“Coisas inúteis”, por Carlos Alves

Foto: Carlos Alves

Esquecer e beber vinho, achar o caminho ou transformar os pontos críticos em coisas que nos interessam. É bom achar o tempo da vaniloquência crítica que supere os recalcamentos coletivos, que traga para a ribalta o espaço da paixão e dos sentidos.

PUB

Ninguém ignora os nossos juízos valorativos de achincalhamento, as nossas tendências aburguesadas que condicionam a nossa inteligência e têm propensão a valorizar a sedução, a manipulação e por fim a destruição. Aliás, como todos sabemos é por aqui que elas se perspetivam, sorrateiramente, disfarçadas de eloquentes sentimentos de bravura sobre o trajo de uma seita, de um líder ou de outra coisa qualquer parecida, que saiba seduzir com mais ou menos estilo verbal e rítmico, perpetuando-se em toda a sua dimensão. É por isso que hoje me apetece dizer coisas inúteis.

A primeira que me vem à cabeça é a mentira. É, portanto interessante, investigar a sua difusão cada vez mais rápida e ampla. O seu contributo para o conhecimento é preocupante, porque emerge da ignorância das realidades, da cegueira de uma paixão ou da ilusão de uma opção passageira. Sobre esta inutilidade é bom não esquecermos que a democracia não pode viver sem uma certa dose de verdade.

Sem darmos por isso, as nossas opiniões, mesmo que desinteressadas, provêm de influências várias sem nos preocuparmos com o nosso próprio conhecimento do assunto, enaltecendo muitas vezes os preconceitos, as aparências, as paixões. Os nossos objetivos assentam demasiadas vezes na preguiça espiritual. Temos de ser exigentes com nós próprios, considerando todas as informações que dispomos, sem eliminar nenhuma propositadamente, sem expurgar nem deformar nenhuma. Será que aproveitamos estas probabilidades tanto quanto podemos? Valerá a pena correr riscos, baseando-nos em informações que sabemos falsas? Os exemplos abundam. Hoje como outrora, o inimigo do Homem está no fundo dele.

Outrora era a ignorância, hoje é a mentira. Nenhuma mentira pode impor-se eternamente. Conhecemos inúmeros casos e talvez o mais nefasto tenha sido o mito ariano, pelo menos para a comunidade científica. A mentira não pode prevalecer tornando-se prática comum, quer dos governos, quer das oposições, pondo em causa as suas opiniões públicas. A nossa vigilância é indispensável em todos os contextos. Não se pode ignorar o passado para que este não falsifique o presente. Todos sabemos as consequências desastrosas que uma má informação da opinião pública origina para a democracia, essencialmente para este sistema político.

PUB

A nossa sociedade está doente! Atravessa uma grave crise moral, social, económica e politica e por isso idealizou um sonho, uma esperança. Dizem que os Homens mais conspícuos e sabedores acreditam em oráculos e em astrologias! Daí, o que temos que fazer é esperar que surja alguma coisa propensa para o messianismo, para a esperança nos milagres, nas soluções imprevistas e salvadoras.

Podemos até acreditar num mundo ideal, cheio de pirilampos a dançar na amplidão do espaço e esperar que a escuridão subitamente se ilumine, como quando um comboio sai repentinamente de um túnel.

Esperemos que a tomada de consciência não chegue demasiado tarde e que as nossas probabilidades de sobrevivência não diminuam drasticamente. Precisa-se do Homem novo, capaz de reencontrar um novo caminho, totalmente dedicado aos interesses da humanidade, e portanto, sem mentiras.

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here