Alcanena | O ‘ponto negro’ da estrada que roubou a vida a um peregrino a caminho de Fátima (ATUALIZADA)

O presidente da Junta de Moitas Vendas no local do acidente mortal deste 20 de maio. Na freguesia encontram-se muitos peregrinos que chegam de Sul a caminho de Fátima. Foto: mediotejo.net

A população da aldeia de Moitas Venda, em Alcanena, acordou em choque na manhã deste domingo, 20 de maio. A localidade dista cerca de 20 quilómetros do Santuário de Fátima e é o ponto de encontro de vários grupos de peregrinos que chegam de sul. Um morto e cinco feridos, um deles com gravidade, é o balanço de um atropelamento e fuga ocorrido por volta das 5 da madrugada.

A jovem que conduzia o carro foi detida pela GNR e internada compulsivamente no Hospital de Torres Novas, após novo despiste nas portagens entre a A1 e a A23. 

A condutora do veículo está “fortemente indiciada” pela prática dos crimes de homicídio negligente, ofensas à integridade física por negligência, condução perigosa e omissão de auxílio. É o primeiro caso de mortes de peregrinos registado no concelho de Alcanena. 

O alerta foi dado pelas 05h20, segundo avançou ao mediotejo.net o comandante dos Bombeiros Municipais de Alcanena, Jorge Frazão. O grupo de seis pessoas de Muge, concelho de Salvaterra de Magos, havia pernoitado no quartel dos Bombeiros e teria partido há cerca de uma hora, tratando-se sobretudo de pessoas de meia idade, embora seguisse também uma senhora com 80 anos, referiu. Perto da entrada de Moitas Venda (poucos metros antes da placa identificativa da localidade), na zona de uma curva, o grupo, que vinha do lado correto da estrada, foi abalroado por trás, por um veículo que terá saído da sua faixa.

A vítima mortal, o professor Álvaro Mayer, entrou em paragem cardíaca, tendo sido declarada a sua morte no local. As restantes cinco pessoas também ficaram feridas, e a senhora de 80 anos é a que apresenta um quadro de maior gravidade. Foram todos transportados para os hospitais de Santarém e de Leiria. Quando se deu o acidente, o carro de apoio a estes peregrinos seguia um pouco mais à frente, com vários familiares das vítimas. Acabariam por regressar ao quartel dos Bombeiros onde pernoitaram, para receberem apoio psicológico.

PUB

“Aquilo era um cenário dantesco”, confessou o comandante Jorge Frazão. Os trabalhos no local ficaram concluídos pelas 07h30/08h00, não havendo já vestígios do acidente no local, onde o mediotejo.net esteve ao início da tarde, com o presidente da junta de Moitas Venda, Álvaro Gonçalves. A zona é isolada, fora da localidade e quase sem moradias, num troço da Serra de Aire e Candeeiros que desce em curvas e contracurvas apertadas até Vila Moreira.

A automobilista vinha de Alcanena e abalroou por trás os peregrinos, fugindo em seguida. Nas portagens da A1 despistou-se, tendo sido detida e internada na psiquiatria do Hospital de Torres Novas. Foto: mediotejo.net

Segundo o autarca, este troço da EN365, estreito e sem passeios, causa bastantes “sustos”, também devido a alguma falta de precaução dos peregrinos, considera. Mas uma particularidade do local do acidente, conforme constatado pelo mediotejo.net junto do autarca, é a tendência dos carros fazerem a curva no centro da via, desviando-se da sua mão.

“Nas Moitas Venda encontram-se muito peregrinos que vêm do Sul”, adiantou Álvaro Gonçalves. “São milhares largos de peregrinos” que por aqui circulam todos os anos.

As bermas são praticamente inexistentes, obrigando os peregrinos a caminharem em fila indiana, na berma da via alcatroada. Neste momento, as ervas e mato em redor até tinham sido recentemente aparadas, permitindo algum desvio de segurança para os peregrinos. 

Para a presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, o acidente desta madrugada tratou-se sobretudo do descontrolo de um condutor, que se teria verificado mesmo que houvesse um passeio no local em causa. Dentro das manchas urbanas há passeios, frisa Fernanda Asseiceira, lembrando também que o município investiu há poucos anos em pedovias que oferecem mais segurança ao trânsito de peregrinos a Fátima, sendo a mais conhecida entre Minde e Vale Alto (última localidade junto à freguesia de Fátima), no contexto do anterior programa de fundos comunitários.

A presidente salienta os elogios que a autarquia tem recebido pelo esforço de sinalização e segurança. “Não significa que não tenhamos intenções de continuar”, frisou. Porém, o Portugal 2020 não incluía apoios na reabilitação de estradas e só os dois troços requalificados com pedovias, recorda, representaram um investimento de três milhões de euros.

