Alcanena/ExpoPele | Curtumes querem transformar resíduos em energia e reaproveitar água

Carlos Martinho deu a conhecer alguns projetos em desenvolvimento para o aproveitamento de resíduos Foto: mediotejo.net

A conferência sobre “Economia Circular e Sustentabilidade” na ExpoPele, na quinta-feira, 11 de abril, foi o painel que reuniu mais intervenções no primeiro dia de trabalhos do certame. Conforme salientou Jaime Braga, da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), a “batalha da economia circular” é o último grande desafio que o setor dos curtumes enfrenta, depois de vencidas as batalhas do design, da internacionalização, da energia e da crise financeira.

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Num momento em que “é preciso pensar tudo de novo”, a indústria tem já uma panóplia de soluções em desenvolvimento. Transformar as lamas e as raspas azuis em energia, tornando a ETAR de Alcanena autosustentável, é a proposta que aparenta estar mais avançada.

A necessidade das empresas trabalharem em conjunto, num universo cada vez mais exigente e competitivo, foi a mensagem que Jaime Braga, como moderador, foi deixando a cada intervenção no painel da “Economia Circular e Sustentabilidade”. O artista João de Carvalho fez um exposição sobre a história da pele e José Sevilla, da empresa espanhola ECOCUADRADO, apresentou os benefícios do reaproveitamento de resíduos.

No que toca a Alcanena, a intervenção mais significativa foi a do gestor da AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena, Carlos Martinho, que deu a conhecer aos presentes alguns projetos em curso para o reaproveitamente dos resíduos provenientes da indústria de curtumes. Neste âmbito, o projeto mais adiantado é o de produção de energia com recurso às raspas azuis e às lamas da ETAR de Alcanena, o qual foi alvo de uma candidatura ao Portugal 2020.

A ETAR tem custos de cerca de 1 milhão de euros em energia elétrica, pelo que, se a candidatura for aprovada e se se conseguir construir o sistema, o equipamento poderá tornar-se autosustentável, explicou. Reaproveitar as raspas verdes está também entre os planos do setor, apontando-se aplicações ao nível dos fertilizantes e inertes.

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Outro projeto em vista, mas ainda na base das ideias, é a possibilidade de reaproveitar 20% do caudal que é libertado atualmente para o meio hídrico, depois de tratamento na ETAR. Segundo Carlos Martinho, esta água pode ser utilizada no primeiro banho de curtimenta, possibilitando assim o reaproveitamento de um dos recursos mais utilizados no processo.

Este projeto final foi saudado por Carlos Castro, da Agência Portuguesa de Ambiente, que abordou a importância da preservação dos recursos hídricos e sua reutilização adequada.

“Diria que a conclusão deste painel é um apela à conjugação de esforços”, para a que a indústria de curtumes possa sobreviver, concluiria Jaime Braga.

 

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