Chamusca | Congresso reafirma Tauromaquia como cultura e identidade da região (c/ vídeo)

Autarcas debatem as atividades taurinas. Foto: mediotejo.net

Cultura, identidade, tolerância e respeito foram as palavras-chave no primeiro dia do Congresso Internacional de Tauromaquia “Homens e Toiros, Cultura e Desenvolvimento”, que está a decorrer na Chamusca, de 11 a 13 de julho.

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Ao longo do primeiro dia a maior parte das intervenções foram no sentido da defesa da festa brava e de todas as atividades que a Tauromaquia envolve.

Autarcas da Chamusca, Santarém e Coruche destacaram a importância da Tauromaquia no Ribatejo e Alentejo, o forte envolvimento da população que vê no toiro o símbolo da região e a importância económica que tem a atividade em termos de turismo.

De Nimes, no sul da França, onde a festa brava tem uma grande implantação, veio o adjunto da “Mairie” Frédéric Pastor, que destacou os princípios da liberdade e do respeito mas também os da tradição para sublinhar a importância da Tauromaquia na sua região.

“A Tauromaquia é o encontro da cultura com a natureza”, afirmou o orador que falava em espanhol.

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Perante dezenas de participantes, falou de França como “país da liberdade” e do “respeito pelo outro” apresentando números que dão conta da importância económica e social que a Tauromaquia tem no sul de França.

Uma conferência sobre “Cultura e desenvolvimento” por Elísio Summavielle (Presidente do Conselho de Administração do Centro Cultural de Belém), uma sessão plenária com autarcas e uma mesa redonda com deputados preencheram a tarde do primeiro dia do congresso.

Elísio Summavielle apresentou-se como “patrimonialista e homem de cultura” e disse que era nessas qualidades que intervinha e “menos como aficionado”. Não escondeu a sua paixão pela festa brava e chegou mesmo a afirmar que os aficionados devem começar “a jogar ao ataque e menos à defesa” como tem acontecido até agora, numa referência ao movimento anti-taurino.

Neste ponto criticou o “pensamento único” em contraponto com a defesa da cultura, do ambiente e do pluralismo, contextualizando com referências à cultura e ao património.

Na sessão plenária sobre “As Autarquias, o Estado e a Festa dos Toiros”, que juntou o presidente da Câmara Municipal de Santarém, Ricardo Gonçalves, o presidente da Câmara Municipal da Chamusca, Paulo Quei­mado, a vereadora Célia Ramalho, da Câmara Municipal de Coruche, e o adjunto da Câmara de Nimes (França), Frédéric Pastor, o moderador, Nuno Castelão, provedor da Santa Casa da Misericórdia da Chamusca, questionou os convidados sobre o tema e a importância que tem nos seus territórios.

No caso dos municípios portugueses intervenientes (Santarém, Coruche e Chamusca), todos eles já declararam a Tauromaquia como património cultural imaterial de interesse municipal.

Para Ricardo Gonçalves, a Tauromaquia “está enraizada na nossa cultura” e “é uma marca indelével de Santarém”, concelho “com uma história rica no que se refere a toiros”.

Quanto à polémica acerca do apoio da sua autarquia às atividades taurinas, o Presidente da Câmara Municipal de Santarém, tal como o da Chamusca, afirmou que apoia a Tauromaquia “tal como apoia qualquer outra atividade cultural”. E neste ponto recordou atividades como a festa de S. José ou a Feira de Agricultura onde as corridas e largadas de toiros fazem parte do programa.

Ao “pensamento único”, o Autarca de Santarém contrapôs a “tolerância” para defender a Tauromaquia e as suas raízes culturais.

Na mesma linha de pensamento, a vereadora Célia Ramalho, de Coruche, município que preside à Secção de Municípios com Atividade Taurina, secção especializada da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), sublinhou a componente de identidade cultural que liga o seu Concelho à Tauromaquia. “Mais do que espetáculo, é identidade, é cultura”, afirmou.

