“Antepasto”, por Armando Fernandes

Foto: Pixabay

Antes do salto a pés juntos no Novo Ano vou procurar apoios falados e manuseados no intuito de o sonhado salto sair perfeito, ou seja: preparar comeres coloridos, variados e pouco trabalhosos capazes de receberem aplausos do coração, da cabeça e do estômago lembrando o notável prosador, homem de muitas paixões e estômago delicado que foi Camilo Castelo Branco. O romance é sonata ácida de uma época recheada de mesuras, amorios, também de opíparas comidas baseadas no muito e na maestria das Mestras cozinheiras.

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Não querendo correr riscos sugeri como antecipação gastronómica do tanger das doze badaladas de despedida do velho ano um antepasto. Um antepasto? Sem irritações, essas desaguaram na burocracia judicial angolana, expliquei tratar-se de um conjunto de vitualhas servidas como a palavra dá a entender antes do pasto (refeição na língua das outrora esbeltas e oficiantes de sonhos dos rapazes meus coevos, entenda-se Silvana Mangano, Gina Lolobrigida e Sofia Loren). O leitor mais novo não teve a desdita da falta da Internet, tem agora a sorte de revisitar as ditas Senhoras e aquilatará acerca da sua eclatante beleza.

E o antepasto? Trata-se de uma soma de prazeres palatais ou assim considerados por quem os arranja e concebe, sendo servidos em pratinhos onde estão irmanados no mesmo propósito – colocar os sentidos em sentido – no intuito de a noite de ultrapassagem do ano constituir um longo momento de alegria capaz de perdurar na memória dos convivas. É um conjunto de acepipes que podem incluir presunto de boa qualidade com figos frescos, legumes crus condimentados com um molho de queijo fundido, peixes fumados, frutos do mar rodeados de gomos de limão, salsichas finas, cogumelos em salada, rodelas de enchidos, palitos de queijo de várias proveniências e sabores. Azeitonas recheadas ornamentam a acicatam o paladar. Para beber?

Se os leitores não forem abstémios podem (devem diz o Demo tentador) beberem espumantes brutos, se cós e conforme as possibilidades de cada um. Correndo o risco de cometer deploráveis omissões para a celebração elejo os cativantes: Oculto da Quinta do Arrobe, Monde da Quinta do Casal Branco e o rosé da Quinta da Lagoalva, todos da chancela TEJO.

Já me aconteceu refeiçoar degustando os preliminares ou seja os antepastos dada a sua substância e multiplicidade cromática a agradar aos olhos, primacialmente a conceder satisfação ao estômago, órgão situado a seguir ao diafragma, no entanto, ao contrário de Camilo, para muitos ocupa posição paralela ao cérebro. O provérbio recorda: quem não trabuca, não manduca, o estômago responde ao contrário – quem não manduca, não trabuca – e… estou inclinado a dar-lhe razão.

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Para os fazedores do Médio Tejo, para os seus leitores formulo votos de boas entradas e Ano Novo pejado de prosperidades.

PS: Outras beldades e outras comidas italianas, penso recordar, a seu tempo, sopesadamente, não quero ser responsabilizado por congestões…

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