Botica do Real Convento de Cristo vai ser mostrada a partir do verão

A Botica do Real Convento de Cristo é o título da exposição que vai estar patente a partir do verão no âmbito das iniciativas de “expor em contexto” o espólio em reserva no monumento Património da Humanidade, em Tomar.

Andreia Galvão, diretora do Convento de Cristo, disse à agência Lusa que, seguindo uma das linhas estratégicas que definiu para o monumento depois de tomar posse, há dois anos, o “acervo fantástico” de 88 potes de faiança e outros objetos (como medidas) da botica (farmácia) filipina vai ser mostrado ao público de forma integrada.

Seguindo uma outra linha que traçou – a de trabalhar em parcerias -, a exposição está a ser preparada com a colaboração dos museus da Farmácia e do Azulejo e do Convento de Mafra, que têm participado no estudo do acervo e do espaço da botica e da enfermaria filipinas, disse.

Situadas no que foi depois transformado em Hospital Militar – um espaço do complexo monumental em que se insere o Convento de Cristo encerrado em 1993 e “à espera que reflitam sobre ele” -, a botica e a enfermaria estão “perfeitamente identificadas” num portal que tem inscrita a data da fundação (ao contrário da botica anterior, do tempo de D. João III e da autoria de João de Castilho, cujo local exato se desconhece).

A exposição vai ficar num espaço próximo, mostrando como as boticas eram “um importante núcleo dos conventos, fonte de rendimento para os mosteiros” e, também, de ajuda para quem precisava, afirmou.

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“O que se vai querer fazer é dar também às pessoas uma visão que não é só da obra de arte – da botica com os seus belos objetos. É que percebam o que é todo o processo, desde a matéria-prima, que pode ser orgânica ou mineral, ou as águas, até uma certa contemporaneidade” e a ligação à paisagem cultural, “herança das comendas da Ordem de Cristo”.

A exposição terá uma “forte componente pedagógica, para as pessoas entenderam o que era o fazer, o saber-fazer, e todo este mundo fantástico e abrangente da botânica e da cura e de todo o aspeto da vida conventual”.

A exposição segue-se à que, no ano passado, mostrou a louça do acervo do Convento na zona do refeitório, onde ainda está, com a preocupação de “olhar para o contexto” e “explicar um monumento que é um mundo que não tem fim”, enriquecendo o percurso expositivo e ajudando as pessoas a entenderem melhor o quotidiano.

O título da exposição surge de um documento encontrado recentemente na Torre do Tombo, “com um inventário posterior, mas que detalhava bem o que eram todos os utensílios, produtos, livros que a botica continha”.

Andreia Galvão realçou a preocupação de olhar o complexo monumental que integra o Convento de Cristo como um todo – são 4,2 hectares de área construída e toda uma paisagem cultural, organizada, que resulta das comendas da Ordem de Cristo.

“Queremos chamar a atenção para todo o espaço”, disse.

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