário.

E insta os manifestantes a respeitarem a lei e as instruções da polícia, e a terem em consideração as normas que proíbem os bloqueios das estradas.

Para sexta-feira estão a ser convocadas pelas redes sociais várias ações de protesto em todo o país num movimento chamado “Vamos Parar Portugal” e inspirado nas recentes ações de protesto em França, conhecidas como “Coletes Amarelos”.

“Coletes amarelos” vão fazer 25 protestos em 17 cidades na sexta-feira, entre elas Abrantes, Tomar e Santarém. Foto: DR

“Coletes amarelos” portugueses querem“amplificar descontentamento”

A porta-voz do Movimento Coletes Amarelos Portugal (MCAP), Ana Vieira, disse esperar o máximo de pessoas possível no protesto de sexta-feira, de modo a “amplificar o descontentamento” que considera existir entre a população.

“Queremos juntar todas as vozes portuguesas. O que nós pretendemos com a nossa página é juntar o máximo de pessoas possível, para que todas tenham a sua voz. Amplificar o descontentamento da população que é real”, referiu Ana Vieira, em declarações à agência Lusa.

Ana Vieira explicou que o objetivo principal do protesto é fazer com que os cidadãos portugueses sejam ouvidos pelos governantes, relatando que o MCAP ainda não foi contactado por qualquer membro do Governo.

A declaração da porta-voz surge após uma atualização do manifesto divulgado esta manhã, em que foram retirados os dados quantitativos das reivindicações, como o aumento do salário mínimo, uma decisão que, segundo Ana Vieira, foi tomada por unanimidade dos membros do movimento.

De momento, vários movimentos estão a convocar os cidadãos através da redes sociais para saírem à rua em vários pontos do país na próxima sexta-feira, tentando imitar o movimento dos “coletes amarelos” de França, mas sem violência.

“As nossas intenções é que tudo corra pacificamente e harmoniosamente. Vamos fazer de tudo para preservar essa intenção”, contou.

Ana Vieira disse ainda que o Movimento Coletes Amarelos Portugal pretende fazer uma marcha entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República, em Lisboa, além das outras manifestações promovidas nas redes sociais.

“A concentração no Marquês de Pombal está marcada para às 07:00. A intenção é iniciar o passeio às 15:00, para dar tempo às pessoas que vêm de fora”, rematou.

No manifesto, o grupo propõe uma redução de impostos na eletricidade, com incidência nas taxas de audiovisual e emissão de dióxido de carbono, uma diminuição do IVA e do IRC para as micro e pequenas empresas, bem como o fim do imposto sobre produtos petrolíferos e redução para metade do IVA sobre combustíveis.

Não tolerando qualquer ato de violência ou vandalismo, o movimento, que se intitula como “pacífico e apartidário”, defende também o combate contra a corrupção.

A lista de reivindicações termina com a reforma do Serviço Nacional de Saúde, a revitalização dos setores primário e secundário e o direito à habitação e fim da crise imobiliária.

Os apelos aos protestos começaram a ser feitos por cidadãos anónimos da zona Oeste do país nas redes sociais, principalmente no Facebook, há cerca de três semanas.

Na terça-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhou que “a situação em Portugal é diferente da situação em França”.

A França, vincou, “teve sempre revoluções sangrentas. Portugal teve uma Revolução dos Cravos. Portanto, em Portugal, sabemos compreender que as razões de queixa e indignação e protesto devem ser expressas pacificamente”.

“Uma coisa é a manifestação pacífica, que é timbre de Portugal, outra coisa é a violência que assistimos noutros países”, acrescentou.

No início da semana, a GNR e PSP disseram à Lusa que estão a acompanhar o processo através de recolha de informação no terreno, pelas redes sociais e com os promotores das iniciativas para ter pessoal operacional caso seja necessário.

C/Lusa

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