Alcanena/ExpoPele | Sintéticos, tendências vegan e Brexit afetam mercado do couro

ExpoPele 2019 Foto: mediotejo.net

O cluster do couro sofreu no último ano um abrandamento, depois de um período longo de crescimento. Segundo Nuno Carvalho, presidente da APIC – Associação Portuguesa de Industriais de Curtume, este ciclo adverso deve-se a um conjunto de fatores, apontando o impacto dos sintéticos no setor, as novas tendências de consumo (nomeadamente as vegan) e as incertezas relativas ao Brexit. No entanto, refletiu, “estamos convencidos que é um abrandamento cíclico”.

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Nuno Carvalho abriu as conferências da tarde no primeiro dia da ExpoPele, quinta-feira, 11 de abril, com uma intervenção sobre a “Visão 2030” para a indústria. Segundo o responsável, atualmente 40% do couro destina-se a exportação, sendo que destes 60% é por via indireta, através do calçado. Será graças às peles de Alcanena, defendeu, que o setor do calçado tem a sua força, frisando um volume de negócios local na ordem de 400 milhões e que é responsável por 60% do PIB do concelho.

O mercado do couro abrandou em 2018, mas o presidente da APIC considera que se trata de um ciclo que será ultrapassado. A utilização dos sintéticos em substituição do couro e as tendências da moda, em particular a vegan, estarão por detrás desta quebra, assim como a instabilidade gerada pela indecisão em torno da saída do Reino Unido da União Europeia.

O futuro, defendeu, passa por uma aposta em mais legislação, nacional e europeia, que certifique a autenticidade do couro; o desenvolvimento da economia circular, criando sustentabilidade e a diminuição da pegada de carbono mediante o reaproveitamento de resíduos; e a competitividade, num momento em que Portugal se afirma, a seguir a Itália, como produtor de peles acabadas. “Reunimos condições de excelência em Alcanena para criar um cluster do couro europeu”, afirmou.

Para atingir estes objetivos, continuou, é necessário fortalecer a presença internacional, nomeadamente em feiras e exportações, mantendo a proximidade à indústria da moda e aos clusters do calçado e da marroquinaria. Nuno Carvalho defendeu ainda a aposta na indústria 4.0 e em mais formação de recursos humanos, com ligação a Universidades e Centros Tecnológicos, entre outros. Por fim, frisou a “necessidade” de alterar a legislação dos valores limite de emissão (VLE) relativos às descargas de efluentes da indústria de curtumes, por forma a que o setor consiga competir a nível europeu.

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Na mesma linha, mas focado no calçado, o diretor geral da APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos, João Maia, deixou um panorama de vários desafios para o setor. A produção de calçado encontra-se hoje maioritariamente na Ásia, sobretudo na China, que produz de forma massificada a grande maioria do calçado global. Portugal cresceu cerca de 50% no setor nos últimos 30 anos, encontrando-se à frente da França, mas apostando num produto de grande qualidade.

Internacionalizar e comunicar, qualificar e rejuvenescer, inovar, foram as palavras chave deixadas por João Maia aos presentes, apelando à participação nas feiras internacionais.

No seguimento do debate que se gerou sobre estes temas, foi mencionado a necessidade do cluster do couro procurar novos nichos de investimento, diversificar mercados, salientando-se oportunidades no setor dos vinhos ou da ourivesaria.

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