“Best Friends Forever”, por Vasco Damas

Foto: CherylHolt, Pixabay

Sendo pai de uma adolescente, tenho acompanhado com especial atenção e particular preocupação a nova moda dos e das BFF’s.

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Digo particular preocupação porque, nos antípodas de outros tempos e de outras amizades, esta moda atual está impregnada de comportamentos e de sentimentos que me parecem ser pouco saudáveis.

Ao contrário do que pode parecer, não há nas minhas palavras nenhuma ponta de saudosismo nem nenhuma mentalidade de “Velho do restelo”.

Há sim uma preocupação genuína com o que observo em alguns comportamentos de algumas “amizades” que tentam “colonizar” o outro através de um condicionamento psicológico e doentio e de um exacerbado sentimento de posse.

Com as devidas distâncias, algumas destas “amizades” fazem-me lembrar algumas relações que conheço, em que um dos lados faz tudo para castrar socialmente a vida do outro, aproveitando posteriormente o isolamento conquistado como arma para dominar a relação.

Estes sentimentos negativos associados à manipulação de comportamentos são tudo menos saudáveis.

Como pai que deseja o melhor para as suas filhas, mas acima de tudo como educador que tem o dever de passar os valores básicos de cidadania para contribuir positivamente para a formação de um futuro adulto, não posso negligenciar a minha responsabilidade de orientador e facilitador do processo.

Com perspicácia, suavidade, aderência à realidade e sempre ilustrada com exemplos que diferenciam o certo do errado… porque como bem sabemos, estas idades estão cheias de certezas absolutas que não admitem contraditório e um choque frontal com a parede destas suas “verdades universais” tem normalmente o efeito contrário.

Devemos estar conscientes e sobretudo alerta para estas “amizades” tóxicas que podem contaminar e comprometer o percurso dos nossos filhos. Devemos alertá-los, orientá-los e mostrar-lhes o caminho mas ao mesmo tempo também lhes devemos dar a liberdade para que tomem as suas decisões consciencializando-os e alertando-os para os riscos associados.

Por muito que nos custe e doa… também os devemos deixar errar e sofrer para que aprendam que cada ação gera sempre uma reação. Mas durante este processo de aprendizagem e de crescimento devemos estar sempre presentes para que os nossos filhos nunca deixem de nos sentir como o seu porto de abrigo.

Não sou ingénuo e tenho noção que as minhas ideias não garantem fórmulas de sucesso, porque também tenho perfeita consciência de que são relativas todas as “verdades absolutas” sobre o tema…

Como em tantas outras situações, também aqui cada caso é um caso, porque há personalidades e personalidades e o mesmo modelo não garante os mesmos resultados com pessoas diferentes. Cabe-nos o papel de acompanhar e avaliar cada situação, adaptando o modelo que acharmos mais conveniente. Sempre em partilha e com o envolvimento dos nossos filhos… porque afinal, são eles que têm de viver as suas vidas!

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É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.
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