“O que está aqui em causa é a condução inapropriada. É de lamentar o que aconteceu. Fiquei desolada”, confessou Fernanda Asseiceira, confirmando também ser este o primeiro acidente mortal com peregrinos a registar no concelho de Alcanena.

Numa conferência de imprensa com o Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, devido à sua nomeação para Cardeal, face a uma questão do mediotejo.net sobre o caso e o que poderá ser feito mediante a sua nova posição, o responsável lembrou o trabalho já desenvolvido junto dos municípios do Norte para organizar os caminhos de Fátima e garantir mais segurança nas estradas. Mas, salientou, “às vezes também não é só da parte dos peregrinos” que tem de haver mais cuidados, “mas de quem conduz e da atenção que se presta”.

Condutora que atropelou peregrinos indiciada por homicídio negligente e omissão de auxílio

A condutora do veículo que atropelou no domingo, em Alcanena, um grupo de peregrinos, um deles mortalmente, está “fortemente indiciada” pela prática dos crimes de homicídio negligente, ofensas à integridade física por negligência, condução perigosa e omissão de auxílio.

Em comunicado, a Procuradoria do Ministério Público da Comarca de Santarém afirma que a mulher, “com cerca de 26 anos”, ouvida hoje em primeiro interrogatório no Tribunal de Instrução de Santarém, fica obrigada a apresentação semanal no posto policial da sua residência e proibida de se ausentar da povoação onde reside, com exceção da deslocação ao local de trabalho ou estabelecimento de saúde para tratamento.

Ficou ainda proibida de contactar, por qualquer meio, com pessoas ligadas ao consumo ou tráfico de estupefacientes, e de condução de veículos motorizados, tendo sido determinado que, no prazo de três dias, entregue a sua carta de condução ou documento que a substitua, a qual ficará apreendida à ordem do inquérito, afirma o comunicado.

O MP afirma que foi atendido o seu pedido de aplicação de medidas de coação adicionais ao termo de identidade e residência dados os “perigos de continuação de atividade criminosa e de perturbação da ordem e tranquilidade públicas”.

Ao todo, a arguida fica indiciada pela prática de oito crimes – um crime de homicídio negligente, cinco crimes de ofensas à integridade física por negligência, um crime de condução perigosa de veículo rodoviário e um crime de omissão de auxílio.

A investigação prosseguirá no inquérito a tramitar pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Torres Novas, acrescenta.

A mulher, detida domingo pela GNR no nó de acesso da A23 com a A1, depois do atropelamento seguido de fuga, foi levada, após a detenção, para o serviço de psiquiatria do Hospital de Tomar, pertencente ao Centro Hospitalar do Médio Tejo, confirmou à Lusa fonte desta unidade de saúde.

Segundo a GNR, no momento da detenção, a mulher apresentava “problemas do foro psicológico”, mostrando-se “visivelmente alterada”.

O atropelamento, ocorrido cerca das 05:00 de domingo na EN 365, em Moitas Venda, Alcanena, fez uma vítima mortal, um homem de 59 anos, e feriu cinco pessoas, uma das quais em estado grave.

O grupo de peregrinos, com idades entre os 20 e os 65 anos, seguia em direção a Fátima, segundo informação da GNR.

A vítima grave, inicialmente transportada para o Hospital de Santo André, em Leiria, acabou por ser transferida em “estado crítico” para Coimbra.

C/LUSA

PUB
PUB

1 COMENTÁRIO

  1. “Para a presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, o acidente desta madrugada tratou-se sobretudo do descontrolo de um condutor” PARA ESTA PRESIDENTE TUDO EM ALCANENA É DESCONTROLO DO CONDUTOR mas que eu saiba todos pagamos impostos para circular nas estradas e condições para tal não há, é preferível, fechar as estradas do que arranjar como acontece na Gouxaria com a ponte… gastar nas decorações de rotundas e comemorações fúteis e arranjar estacionamentos que nem uma vala têm, investir em colunas de publicidade a ocupar os passeios perdestes a cada meia dúzia de metros (ainda não os contei mas só em Alcanena devem de ser uns 10), até só colocaram paragens novas onde acharam que essas colunas (já agarradas a paragem) eram bem visíveis, porque as outras que estão a cair de podre não as renovaram. Se eu soubesse o que sei hoje bem que deveria era ter accionado o seguro e ter ido pra tribunal pra ver quem tinha razão. Mas o meu marido vai fazê-lo, logo que levante o auto da policia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here