“Arte e alegria”, por Massimo Esposito

Foto: Pexels, Pixabay

Como sempre, leio e falo de arte com colegas e alunos. Ultimamente o tema é: arte é alegria? Ou beleza, harmonia? Ou ainda: deve chocar as pessoas que estão a ver as nossas obras? O que deveria fazer o artista? Assustar com colorações, imagens ou objectos ou transmitir a alegria de representar com cores e tintas o que a natureza nos dá ou algo que nos diverte o coração?

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Não nego que trabalhos de alguns artistas que mostram mágoas, dúvidas e às vezes pensamentos negativos são duma excelência clara, podemos falar de Paula Rego, Tarsilia Amaral, Georgia O´Keeffe, Dali, Picasso e muitos outros. O artista não é obrigado a pintar florzinhas e paisagens campestres com meninas a dançar… Ok!  Mas desde sempre procura a beleza e ao longo dos tempos, tanto se mudaram os gostos que acho nada mais se poder inventar. Já Salomão 3000 anos atrás dizia que “não há nada de novo abaixo do céu”. Mas com certeza os profissionais continuam a pesquisar, modificar e alterar. Uma ilustração pode ser que já tenha a receita original mas continuam a acrescentar ou a retirar ingredientes para os novos paladares.

Mas há limites. E porque digo isto? Por duas razões: A primeira é que, como “operário do pincel” a alegria de pintar e criar é espantosa e “alegra o coração”, depois de se ter entregue a tela branca e finalizado a obra, o artista sente-se feliz e completo. Não percebo como se pode encontrar alegria a expor bolsas de soro e de sangue e aparelhos ortopédicos, palmeiras enforcadas ou garrafas de cervejas partidas, não percebo mesmo.

A segunda razão é que se queremos chocar o visitante da nossa exposição ou o futuro cliente, o trabalho vai ser muito árduo. As pessoas vêm diariamente as notícias, jogam no computador guerras letais e cruéis, há grupos de pessoas que fazem coisas incríveis e medonhas e o artista quer chocar com as suas telinhas ou objectos do dia a dia? Não acredito, estamos socialmente saturados de imagens chocantes e barbaras, é muito difícil mexer no estado de apatia a imagens assustadoras que também os pré-adolescentes podem consultar.

Penso realmente que hoje o maior desafio é procurar e dar beleza e alegria com as nossas obras. Criar algo que sustente, pelo menos por um pouco, por um olhar, um estado de gáudio nos nossos dias ocupados com trabalho, trânsito, problemas familiares e muitos outros.

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Naturalmente esta é a minha visão, de quem vive e trabalha unicamente pela arte, outros poderão ter ideias diferentes e aceito-as, mas espero também que possam ter alegria no que fazem, se o fazem com o coração.

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