Alcanena | Curtumes preparam investimento em unidade de reaproveitamento de raspas verdes

CTIC foi a primeira paragem da Secretária de Estado da Indústria após a receção na Câmara Municipal Foto: mediotejo.net

Deverá entrar brevemente na Câmara de Alcanena um pedido prévio de licenciamento para uma unidade de reaproveitamento energético de alguns resíduos provenientes da indústria dos curtumes, tradicionalmente enterrados, as raspas verdes. A informação foi avançada pelo diretor geral do Centro Tecnológico das Indústrias do Couro (CTIC), Alcino Martinho, no decorrer de uma visita da secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehman, à indústria de curtumes de Alcanena na sexta-feira, 14 de setembro. Frisando que os projetos de reaproveitamento de resíduos são bem-vindos, a presidente da Câmara, Fernanda Asseiceira (PS), comentaria posteriormente que só pecam por tardios.

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Será, pelo menos à primeira vista, um primeiro passo para resolver alguns dos problemas de âmbito ambiental que persistem no concelho de Alcanena. Segundo explicou Alcino Martinho ao mediotejo.net, as “raspas verdes” são um dos resíduos da indústria de curtumes, os não curtidos e biodegradáveis, que tradicionalmente vão para aterro. O projeto que vai entrar na Câmara Municipal prevê a construção de uma unidade junto à ETAR de Alcanena que faça o seu reaproveitamento para produção energética. “É um projeto nosso, que fomos beber a nível tecnológico a outros parceiros”, explicou.

Estamos no âmbito do que se designa por economia circular, ou seja, o reaproveitamento de todos os subprodutos industriais para consumo da própria indústria. Neste caso será para produção de energia.

Segundo adiantou também Alcino Martinho, será a própria AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena a financiar esta unidade (em princípio sem fundos comunitários), num investimento que se aproxima do milhão de euros. A energia produzida poderá ser usada na própria ETAR ou vender-se.

Há ainda um outro projeto, ainda em desenvolvimento, para também dar uma solução aos resíduos curtidos. Este porém ainda carece de estudo e está envolvido em alguma incerteza face ao futuro incerto da própria AUSTRA, comentou.

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Na visita à ETAR de Alcanena, já após a partida da secretária de Estado, Fernanda Asseiceira abordou brevemente a questão para a comitiva ainda presente, comentando que estes projetos que pensam a reutilização dos subprodutos da indústria, nomeadamente para fins energéticos, “são bem-vindos” e “só pecam por tardios”, salientando que estas são soluções que faziam falta há muitos anos.

1 COMENTÁRIO

  1. Antigamente, há mais de 50 anos, estas raspas “verdes”, aproveitavam-se para se fazer “grude”, um cola industrial, mas também como gordura para sabonetes e sabões. Tudo se aproveitava. Até a casca depois de curtir os couros, depois de seca ao sol nos casqueiros, servia como combustivel para as caldeiras das fábricas e para os fgões caseiros.

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