Alcanena | Couro Azul investe 10 milhões de euros no reforço da sua capacidade produtiva (c/vídeo)

O Primeiro-Ministro António Costa conheceu em 2018 o kit de pele que é vendido à Porsche pela Couro Azul Foto: mediotejo.net

A empresa de curtumes Couro Azul, em Alcanena, anunciou na sexta-feira que está a investir 10 milhões de euros na ampliação da zona de acabamento da pele e numa nova área de corte de couro, visando reforçar a capacidade produtiva para “fora do país”, segundo o presidente do conselho de administração do instituição.

PUB

Pedro Carvalho, presidente do conselho de administração da Couro Azul, empresa do Grupo Carvalhos e situada em Gouxaria, Alcanena, visitada na sexta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, disse que a nova área de corte se insere na estratégia de acrescentar valor à produção, sendo que 70% do couro é fornecido “em ‘kit’, como peça cortada”.

A necessidade de dar resposta aos clientes, entre os quais se encontram marcas de prestígio do setor automóvel, mas também da aeronáutica e da ferrovia, tinha obrigado já ao aluguer de um pavilhão com 5.000 metros quadrados, adiantou.

O primeiro-ministro na visita à Couro Azul, em Alcanena, qFoto: mediotejo.net

Concluídas as obras no próximo ano, o equipamento será transferido para a zona de produção da unidade principal, “para ganhar em termos de eficiência, de eficácia, para poder ganhar valor e aumentar a capacidade de corte, disse.

Com 530 funcionários e um volume de negócios que ronda os 70 milhões de euros, a Couro Azul exporta 87% da sua produção para 25 países, sublinhando Pedro Carvalho as condicionantes com que as empresas exportadoras se deparam, nomeadamente em termos logísticos e de licenciamento industrial.

PUB

Reconhecendo a existência de medidas de apoio à indústria, nomeadamente para a internacionalização e o refinanciamento, o empresário pediu “reformas de fundo” em áreas de interesse geral para a sociedade, “mas que condicionam o desenvolvimento empresarial”, como a Justiça, a burocracia, os custos de contexto e a escassez de trabalhadores, já não apenas de quadros intermédios, mas também de operadores não qualificados.

Em particular, lamentou que os empresários “não saibam quem os tutela em termos de licenciamento industrial” e que não sejam resolvidas questões de logística que afetam as empresas exportadoras.

“Deveria investir-se na ferrovia, nos portos, para facilitar o escoamento dos nossos produtos. Fruto do grande esforço empresarial conseguimos ser competitivos, mas depois, em questões logísticas, não podemos esquecer que estamos a uma ponta, longe do centro da Europa, onde estão os principais mercados”, salientou.

Volante pensado para carros autónomos com elementos embutidos no couro é a nova aposta da Couro Azul, que a está a apresentar aos parceiros Foto: mediotejo.net

Aos jornalistas o empresário não adiantou pormenores, mas avançou que se trata de investimento localmente na zona da Ásia Pacífico. A Couro Azul tem ainda um protótipo de um volante vocacionado para carros autónomos, com elementos embutidos no couro, que está neste momento a apresentar aos seus clientes.

O Primeiro Ministro, António Costa, e o Ministro do Ambiente, Pedro Siza, visitaram na manhã de sexta-feira a Couro Azul. Na sua intervenção, António Costa afirmou tratar-se de uma “homenagem às boas empresas”, que têm crescido e ajudado ao crescimento económico do país. “A Couro Azul foi uma Start Up em 1939”, comentou, que soube sempre apostar na “inovação” ao longo das suas várias gerações.

Alcanena | Primeiro Ministro visita Couro Azul. Intervenções oficiais após visita à fábrica

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 16 de Novembro de 2018

O Primeiro Ministro referiu em particular a conquista, em 1996, do primeiro concurso para fornecer os volantes da Volkswagen e, depois, os concursos da Volvo, tendo chegado igualmente à indústria aeronáutica e à ferrovia, tendo não só sobrevivido à crise do calçado que afetou o setor na década de 1980, mas conseguido crescer. Consideraria assim que a empresa “deve inspirar” as suas congéneres.

Já Pedro Carvalho lembrou os vários constrangimentos de que sofre o setor do couro, como a burocracia, o licenciamento industrial, a escassez de mão-de-obra qualificada ou de atração de investimento estrangeiro. Deixou ainda o alerta de que, a nível europeu, é necessário criar uma denominação do couro para garantir a sua autenticidade, face a outros produtos abusivos.

Será ainda necessário, afirmou, criar uma “estratégia de internacionalização do cluster nacional”, assim como uma aposta na investigação e desenvolvimento. A este respeito abordou que “deve ser garantido um modelo de gestão atual da ETAR de Alcanena”, por forma a conseguir-se responder ao impacto ambiental causado pela concentração do setor neste concelho e “salvaguardar o sustentabilidade do setor a nível internacional”.

Face à perspetiva cada vez mais próxima dos carros se tornarem autónomos, a Couro Azul apostou no desenvolvimento de um volante onde o couro continua a ter uma função Foto: mediotejo.net

A Couro Azul, continuou, insere-se atualmente na indústria de componentes de automóvel, área que tem tido um “crescimento excecional de 8% ano” e maioritariamente (mais de 80%) voltada para a exportação. Segundo mencionou, a indústria de componentes de automóvel representa um volume de negócios de 11 mil milhões de euros.

Pedro Carvalho alertou para a necessidade de se articular uma estratégia com o Governo nesta área, face às constantes mudanças de paradigma e dúvidas que o setor das componentes atravessa. Concluiria assim que “estamos a preparar o primeiro investimento produtivo fora do país” para “garantir a proximidade à carteira de fornecimento dos nossos clientes internacionais e levar para o mercado global a bandeira de Portugal”.

À comunicação social, o responsável referia que este investimento está ainda em desenvolvimento, mas que será na zona da “Ásia Pacífico”. Segundo explicou, é entendimento do setor de componentes que é necessário “diversificar”, abrindo-se a outros mercados além da Europa e colocando em outros países determinadas fases do processo.

A pele produzida na Europa é conhecida pela sua qualidade, afirmou, e quer-se aproveitar nichos de mercado que, não obstante a concorrência, ainda não possuam este conhecimento técnico. Ante uma nova tendência de protecionismo económico, constatou, “se não tivermos estabelecimentos, armazéns, e eventualmente uma parte da produção lá, não conseguimos entrar”.

António Costa conheceu o kit de pele que é vendido à Porsche Foto: mediotejo.met

A Couro Azul desenvolveu ainda um volante para veículos autónomos, embutindo os seus componentes no couro (sensores, aquecimento, iluminação, etc) e abrindo assim espaço à continuidade do mercado do couro na área dos componentes de automóvel. Segundo salientou, “os carros autónomos não é uma coisa tão distante assim”, havendo já projetos a ser desenvolvidos para aplicação dentro de poucos anos. “Temos tido uma receção muito boa”, afirmou.

C/LUSA

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here