Alcanena | “Depois de cegar a minha vida mudou para melhor” – Jorge Pina

O exemplo do desportista Jorge Pina encerrou a apresentação do seminário de "Atividade Física e Nutrição" do ACES Médio Tejo Foto: mediotejo.net

O atleta paralímpico Jorge Pina foi o convidado especial da sessão de abertura das VI Jornadas do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, sob o tema “Atividade Física e Nutrição – A Chave da Solução”, que decorreu na quinta-feira, 7 de fevereiro, em Alcanena. Jorge Pina falou de desporto e das mudanças que a sua vida sofreu depois de ter um descolamento da retina, acabando por cegar. A sua intervenção abriu com espírito positivo os dois dias da sessão de de trabalhos.

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A subida de Jorge Pina ao palco deu-se depois das intervenções oficiais, focadas na importância que as temáticas da nutrição e do exercício físico têm atualmente, nomeadamente no combate ao problema da obesidade, em particular a infantil. “Acho que está na altura de darmos o salto, de sairmos do ciclo de curar a doença e apostar na prevenção”, defendeu a coordenadora do ACES Médio Tejo, Sofia Theriaga.

Presente na sessão, o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, referiu que “enfrentamos uma verdadeira epidemia de obesidade”, assim como um crescimento nas diabetes, lembrando que o Plano Regional de Saúde tem precisamente o controlo da prevalência da obesidade como um dos seus objetivos.

Apelaria, assim, à conjugação de esforços com associações e municípios, para que se aproveitem as iniciativas desportivas destes para combater o sedentarismo da população.

Interveio ainda a presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, deixando também um apelo aos médicos para que estimulem os utentes a participar nas atividades desportivas dos municípios, que vêm perdendo alguma adesão.

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Foi então o momento de Jorge Pina, que abordou não tanto o desporto ou sequer a nutrição, mas a sua experiência de superação. Com uma infância marcada pela delinquência e uma carreira como pugilista no Sporting, a vida do atleta mudou quando começou a ficar cego do olho esquerdo. As sucessivas operações não lhe resolveram o problema, que acabaria por afetar-lhe também o olho direito. Jorge Pina, porém, não desistiu, enveredando pela corrida, criando associações desportivas focadas nos jovens, e participando já em várias edições dos Jogos Paralímpicos.

A cegueira não foi portanto o fim, mas o início de uma nova etapa. “Alguma coisa se transformou, comecei a ver de outra forma”, recordou para a plateia do Cine-teatro São Pedro, que reuniu cerca de 300 pessoas. “Podia-me ter revoltado, mas tive capacidade de aceitar e não culpar os médicos. Mas não quis ser um coitadinho. Comecei a pensar: eu só vejo mal, há quem não possa viver. Hoje vejo melhor que quando tinha dois olhos. Hoje sou mais feliz”.

Neste percurso, “o desporto sempre esteve comigo”, procurando através dele ajudar outras pessoas. “A minha religião é o amor pela humanidade”, afirmou, “encontrei a minha missão, que é ajudar os outros”.

Foi neste sentido que se envolveu em projetos de atletismo adaptado e de apoio a jovens em risco. “O desporto é importante para a inclusão social. Mas eu não quero ensinar aos jovens só desporto, mas valores”, referiu, “quero que sejam campeões na vida”.

Jorge Pina defendeu ainda a importância do desporto ao nível mental, nomeadamente no combate à depressão.

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