Abrantes | Utentes de São Miguel contra encerramento do posto de saúde

Unidade de Saúde Familiar de Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes. Foto: mediotejo.net

Os utentes do posto de saúde de São Miguel do Rio Torto manifestam-se contra o seu encerramento, medida que os obriga a deslocar-se à nova Unidade de Saúde Familiar de Rossio ao Sul do Tejo, em funcionamento desde o dia 1 de fevereiro. A população queixa-se à Junta de Freguesia mas o presidente diz que as pessoas foram alertadas para aquela possibilidade em várias Assembleias de Freguesia e que não houve qualquer movimentação popular.

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Os utentes do posto de saúde de São Miguel, na União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, manifestaram-se, esta segunda-feira, 4 de fevereiro, contra o seu encerramento, medida que os obriga a deslocar-se a nova Unidade de Saúde Familiar (USF) Beira Tejo, em Rossio ao Sul do Tejo, a cerca de três quilómetros de distância.

A ação de protesto juntou, segundo o presidente da Junta Luís Alves, “umas 20 pessoas”. A população pediu à Junta de Freguesia a manutenção do serviço médico de proximidade, medida que o autarca considera “muito difícil” de reverter perante “o facto consumado”.

Tendo em conta o número de utentes “revoltados”, Luís Alves rejeitou que fosse “representativo” de uma população com cerca de 800 habitantes.

“Em pelos menos três Assembleias de Freguesia alertamos a população para a possibilidade do encerramento do posto de saúde com a abertura da USF. Não houve qualquer movimentação. As pessoas sabiam que isto ia acontecer, inclusive foi levantada a hipótese da Junta adquirir uma carrinha de nove lugares para transportar os utentes à USF”, afirmou o presidente da União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo.

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Posto de saúde de São Miguel do Rio Torto, Abrantes. Foto: DR

Com o encerramento, a alternativa para os utentes que necessitem de recorrer a serviços médicos será na nova USF, o que implica uma viagem de 6 quilómetros ida e volta, situação que o presidente considera ser “complicada”.

“Estamos a falar de uma população essencialmente idosa, com dificuldades de locomoção, com dificuldades cognitivas que não sabe pedir o transporte a pedido”, apontou.

Isto porque, a solução apresentada pela Câmara Municipal de Abrantes passa pelo projeto Transporte a Pedido, um serviço que, segundo a população, não vem dar resposta porque implica custos.

“As pessoas dizem que têm de pagar o transporte a pedido e com os cuidados médicos na comunidade os utentes eram atendidas sem pagar transportes”, explica Luís Alves, ele próprio defensor da ideia de “levar a saúde às pessoas e não as pessoas à saúde”.

A USF de Rossio ao Sul do Tejo, que dispõe de três médicos, serve para já os utentes da União de Freguesias de Rossio ao Sul do Tejo e São Miguel do Rio Torto e irá dar respostas de saúde às restantes freguesias do Sul do concelho de Abrantes, como Tramagal, Bemposta, Pego ou Alvega, de acordo com declarações da presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque.

“Não tenho dúvidas que em termos de assistência médica a USF é muito mais eficaz. Traz vantagens, as pessoas são atendidas todos os dias, ao contrário do que acontecia no posto de saúde onde haviam cuidados médicos duas ou três vezes por semana. Em termos de comodidade para os utentes, o médico junto às pessoas é melhor”, notou Luís Alves.

O autarca dá conta que a Junta de Freguesia foi informada do encerramento ao mesmo tempo que a população, na sexta-feira, dia 1 de fevereiro, quando a população encontrou um aviso na porta do posto de saúde de São Miguel, e vinca que a Junta “não tem poder de decisão”.

Luís Alves lembra que a organização dos cuidados de saúde é da responsabilidade da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e considera que, neste momento, “não há muito a fazer”.

Defende, no entanto, que “a bondade do processo deveria ter sido explicada mais cedo às populações por quem toma decisões quer a nível do concelho quer da ARSLVT. Não pode ser o presidente da Junta a dizer às pessoas o que têm de fazer. Cada um tem de assumir as suas responsabilidades”, concluiu.

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