“CGD concessionada a privados pela esquerda”, por Duarte Marques

A esquerda que sempre foi contra a privatização da CGD, parcialmente ou na sua totalidade, deu agora o seu “ámen” a uma concessão da sua gestão a uma equipa privada, com o mesmo estatuto dos restantes bancos, com a mesma autonomia e com os mesmos despedimentos.

Sim, a CGD, com o acordo do Ministro das Finanças e do Primeiro-Ministro decidiu encerrar 180 balcões e despedir pelo menos 2000 pessoas. Este era o tal plano escondido, que foi recusado ao Parlamento e aos portugueses. É um programa que está há quase um ano fechado e acordado com a Comissão Europeia, mas escondido dos portugueses. É esse o preço a pagar para que a recapitalização seja tão elevada, tão exagerada à custa de investidores privados mas também dos contribuintes portugueses.

Ao contrário do prometido, parte da recapitalização da CGD será feita por investidores privados, sim privados, que receberão um juro de pelo menos 10,5% como hoje ficámos a saber. Mourinho Félix havia garantido que no máximo seria 8,5%.  O máximo que pagámos à troika foi 4,5%. Pensem bem.

Mas tão grave como este juro e o modelo de recapitalização, são os despedimentos escondidos e disfarçados, com a estranha complacência do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. Imaginam o caos que ocorreria se tal despedimento fosse feito por um governo PSD ou CDS? Não diria que estes ajustamentos não sejam necessários, critico sim a forma pouco transparente, incoerente e cobarde como este processo foi conduzido pelo governo e em particular pelo Ministro das Finanças.

Saúdo o anunciado recuo no encerramento de alguns balcões da CGG, em particular nos concelhos onde não há alternativa ou onde não existe outro balcão do banco público como é o caso da Golegã. O Governo recuou e corrigiu o erro apesar de nunca assumir a sua responsabilidade, mas a isso já estamos acostumados.

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Duarte Marques, 34 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.
Escreve no mediotejo.net à quarta-feira.

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