Alcanena | 105 anos com críticas mútuas e uma panorâmica sobre a gestão municipal

Oposição focou-se na falta de diversidade do setor industrial, mas executivo e socialistas têm uma ampla lista de investimentos realizados no concelho Foto: mediotejo.net

O concelho de Alcanena celebrou na quarta-feira, 8 de maio, os 105 anos da sua fundação. Na sessão solene estiveram presentes todas as forças políticas com assento na assembleia municipal, sendo que a maioria está com o PS, também eleito para o executivo camarário.

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Os discursos, como já em anos anteriores, variavam entre as críticas da oposição à falta de visão estratégica da gestão municipal e a enumeração das várias conquistas dos últimos anos ao nível de obras e investimentos no concelho da parte do executivo e da bancada socialista. Em confronto está a aparente falta de diversidade industrial do município e, por outro lado, todo o trabalho realizado ao nível da requalificação do edificado, apoios sociais e equilíbrio orçamental.

O primeiro a intervir foi o presidente da Assembleia Municipal de Alcanena, Silvestre Pereira (PS), que começou por evocar os fundadores do concelho, que no momento certo “souberam interpretar a vontade da população”. O autarca lembrou a história social e económica do território, com enfoque em variáveis como emprego, a demografia, a educação e a formação e o envelhecimento da população. Terminaria a enumerar os esforços do atual executivo socialista em prol do rigor orçamental, investimento em infraestruturas e a modernização administrativa, entre outros setores.

Seguiu a intervenção de Carla Pereira, deputada pela CDU, partido que apenas possui representação em assembleia municipal. A autarca começou por recordar o centenário da conquista das oito horas de trabalho pelos funcionários da indústria de curtumes do concelho, celebrado a 1 de maio. Considerou porém, de seguida, que ao fim de 105 anos o município se encontra “estagnado, empobrecido e envelhecido”.

Carla Pereira lembrou a revisão do Plano Diretor Municipal por concluir, a decadência do comércio no concelho, a escassez de transportes públicos e as preocupações em torno do resgate da concessão do sistema de saneamento à AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena, apontando uma “oligarquia instalada” nos órgãos dirigentes do município sem consideração pela pluralidade. Apontaria de seguida a estratégia da CDU para o concelho.

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A intervenção de João Pinto, vereador e representante do movimento Cidadãos por Alcanena, seguiu um pouco a mesma linha, criticando a “falta de visão, estratégia e planeamento” da gestão municipal, tendo em conta a posição em que se encontrava Alcanena aquando o 25 de abril ao nível da pujança económica e industrial. “Está na hora de termos um planeamento mais ambicioso”, defendeu.

Estas intervenções foram fortemente criticadas tanto pelo representante do PS, António Frazão Silva, presidente da junta de freguesia da União de Freguesias de Alcanena e Vila Moreira, como pela própria presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira (PS).

O primeiro frisou o trabalho do executivo camarário e salientou que o parque industrial existente no concelho está longe de ser só de curtumes, com outras empresas a instalarem-se e os terrenos equipados devidamente para que mais estruturas possam vir a funcionar.

Da parte de Fernanda Asseiceira ficou uma exaustiva enumeração de todos os projetos e programas que o atual executivo tem desenvolvido na última década, a redução acentuada da dívida municipal (atualmente abaixo dos 5 milhões de euros) e os investimentos em curso, na ordem dos 10 milhões de euros, apoiados por fundos europeus.

“O rumo foi bem definido”, constatou, “mas foi feito com pouco orçamento municipal e pouco pessoal”, frisando ainda que “deixamos obra realizada e paga”.

A presidente aproveitou ainda a oportunidade para avançar com alguns novos projetos em curso, como o cabaz sénior feliz, destinado a idosos em isolamento.

Fernanda Asseiceira defenderia ainda a posição do município relativa à nova empresa de gestão das águas e saneamento AQUANENA, lembrando que foi um processo iniciado a partir de um parecer da ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, que vai substituir-se à AUSTRA.

“É um orgulho ser presidente da Câmara de Alcanena. Eu preocupo-me com o desenvolvimento do concelhos todos os dias”, notou.

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