“Áreas protegidas com gente comprometida, um requisito de sustentabilidade!”, por José Alho

Em Portugal a riqueza das áreas, terrestres ou marinhas, que foram adquirindo o estatuto de protegidas e a sua diversidade devem-se à ocupação humana que as foi transformando ao longo de séculos.

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Ao longo dos anos as ações de estudo, conservação e divulgação fizeram emergir no país uma série de áreas ambientalmente interessantes, na maior parte dos casos, à revelia das comunidades humanas locais o que gerou conflitos e relações difíceis por falha do adequado enquadramento das populações nesses processos

Existem, no entanto, no nosso país experiências interessantes de esforços para assegurar este envolvimento, mas nem sempre é fácil apesar de estarem em causa oportunidades de futuro e de sustentabilidade para essas áreas de grande sensibilidade ambiental.

Nos tempos que correm estas áreas tem vindo também a assumir uma potencial dimensão estratégica, nomeadamente no domínio do turismo, que as coloca num papel de relevância na definição das políticas territoriais, nomeadamente à escala local.

Nesta linha aparecem, no panorama do país, alguns casos de conflitos de interesse que têm de ser ultrapassados num diálogo mais próximo com as populações e agentes de desenvolvimento local que não se conformam por verem os seus direitos limitados sem daí vislumbrarem vantagens para a sua qualidade de vida e para o seu desenvolvimento

A ideia chave é compreender o papel da componente humana e reflectir sobre o modo de a integrar na gestão dos recursos locais. Terá de passar pela criação de plataformas de interação que permitam um diálogo seguro e construtivo entre os actores chave que intervêm nestas áreas e na sua envolvente, reconhecendo a diversidade de perspectivas e construindo colectivamente soluções conjuntas.

Estas parcelas do nosso território constituem autênticas “jóias da coroa” e por isso oferecem uma série de janelas de oportunidade, que não se podem desperdiçar.

Uma abordagem mais comprometida com todos os intervenientes desses territórios ajudará a ultrapassar alguns erros do passado e servirá para trazer as comunidades locais para o centro do desafio da sustentabilidade de forma construtiva e responsável.

Em tempo de eleição das 7 Maravilhas Aldeias esta é uma reflexão alinhada com o foco que é dirigido a esses locais singulares.

Assim saibamos passar do simbolismo para as ações que conduzam a um desenvolvimento sustentável dessa rede de territórios diferenciados e de excelência patrimonial!

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José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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