Alcanena | Oposição critica executivo PS por problemas com industriais de curtumes

Deputado Rui Anastácio considerou que o executivo socialista não tem agido da melhor forma no processo de criação da empresa municipal Aquanena Foto: mediotejo.net

*notícia alterada às 19h23 de 2 de maio de 2019

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Na sessão de Assembleia Municipal de Alcanena de segunda-feira, 29 de abril, o líder da bancada dos Cidadãos por Alcanena, Rui Anastácio, deixou duras críticas ao executivo socialista pela forma como tem conduzido o processo de criação da empresa municipal de gestão de águas e saneamento AQUANENA e respetiva cessação do contrato à AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena.

Para o deputado, a atitude “arrogante” e “pouco dialogante” do município vai trazer problemas a longo prazo, que não estão a ser acautelados. Em substituição da presidente Fernanda Asseiceira, ausente, o vereador Hugo Santarém (PS) afirmou que tudo foi feito nos dois últimos anos para encontrar um consenso com os industriais de curtumes, defendendo que ainda não é tarde para se chegar a um entendimento.

Discutia-se a escolha do deputado Joaquim Gomes (PS) como representante da Assembleia Municipal no conselho consultivo da AQUANENA, quando Rui Anastácio comentou que tanto a APIC – Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes como a AUSTRA haviam recusado integrar o órgão.

Para o líder de bancada do maior grupo da oposição, a culpa do mau estar com os industriais de curtumes deve-se à forma como tem sido gerido o processo de cessação do contrato de gestão da ETAR de Alcanena à AUSTRA, transitando para a AQUANENA (medida, recorde-se, recomendada pela entidade nacional reguladora, a ERSAR, que considerou o modelo atual “atípico”), o qual definiu como “arrogante” e “pouco dialogante”. “A coisa não vai correr bem”, alertou o deputado, considerando que o executivo socialista age de costas voltadas para o setor.

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A intervenção de Rui Anastácio foi contestada por vários elementos da bancada PS, tendo o deputado Joaquim Gomes lembrado que a AUSTRA se encontra a trabalhar atualmente fora do enquadramento legal, razão pela qual o município avançou com a criação da AQUANENA.

Em substituição de Fernanda Asseiceira, Hugo Santarém não concordou com as afirmações de falta de sentido democrático de Rui Anastácio, lembrando que o processo de negociação com os industriais de curtumes se alongou por mais dois anos e de “forma insistente”. Não havendo ainda consenso, admitiu, o processo porém não se encontra encerrado e pode ainda chegar-se a entendimento, notou.

“Estamos, sim, do lado dos empresários, porque acreditamos que esta é a melhor solução que os defende”, assim como à totalidade do município, argumentou, lembrando que as questões ambientais são importantes para o próprio negócio dos curtumes. “Achamos que é a melhor forma de assegurar um bom serviço a todos”.

Tornando a intervir, Rui Anastácio admitiu que não concorda com todos os argumentos dos empresários, mas reiterou a sua preocupação por a APIC e a AUSTRA se estarem a afastar da nova entidade gestora do saneamento.

De recordar que um dos temas que têm oposto os industriais de curtumes à Câmara de Alcanena é a aplicação na ETAR de Alcanena dos Valores Limite de Emissão (VLE) das descargas mediante o estipulado pela lei, que se encontra nos níveis de uma ETAR doméstica.

Sendo esta uma indústria bastante química, o setor, representado pela AUSTRA, negociou ao longo dos anos valores de emissão mais elevados, caminho que, aparentemente, não quer ser mantido pelo município, que no passado recente lidou com várias queixas de poluição. A indústria teme porém a necessidade de avançar com investimentos próprios e a perda de competitividade internacional.

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