“Arte e loucura?”, por Massimo Esposito

Foto: DR

Na outra semana estava eu a falar com um jovem aluno cheio de energia e de vontade de aprender e, na conversa, disse-me que ia ao museu de arte antiga, em Lisboa. Disse-lhe para aproveitar e ver as obras de Hieronimus Bosch, visto ele gostar de Salvador Dalí , como artista que retratava a loucura, mas uma coisa que, provavelmente não sabia, é que ele não foi nem o primeiro nem o único… louco.

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Expliquei-lhe que a loucura e as visões distorcidas e fantasiosas aparecem há muitos séculos e o maior exponente desta faceta artística é com certeza Hieronymus Bosch, pintor flamengo, nascido em 1453 e que deixou uma grande herança artística a centenas de pintores e artistas em geral.

Muito se escreveu sobre ele, e, um século depois da sua morte, muita lenda se mistura com a realidade.

Disse-lhe que era um grande artista e que, apesar de alguns quererem conotá-lo com os pintores “amaldiçoados”, ele foi um grande inovador a nível da linguística pictórica: incisividade do traço, cores extremamente variadas e levemente “tonais” (velaturas), conceito do espaço amplo e complexo, vigor formal e um estilo refinado são o cunho pessoal que foi assimilado por todos os que tiveram o privilégio de ver e apreciar as suas obras.

Bosch foi criticado, com certeza, e também acusado de fazer parte de uma seita que praticava o nudismo e que tomava uma espécie de droga parecida com o L.S.D., mas isto aconteceu porque expunha a grave crise da igreja católica corrupta e “simoníaca” da altura, onde bispos e papas tinham filhos e amantes, e os gastos estrondosos de Roma eram subsidiados com guerras e a inquisição.

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Não podemos esquecer também o pintor do século XVII, Giuseppe Arcimboldo, pintor de Milão que criou um estilo próprio. O seu estilo é fácil de descrever: fazia retratos e figuras humanas compostas por frutas, legumes, flores, frangos, peixes, que de longe pareciam o homem ou mulher retratados, mas de perto reconhecia-se a castanha como boca, o cogumelo como orelha, o pepino como nariz, e assim por diante. E o mais espantoso é que não fica ridículo ou pesado.

Entendemos então que a “loucura” é a maneira de expressar a própria arte em maneira alternativa ao estilo do momento, e não depende nem do século em que vive o artista nem do país onde vive, mas sim de como se observa e representa a realidade ou os sonhos e pesadelos. Podemos ver isso também Max Ernst, Escher, Ligabue, Otto Dix e muitos outros.

É natural que para isto acontecer precisa-se de uma base técnica, uma base social culturalmente desenvolvida e muita fantasia e vontade de criar.

Aconselho vivamente a consultar e apreciarem os quadros destes autores que são um marco histórico na pintura mundial.

Boa visão!

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