Carlos Matias diz que “imposição” do BE para Santarém “enfraquece” o partido

Carlos Matias, deputado do BE. Foto: mediotejo.net

O deputado do Bloco de Esquerda (BE) e membro da Comissão Política de Santarém Carlos Matias disse hoje à Lusa que a “imposição” da direção nacional em apresentar um nome à revelia da decisão da distrital “enfraquece e divide” o partido.

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As declarações de Carlos Matias decorrem do facto da Mesa Nacional do BE ter hoje aprovado o nome de Fabíola Cardoso como cabeça de lista por Santarém, depois de, no dia 29 de junho, em plenário distrital, Carlos Matias, do Entroncamento, ter sido aprovado por larga maioria e indicado para cabeça de lista, obtendo 81 votos. Fabíola Cardoso, de Santarém, nome indicado pela direção nacional, recolheu 37 votos.

A direção nacional, contudo, apresentou hoje, além do nome de Carlos Matias, o nome da candidata na Mesa Nacional, tendo Fabíola Cardoso vencido com 49 votos contra 14 (e três abstenções) e sido, assim, designada como cabeça de lista do BE pelo distrito nas legislativas de 06 de outubro.

“Pela primeira vez na história do BE, e à luz dos atuais estatutos, a direção nacional do partido impõe um nome e uma lista alternativa, ou seja, impôs a sua vontade contra a da região, situação que enfraquece o BE e divide o partido no distrito de Santarém, num claro desrespeito pela região e por quem votou”, disse hoje à Lusa Carlos Matias, em reação à decisão da Mesa Nacional que hoje votou e aprovou o nome de Fabíola Cardoso.

No mesmo dia 29 de junho, o Bloco de Esquerda (BE) de Santarém havia aprovado uma moção em que condenou a “intromissão” dos órgãos nacionais em decisões locais e em “matérias que são da sua exclusiva competência”, tendo-se manifestado contra a “ingerência” na seleção de candidatos às legislativas.

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“A direção nacional pode recusar um nome indicado pelas distritais mas não tem autonomia para apresentar, à luz dos atuais estatutos, e foi isso que sucedeu, uma decisão de imposição da direção nacional à região e que vai ao arrepio de tudo o que é a cultura do BE”, disse o atual deputado.

Contactada sobre esta matéria, fonte oficial do partido sustentou, no dia 29 de junho, que, “de acordo com os estatutos do Bloco de Esquerda, a decisão sobre os primeiros candidatos às eleições legislativas cabe à Mesa Nacional”.

Carlos Matias disse ainda que a nomeação da lista encabeçada por Fabíola Cardoso “é uma derrota para o BE e para a região”, tendo reiterado que a mesma “enfraquece e divide” o partido em vésperas de eleições.

“A direção não só não cumpriu como atropelou os estatutos numa decisão politicamente errada”, vincou, tendo afirmado que a decisão de não aceitar o seu nome como o indicado pelas bases “não terá sido por boas razões”, sem concretizar.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, encabeça a lista de candidatos eleitorais do partido pelo Porto e Mariana Mortágua será a primeira por Lisboa, ao passo que Joana Mortágua é candidata pelo círculo de Setúbal, José Manuel Pureza por Coimbra, João Vasconcelos por Faro e Mariana Aiveca por Beja (em 2015 não foi eleita).

Na reunião da Mesa Nacional do BE, que decorreu em Lisboa, apenas a lista pelo círculo de Santarém foi votada em alternativa. Fabíola Cardoso, proposta pela direção nacional venceu, com 49 votos, e a proposta da distrital, Carlos Matias, obteve apenas 14 votos.

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