Abrantes | USF de Rossio ao Sul do Tejo arranca em janeiro ou fevereiro

Unidade de Saúde Familiar de Rossio ao Sul do Tejo. Créditos: CMA

O executivo camarário de Abrantes aprovou hoje, por maioria, com o voto contra do Bloco de Esquerda, a alteração ao Regulamento de Incentivos Financeiros a Médicos da USF de Abrantes. Em causa está “a adequação da atribuição de incentivos à fixação de médicos” desta vez na Unidade de Saúde Familiar de Rossio ao Sul do Tejo com inauguração prevista para “janeiro ou fevereiro”, disse ao mediotejo.net a presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque (PS).

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O projeto de alteração do Regulamento de Incentivos Financeiros a Médicos das Unidades de Saúde Familiar (USF) de Abrantes foi aprovado esta terça-feira, 8 de janeiro, em reunião de executivo, com o voto contra o vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, por considerar que com estes apoios “não há defesa dos serviços públicos próximos das populações”.

Em causa está “a adequação do Regulamento para atribuir incentivos financeiros” no sentido de fixar médicos nas Unidades de Saúde Familiar “alargando o seu âmbito” explica a presidente Maria do Céu Albuquerque ao mediotejo.net. Isto porque o primeiro Regulamento era referente “a uma Unidade de Saúde Familiar, a da cidade, em funcionamento há dois anos, mas agora com a instalação de uma segunda, em Rossio ao Sul do Tejo, fazemos pequenos ajustes em função da experiência adquirida ao longo deste tempo”.

A autarca lembrou a criação de uma equipa e deu conta de uma segunda a caminho, esperando “não esgotar aqui, e em breve ter condições para ter outra equipa que sirva o Norte do concelho de Abrantes e eventualmente numa junção com o concelho de Sardoal”.

A expectativa do executivo é que a segunda equipa esteja operacional “num futuro muito breve. Durante o mês de janeiro, início de fevereiro esperamos ter condições para instalar, inaugurar e pôr ao serviço da comunidade abrantina mais este grande investimento”, afirmou.

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A Unidade de Saúde Familiar de Rossio ao Sul do Tejo irá servir as populações do Sul do concelho, nomeadamente Alvega, Bemposta, Tramagal, Pego e “em primeiro lugar Rossio ao Sul do Tejo, que tinha uma extensão de centro de saúde sem as mínimas condições nomeadamente ao nível das acessibilidades”. Para instalar a USF foi recuperado o edifício do antigo mercado diário, fechado há vários anos.

Abrantes | USF de Rossio ao Sul do Tejo arranca em janeiro ou fevereiro
Unidade de Saúde Familiar de Rossio ao Sul do Tejo. Créditos: CMA

Neste momento a Câmara “desenvolve” com as Juntas de Freguesia do Sul do concelho e com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo um trabalho no sentido de “garantir que esta equipa se desloca onde hoje existem consultas mas que todos os utentes sejam dos locais onde a consulta vai continuar, sejam dos locais hoje sem médico, possam ser transportados, nomeadamente através do transporte a pedido, e possam vir até esta Unidade, ter acesso a cuidados de saúde, em qualquer dia e em qualquer hora”, de acordo com um programa previamente criado, explicou.

Maria do Céu Albuquerque assegurou que os médicos irão permanecer nos polos onde as consultas decorrem. “Queremos que esta equipa se organize no sentido de ter uma sede, onde estará instalada, mas que continue a ir à Bemposta, Tramagal, Pego ou Alvega é nesse sentido que o serviço tem de ser organizado”, garantiu.

Ainda dentro do tema saúde, a presidente deu conta que a nova sala da urgência no Hospital de Abrantes já está operacional, a funcionar desde o dia 26 de dezembro.

“Não é uma obra provisória mas integrada naquilo que é uma obra maior preparada pela administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo para ocupar o espaço hoje ocupado pela Consulta Externa, no sentido de melhorar todo o fluxo para quem trabalha e para quem chega à urgência do CHMT na Unidade de Abrantes. Com a saída dos Cuidados Primário do 1º piso a Consulta Externa transitará para lá, libertando o espaço para esta obra de grande importância para toda a região e utentes”.

Armindo Silveira votou, então, contra a proposta de alteração ao Regulamento apresentando declaração de voto, lembrando que não é esta a primeira vez que o Bloco de Esquerda vota contra incentivos financeiros que a Câmara de Abrantes atribui no âmbito da captação de médicos para os Cuidados Primários no concelho.

“Essencialmente porque esta é uma competência da administração central. Assim os munícipes pagam diversas vezes o mesmo serviço o que não aconteceria se a Câmara de Abrantes fosse ressarcida desses valores através do Orçamento Geral do Estado”.

Segundo o BE “esta disponibilidade financeira ao nível do Executivo contribui para que o poder central continue a demitir-se das suas responsabilidades […] o apoio financeiro vai criar condições para que o médico não regresse União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, que a freguesia do Pego fique sem médico de família a curto prazo e também a localidade de São Miguel contrariando a moção que foi aprovada por unanimidade em Assembleia Municipal e Assembleia de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo” disse Armindo Silveira, antevendo que a presidente considerasse a declaração de voto do BE “populista e demagógica”.

Para o BE “não existem decisões fáceis nem difíceis mas sim políticas que defendem os serviços públicos próximos das populações contribuindo para a urgente correção de assimetrias e para a valorização das nossas aldeias”, defendeu.

Abrantes | USF de Rossio ao Sul do Tejo arranca em janeiro ou fevereiro
Reunião de Câmara Municipal de Abrantes

Por seu lado, Rui Santos, do Partido Social Democrata, congratulou-se com a deliberação do Partido Socialista dizendo que “estes incentivos não devem ser dados somente aos médicos mas também a outras profissões e outro tipo de incentivos nomeadamente à natalidade”. O vereador do PSD defendeu que “hoje em dia não podemos ter um médico à nossa porta e cada vez mais as pessoas se afastam do interior do País. Têm de ser as Câmaras a tentar fixar as suas populações e criar condições para poderem estar no concelho”.

O referido projeto será agora submetido a consulta pública, durante 30 dias, para recolha de sugestões e, findo esse período, a versão final do projeto de regulamento deve ser sujeita à apreciação dos órgãos executivo e deliberativo.

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