Tejo | Ativista Arlindo Marques ganha Prémio Nacional do Ambiente 2018

Arlindo Marques é conhecido como o "guardião do Tejo". Foto: mediotejo.net

A Confederação Portuguesa de Associações de Defesa do Ambiente (CPADA) entregou este ano 2018 o Prémio Nacional do Ambiente ao ativista Arlindo Marques, natural de Ortiga, Mação, pelo seu papel enquanto “guardião do Tejo” na denúncia de abusos ambientais cometidos pela indústria no rio Tejo.

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“Penso que o prémio que me foi atribuído pela CPADA é o reconhecimento do trabalho feito por mim nos últimos três anos, no «feroz» combate contra as empresas que teimavam em poluir o rio Tejo, combate esse feito, principalmente, com vídeos e fotos, e com muitas horas a correr por diversos locais do Tejo, desde Vila Velha de Ródão a Vila Nova da Barquinha”, disse o ativista ao mediotejo.net.

Questionado sobre a quem dedica o prémio, Arlindo Marques, disse que o vai dividir com todos aqueles que o têm apoiado na sua luta por um rio Tejo menos poluído.

Arlindo Marques é conhecido como o Guardião do Tejo. Foto: DR

“Claro que vou repartir o prémio com todos aqueles que me têm apoiado: o Movimento ProTEJO e os seus elementos, que também ajudaram muito nesta causa, num «trabalho» de bastidores, como por exemplo as diversas manifestações, os pescadores e amigos localizados em pontos estratégicos do rio, que rapidamente me indicavam onde estavam os focos de poluição, e com todos os milhares de amigos da rede social Facebook que visualizaram, comentaram e partilharam o que publiquei”, afirmou.

Sobre o significado desta distinção, o Arlindo Marques, guarda-prisional de profissão, disse que este prémio “será mais um incentivo para eu continuar atento, nunca desistir da luta contra quem quiser poluir o Tejo. Será também uma força que me apoiará, interiormente, nos tempos futuros, no decurso dos processos que me foram movidos pelos prevaricadores”, declarou.

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O prémio foi entregue em Lisboa, em novembro, no 28.º encontro nacional de associações de defesa do ambiente, em que a confederação assinou um protocolo com a Plataforma de Associações da Sociedade Civil através do qual ambas ficaram sócias uma da outra, reforçando a sua ligação.

Francisco Sampedro, Arlindo Marques, João Gouveia e Paulo Constantino, companheiros na luta pela despoluição do Tejo. Foto: DR

O premiado, Arlindo Marques, disse em declarações à Lusa este mês que foi a “máquina do comboio” de um trabalho conjunto de várias pessoas, divulgando imagens nas redes sociais sempre que se registavam descargas poluidoras no Tejo.

Por isso, enfrentou “alguns dissabores” como um processo que lhe foi instaurado pela empresa de celulose Celtejo, de Vila Velha de Ródão.

“Fiquei muito contente, é o reconhecimento do trabalho que tenho feito nos últimos três anos” em prol do rio Tejo e que foi “uma luta um bocado difícil”, disse Arlindo Consolado Marques, dirigente do Movimento pelo Tejo.

O ambientalista contou que “foram três anos a lutar, três anos a ir ao rio, três anos a ir aos focos de poluição, a mostrar os peixes mortos, as águas escuras, porque o cheiro não se conseguia mostrar, e a espuma que parecia a espuma da morte”.

Arlindo Marques, o ‘Guardião do Tejo’, diz que nunca viu um cenário ‘dantesco’ como o do episódio que ocorreu a 24 de janeiro de 2018, junto ao açude em Abrantes. Foto: mediotejo.net

Nesta luta, Arlindo Marques não esteve sozinho, contou com o apoio de pescadores, moradores, trabalhadores das barragens, profissionais das empresas que o alertavam para situações de poluição que estavam a acontecer, e com quem pretende repartir o prémio.

Paulo Constantino, Francisco Sampedro e Arlindo Consolado Marques, membros da rede de vigilância do Tejo. Foto: DR

“Foi um trabalho conjunto de várias pessoas, eu fui a máquina do comboio”, disse, contando que mal era informado de algo que estava a acontecer no rio se deslocava ao local, fotografava, filmava e partilhava as imagens nas redes sociais, que ajudara a alertar as autoridades para as descargas poluidoras que cobriram as águas do Tejo com espuma tóxica.

Arlindo Marques, dirigente do proTEJO, o rosto mais visível das denúncias de poluição no Tejo: Foto: mediotejo.net

Apesar de “alguns dissabores”, como um processo que lhe foi instaurado pela empresa de celulose Celtejo, instalada em Vila Velha de Rodão, Arlindo Marques disse que a luta valeu a pena.

“Nada disso me cala, nem me faz voltar para trás e o que me alegra mais, além do prémio, é ver que afinal ao fim deste tempo todo o rio melhorou mais de 85%. Ficou com umas mazelas, com umas nódoas negras, como costumo dizer, mas está muito melhor”, salientou.

Apesar de o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, ter anunciado a colocação de guarda-rios no Tejo, Arlindo Marques disse que vai continuar a lutar pela defesa do rio, que considera o seu mundo, o sítio onde se sente bem.

“Ao fim de três anos conseguimos que o Governo tomasse medidas e a situação está muito melhor. Agora precisamos de cerca de uma década para voltar ao mesmo. Já vai havendo algum peixe, mas muitos desapareceram, mas a natureza vai voltar ao normal se não a voltarem a poluir”, disse o ambientalista.

Foto: mediotejo.net

C/LUSA

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