Para o anfitrião, Paulo Queimado, a Tauromaquia na Chamusca “mais do que uma questão cultural é que questão de ADN”. “O touro faz parte do território, sempre foi uma força de trabalho que esteve ao lado do homem”, disse, elencando as atividades e as associações ligadas ao movimento taurino na Chamusca.

Essa ligação está tão enraizada que nas atividades extra curriculares e nos campos de férias, as crianças que quiserem têm oportunidade de contactar com o mundo dos toiros.

Aspeto salientado por alguns oradores, foi o recente levantamento realizado que dá conta de um aumento de 25 por cento de espectadores nas atividades taurinas.

Associado a este fenómeno está a importância económica, sobretudo a nível de turismo, que tem a Tauromaquia no Ribatejo e no Alentejo.

A tarde do primeiro dia do Congresso terminou com uma Mesa Redonda sobre “A Tauromaquia e a Política” tendo como convidados as deputadas Maria da Luz Lopes (PS) e Patrícia Fonseca (CDS-PP). Foram convidados também representantes do PSD, BE e PCP que não aceitaram participar. Convidado a integrar a mesa foi Rui Paulo Sousa, líder distrital e cabeça de lista do Aliança, que acompanhava o Congresso na plateia.

O moderador, Hélder Milheiro da Pró Toiro, lembrou uma sondagem feita em 2011 pela Eurosondagem, segundo a qual 86,1% dos portugueses não defende qualquer proibição das Corridas de Toiros, 32,7% declararam-se aficionados e 20,6% são indiferentes às touradas.

Ainda de acordo com os resultados dessa sondagem, 32,8% dos portugueses não são aficionados mas não aceitam que se retire a liberdade de escolha, 11% são contra as touradas, defendendo a sua proibição, mais de 50% dos Portugueses já assistiu ao vivo a uma Corrida de Toiros, 66% da população costuma assistir a espetáculos tauromáquicos pela televisão, 59,3% dos portugueses acham que as touradas contribuem para uma boa imagem do país no estrangeiro, 75% dos portugueses acham que as touradas têm importância ou alguma importância para a economia e turismo e 65,3% acha que seria muito grave o desaparecimento da tradição taurina para a identidade nacional.

Todos os oradores se manifestaram a favor das atividades taurinas associando-as à cultura e defendendo o apoio do Estado. Menos consensual foi a forma como legislar e regulamentar a atividade.

O Congresso da Tauromaquia integra-se no programa de comemoração dos 100 Anos da Praça de Toiros da Chamusca e reúne aficionados e investigadores. É uma organização conjunta do Município da Chamusca, ISCTE-IUL, CIES-IUL, Instituto Politécnico de Santarém, Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal (ATTP) e Santa Casa da Misericórdia da Chamusca.

A relação entre os homens e os toiros, sobretudo na sociedade ibérica (Portugal e Espanha), no Sul de França e na América Latina é o principal tema de reflexão durante os três dias. Estão a ser abordadas as dimensões sociais, culturais, ecológicas, económicas, políticas e morais da relação Homem-Toiro e ainda as diversas problemáticas com que se defrontam as sociedades modernas, nomeadamente a das relações entre a cultura e a natureza, a vida e a morte, a democracia cultural e a liberdade.

As conclusões deste congresso vão servir de base para a implementação do projeto “Tauromaquia, Património Cultural de Portugal” que, em 2017, obteve financiamento através do Orçamento Participativo de Portugal.

Os trabalhos realizam-se no Cineteatro da Chamusca e há uma atividade de campo na Herdade de Talasnas. Em simultâneo decorrem ainda duas exposições: uma de fotografia – “Joaquim Bastinhas pela objetiva de Emílio de Jesus” – na Galeria Municipal dos Paços do Concelho; e outra de painéis com a história da relação entre os homens e os toiros – “O Toiro e o Homem – Relação Sagrada”, no hall do Cineteatro da Chamusca.

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