Alcanena | Industriais têm até junho para implementar medidas de redução de odores

coberturas de tanques de dessulfuração Foto: imagens do relatório técnico do CTIC

* retificado às 10h05 de 15 de dezembro de 2017

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Um novo relatório técnico do CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, solicitado pela AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena, apresenta instruções para que as unidades industriais de curtumes reduzam/eliminem a produção de gases que possam contaminar as águas residuais e a atmosfera. O documento foi distribuído pelas empresas que têm a fase de Ribeira e de Caleiro, informa nota informativa da Câmara Municipal de Alcanena, sendo que o documento tem prazos definidos de implementação destes medidas, a culminar em *junho de 2018.

O texto intitula-se “Medidas a Implementar para Minimizar Situações de Proliferação de Odores nas Unidade Industriais – Relatório Técnico” e foi aprovado pelo conselho de administração da AUSTRA de 30 de novembro. Na sua introdução é referido que “os recentes desenvolvimentos motivados pelos odores que se têm sentido em Alcanena, têm
motivado uma reflexão por parte dos industriais, das suas estruturas de gestão e do Município de Alcanena, no que respeita à utilização das melhores tecnologias disponíveis nas unidades industriais, à forma como é realizado o pré-tratamento das águas residuais e ao funcionamento da ETAR e dos aterros”.

“É do conhecimento comum que as unidades de curtumes, com especial relevância para as que processam a pele em bruto, são geradoras de odores característicos que podem ser originados por substâncias como gás sulfídrico, mercaptanos, amónia, subprodutos aminados e outros gerados pelas reações de decomposição da matéria orgânica, como ácidos gordos voláteis. Esta situação é mais sensível quando as instalações se inserem em meio urbano, como é o caso em Alcanena”, continua o relatório. Para além do mau cheiro, estas substância podem “causar problemas de corrosão nos órgãos e equipamentos eletromecânicos e problemas no tratamento realizado na ETAR, com consumo adicional de oxigénio para reposição do potencial redox”, refere.

Sendo que “é fundamental conseguir um bom funcionamento dos órgãos e equipamentos e garantir que águas residuais tenham as características adequadas à sua descarga na rede de coletores, cumprindo os requisitos definidos no Regulamento de do Sistema de Águas Residuais de Alcanena”, o CTIC propõe um conjunto de medidas que visam melhorar “as condições de descarga das águas residuais” e a redução dos maus cheiros.

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O documento possui várias medidas de índole técnica. Quanto às medidas para redução de odores, o texto sugere a “cobertura dos tanques de dessulfuração e tratamento dos gases”. Esta cobertura deverá “ser amovível de forma a permitir a lavagem dos tanques após utilização e o material a utilizar deverá ser resistente ao potencial ambiente corrosivo existente. Por outro lado, deverá prever a recolha e tratamento dos gases gerados durante o processo de oxidação catalítica dos sulfuretos e respetivas lavagens”. Há várias soluções de cobertura para os industriais, pelo que o CTIC aconselha a que se estude cada caso com os fornecedores.

“Deverá ser implementado um sistema de recolha e tratamento dos gases gerados na dessulfuração”, frisa. Também aqui existem diferentes soluções para os industriais dos curtumes, devendo ser adaptadas caso a caso. “No entanto, face ao conhecimento existente e à tipologia dos gases a tratar, é mais indicada a desodorização por lavagem química”, indica.

O documento aconselha a otimizar o processo de dessulfuração, sendo que “as águas residuais originárias das operações de caleiro e respetivas lavagens devem ser separadas
e encaminhadas para os tanques de dessulfuração, devendo os mesmos ter a capacidade disponível para garantir o tratamento de todas as águas geradas”. São de seguida enunciados os métodos mais indicados para este efeito.

O CTIC aponta ainda a necessidade de  implementar um sistema de desengorduramento efetivo, dada a preocupação da AUSTRA com a quantidade de gordura que chega à entrada da ETAR. “A quantidade de gorduras presente nas águas residuais pode representar uma percentagem significativa da carência química de oxigénio total afluente à ETAR, sendo fundamental a sua remoção, se possível, junto à fonte”, refere. Sugere-se também a implementação de um sistema filtração com malha mais apertada à saída da UPI.

No geral, estas medidas deverão ser implementadas, afirma o documento, até ao limite de 30 de junho de 2018, com posterior fiscalização da AUSTRA. A cobertura dos tanques de dessulfuração, por exemplo, têm data limite de 30 de abril de 2018.

O CTIC termina o seu relatório referindo que ficou de realizar um estudo sobre a implementação das MTD’s – Melhores Técnicas Disponíveis nas empresas de curtumes. “Este trabalho já foi iniciado com a elaboração de um inquérito às empresas, que vai permitir colher informação que suportará as ações a desenvolver posteriormente”, afirma.

 

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3 COMENTÁRIOS

  1. O calendário preconizado no Relatório Técnico é:
    – Otimizar o processo de dessulfuração, incluindo a medição de redox Até 31/01/2018
    – Cobertura dos tanques de dessulfuração e tratamento dos gases Até 30/04/2018
    – Implementar um sistema de desengorduramento efetivo Até 30/06/2018
    – Implementar um sistema filtração com malha mais apertada à saída da UPI Até 30/06/2018

    Assim, não percebo onde é que foram buscar Agosto…

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