Alcanena | Uma cerveja artesanal alusiva à “Capital da Pele” vai entrar no mercado (c/vídeo)

Chama-se “A Fina da Aldeia”, tem produção artesanal sediada na Louriceira, concelho de Alcanena, e traz a particularidade do seu rótulo ser feito a partir de desperdícios de curtume. A equipa tem outras ideias em desenvolvimento, com um “pack” todo ele feito em pele. Uma aposta de marketing em torno da origem desta cerveja artesanal, a “Alcanena – Capital da Pele”, que pretende ir ao encontro do mercado turístico e gourmet. Com a legalização recentemente concluída, o casal de empreendedores, Inês Caetano e Miguel Correia, quer agora dar passos certeiros no sentido da sua afirmação num setor atualmente bastante na moda e com cada vez mais concorrência das cervejas artesanais.

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É apenas quando chegamos ao ponto de encontro para a entrevista que nos apercebemos que já conhecemos a Inês e o Miguel de outras aventuras. Em julho de 2017 o jovem casal partiu para a Tanzânia, no objetivo de levar apoio a uma Organização Não Governamental (ONG), acabando pelo caminho por ajudar a equipar um orfanato. Atualmente, terminadas as respetivas formações superiores (ela em sociologia, ele em engenharia química), encontram-se a trabalhar em Lisboa. No currículo têm ainda os Dandi, uma banda musical alcanenense que integram há vários anos.

Foto: mediotejo.net

Empreendedores e dinâmicos, Inês e Miguel não param de criar novos projetos. Em 2015 começaram a fazer as primeiras experiências em torno do conceito da cerveja artesanal, tendo decidido fundar uma empresa própria em 2017. O processo de certificação foi demorado e só recentemente conseguiram ter todos os documentos necessários em dia. Pelo caminho venceram, a nível da fase local, o projeto “Tourism Up”, tendo apresentado a marca “A Fina da Aldeia” no evento nacional.

Cunhagem dos rótulos em pele é feito numa antiga fábrica de curtumes em Alcanena Fotos: mediotejo.net

Com um sabor mais característico e forte que as cervejas tradicionais massificadas, as cervejas artesanais têm feito um percurso de implementação gradual no mercado nacional. Inês e Miguel sabem que a competição é atualmente feroz, pelo que a aposta tem-se focado num “produto gourmet”, que pretendem ver comercializado em bares específicos e lojas de produtos regionais, como o setor turístico de Lisboa.

O próprio design do produto foi concebido neste âmbito, para que seja único e tenha uma marca inconfundível da sua proveniência, neste caso “Alcanena – Capital da Pele”. As garrafas são reutilizáveis e o rótulo em pele chama de imediato à atenção, não só pelo toque suave do produto mas também pelo cheiro particular que emana. Com família ligada aos curtumes, o casal usa restos de pele que não têm condições para usar usados na indústria do calçado, por defeito por exemplo, e utilizam na cunhagem da marca, reutilizando assim o desperdício.

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O resultado é uma cerveja artesanal que adquire valor não só pela sua confeção própria – um processo que leva cerca de mês e meio a ficar concluído, explica Miguel – mas também por todo o investimento no produto final. “As pessoas adoram tocar no rótulo”, salienta Miguel, “é diferente, é um despertar dos sentidos. Mesmo a tampa, quando abre, faz um estalido que desperta a audição”, assemelhando-se como que à abertura duma garrafa de champanhe.

A equipa tem ainda em desenvolvimento um “pack” todo ele feito em pele, com um copo em vidro associado à mesma marca. A cerveja, que é um produto alimentar, transforma-se assim num produto turístico, como o próprio casal admite, oferecendo a Alcanena, que vive essencialmente de um mercado grossista, um conceito ao nível do retalho ou do consumidor final com potencial para transformar-se numa imagem de marca e que traga mais valias para o próprio concelho.

“Vamos andando aos poucos”, comenta Inês quando questionada sobre projetos futuros. “Somos novos, acabámos de nos formar. Temos ambição, mas também precaução”, continua Miguel.

Garrafas reutilizáveis, logótipo e pack em pele transformam cerveja artesanal num produto com o cunho de Alcanena Foto: mediotejo.net

Começa assim a aventura de “A Fina da Aldeia”, esse “fino” no feminino produzido na aldeia da Louriceira e que fará os possíveis por manter este cunho rústico, local e artesanal, fruto da mente criativa de dois jovens músicos empreendedores, com vontade de abraçar o mundo.

No meio da conversa, adiantam, referem que esperam voltar à Tanzânia, ajudar o orfanato a construir a cozinha de que tanto precisa e até levar mais pessoas para apoiar a causa.

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