Câmara de Vila de Rei vai impugnar certificação do maranho da Sertã

Assembleia Municipal de Vila de Rei aprova recomendação para Câmara impugnar certificação do maranho da Sertã Foto: mediotejo.net

O Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Socialista (PS) aprovaram por unanimidade uma proposta de recomendação conjunta envolvendo o processo de certificação do Maranho da Sertã, esta quinta-feira, 27 de fevereiro, em Assembleia Municipal. A proposta recomenda à Câmara Municipal que impeça que o concelho vizinho certifique o Maranho com um produto da Sertã defendendo que o produto é da região do Pinhal. Em alternativa sugere que o Maranho seja certificado como um produto do Pinhal Interior.

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A proposta partiu da deputada municipal Fátima Mendes, eleita pelo PSD, que defendeu, esta quinta-feira, em Assembleia Municipal, ser o Maranho um produto da região do Pinhal – nomeadamente Vila de Rei, Proença-à-Nova, Oleiros ou Mação – e “não pertence exclusivamente à Sertã”. A esta ideia associou-se depois o PS na construção de um documento conjunto, aprovado então por unanimidade.

Fátima Mendes explica tratar-se de um enchido ensacado em pele de cabra – embora também feito industrialmente com pele sintética – recheado com uma mistura de ingredientes com predominância para a carne de caprino ou ovino, o arroz carolino e a hortelã.

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“Sabemos que os outros concelhos visados também estão em alerta e propunha a esta Assembleia que saísse daqui um voto unânime de apoio e solicitação à Câmara Municipal para que não deixe certificar o Maranho como um produto da Sertã. Ou podemos aproveitar a ideia e certificá-lo como um produto do Pinhal” acrescenta.

Assembleia Municipal de Vila de Rei. Créditos: mediotejo.net

O registo da denominação “Maranho da Sertã” como Indicação Geográfica Protegida (IGP), limitada à área territorial do concelho, foi requerido pela APROSER – Associação de Produtores do Concelho da Sertã, e o processo está em andamento.

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O presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Ricardo Aires, dá conta de uma reunião do executivo onde o assunto foi abordado e rejeitada a ideia de certificação do Maranho da Sertã. “Dá-nos mais força a proposta da Assembleia Municipal para que durante a audiência pública de 30 dias possamos fazer algo para impugnarmos essa certificação”, disse.

Considerando o trabalho “bem feito” concordou com a sugestão de certificar o Maranho do Pinhal, uma vez que é um produto regional. “Existe a Confraria do Maranho que rege todos os concelhos do Pinhal Interior”, vincou.

Por seu lado, a deputada Diana Lucas, eleita pelo Partido Socialista, lembrou as rivalidades desde sempre existentes à volta da origem do produto e informou que “a primeira patente registada do Maranho, nos anos 1950, foi de Vila de Rei”.

Ricardo Aires informou a Assembleia que a Câmara “já tem argumentação feita” para contestar.

O procedimento de oposição nacional ao pedido de registo de Indicação Geográfica Protegida para o produto Maranho da Sertã encontra-se aberto pelo prazo de 30 dias, a contar desde o dia 19 de fevereiro, data em que o aviso da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural foi publicado no Diário da República.

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