Alcanena | Certificação e licenciamentos marcam visita da secretária da Indústria (c/vídeo)

Ana Teresa Lehman, secretária de Estado da Indústria, visitou Alcanena na sexta-feira, 14 de setembro, no intuito de conhecer localmente a realidade da indústria de curtumes do concelho. Da parte da presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira (PS), e do presidente da Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes (APIC), Nuno Carvalho, ficou a preocupação pela necessidade de certificar o couro, a fim de possuir-se uma marca de garantia de qualidade da pele e ser-se assim competitivo a nível internacional. Fernanda Asseiceira mostraria ainda a sua preocupação com a nova legislação para o licenciamento das indústrias de curtumes.

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A visita foi patrocinada pela deputada da Assembleia da República Idália Serrão (PS), que também compareceu, e contou com a presença de cerca de meia centena de representantes de instituições, clusters e empresas de alguma forma ligadas aos curtumes ou à atividade empresarial no geral. A grande comitiva que acompanhou a visita surpreendeu a própria Secretária de Estado da Indústria, que disso deu conta logo no início da sua intervenção.

Ana Teresa Lehman começou por reconhecer que um dos grandes desafios para as empresas a nível nacional, sobretudo para as pequenas e médias empresas, é a transição para a digitalização, nomeadamente a chamada indústria 4.0. A indústria do futuro, porém, “não pode esquecer as questões sociais”, defendeu, assim como olhar para as potencialidades da economia circular ao nível da sustentabilidade, aproveitando os resíduos com um recurso.

O discurso de Lehman sucedeu o de Fernanda Asseiceira, na receção que marcou o início da visita na Câmara de Alcanena. Recordando o trabalho que tem sido desenvolvido em torno da marca “Alcanena, capital da pele” e no licenciamento e regularização de unidades industriais, assim como da sustentabilidade, a autarca manifestou a sua preocupação com o Sistema da Indústria Responsável (SIR), que fez com que a indústria de curtumes passasse de Tipo 1 para Tipo 3, colocando o seu licenciamento, exemplificou, sensivelmente ao nível do de uma pastelaria.

“O que está aqui em causa é realmente termos em atenção a verdadeira tipologia e as verdadeiras características da indústria”, frisou, destacando que o município é a favor da facilitação dos processos, mas apontando esta ligeireza nos procedimentos. “Não há nada pior do que tratar da mesma maneira coisas que são completamente diferentes”, afirmou, comentando que não concorda com a alteração legislativa e apelando assim à reflexão.

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Fernanda Asseiceira abordaria ainda a preocupação do setor dos curtumes com a certificação, constatando que “não se pode chamar pele a um produto que não é pele”. A certificação é necessária “por uma questão de seriedade, respeito e transparência” para com os consumidores e “valorização do produto”, que também é uma forma de competitividade, comentou.

Este último tópico foi também abordado por Nuno Carvalho já na visita ao Centro Tecnológico das Indústrias do Couro (CTIC), ao afirmar que “todos os dias somos confrontados por clientes a pedir certificações”, tendo aumentado a exigência no setor. “Se não tivermos estas certificações não conseguimos vender”, constatou.

Ana Teresa Lehman visitou o CTIC, as empresas Couro Azul e Curtumes Ibéria e o ArtSpace João de Carvalho. Tendo a visita atrasado, a Secretária de Estado já não visitaria a ETAR de Alcanena, mas a comitiva fez um pequeno percurso de autocarro pelo espaço após a sua partida.

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