Abrantes | Unidade de Cuidados na Comunidade começa a funcionar este mês

Unidade de Cuidados na Comunidade de Abrantes entra em funcionamento em janeiro de 2019. Foto: mediotejo.net

A Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Abrantes estará em funcionamento no início deste ano 2019. A garantia foi deixada pela presidente da Câmara Municipal de Abrantes na cerimónia de assinatura do contrato de arrendamento com o proprietário do edifício onde funcionou a Casa de Saúde de Abrantes, no Alto de Santo António, e o protocolo de cedência do espaço arrendado à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) para instalação da UCC.

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A Unidade de Cuidados na Comunidade de Abrantes (UCC) estará em funcionamento no início de 2019. A Câmara Municipal de Abrantes assinou no doia 10 de dezembro um contrato de arrendamento com Luís Fernandes, proprietário do edifício onde no passado funcionou a Casa de Saúde de Abrantes, que visa a instalação da UCC. O contrato de arrendamento por um período de um ano, prorrogável por iguais e sucessivos períodos, tem um valor mensal de 1.350 euros.

Por sua vez, o Município de Abrantes disponibilizará a titulo gratuito o edifício à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo para instalação da UCC, até que haja condições financeiras por parte da ARSLVT para a assunção desses encargos, e assume as obras necessárias a essa instalação no valor de 42.500 euros.

Assinatura do contrato de arrendamento para a instalação da Unidade de Cuidados na Comunidade de Abrantes. Luís Fernandes e Maria do Céu Albuquerque

Por seu lado, a ARSLVT compromete-se a instalar em Abrantes uma UCC tendo em vista a prestação de cuidados de saúde e apoio psicológico e social de âmbito domiciliário e comunitário, especialmente às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis em situação de risco ou dependência física e funcional ou doença que requeira acompanhamento próximo. Atua ainda na educação para a saúde, na integração em redes de apoio à família e na implementação de Unidades Móveis de Intervenção nomeadamente dos grupos mais vulneráveis.

Esse compromisso foi igualmente formalizado por protocolo entre as duas entidades. Esta UCC integrará o ACES Médio Tejo como unidade funcional da sua organização.

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“A reforma dos Cuidados de Saúde Primários é muito mais que as USF’s”, disse o presidente da ARSLVT, Luís Pisco, sem desvalorizar a prestação de cuidados diretos às populações, mas considerou “injusto” que outras unidades funcionais “não tenham o reconhecimento que lhe é devido”, exemplificando com as Unidades de Saúde Pública, as Unidades de Recursos Essenciais Partilhados e as Unidades de Cuidados na Comunidade.

“Cada vez mais as UCC devem ser determinantes” porque “há um conjunto de profissionais: enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, um conjunto de áreas imprescindíveis para esses cuidados, sobretudo em casa das pessoas e com o envelhecimento da nossa população vai ser cada vez mais importante”, frisou, reconhecendo o “empenho inexcedível” da Câmara Municipal nas questões da saúde.

Assinatura do protocolo para a instalação da Unidade de Cuidados na Comunidade de Abrantes. Carlos Andrade Costa (esquerda), Sofia Theriaga (ao centro) e Luís Pisco (à direita)

Para Luís Pisco, “a melhor chance para conseguir um Serviço Nacional de Saúde sustentável será quanto mais tempo conseguirmos manter as pessoas saudáveis e nos seus domicílios”.

O presidente da ARSLVT gostou de ver o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), Carlos Andrade Costa, e a diretora executiva do ACES Médio Tejo, Sofia Theriaga, lado a lado durante a cerimónia protocolar. “É assim mesmo que se pretende, esta integração de cuidados e esta colaboração entre as diversas áreas é crucial” para a saúde da população.

Da parte da Câmara Municipal, Maria do Céu Albuquerque explicou como o Executivo tentou encontrar forma, no âmbito do quadro comunitário vigente, de construir novas Unidades de Saúde Familiar, convicto que “o médico à periferia ou um médico em cada extensão não vai voltar a acontecer”, consciente que o Hospital de Abrantes “tem de ganhar uma nova dimensão” sendo urgente encontrar soluções para “tirar os cuidados primários do Hospital para permitir a extensão da urgência”.

A presidente lembrou ainda que a instalação da UCC no edifício onde funcionaram as instalações da antiga Casa de Saúde de Abrantes (1º andar no edifício da Abranclínica), no Alto de Santo António, é um trabalho com três anos.

“Propusemos que esta instalação pudesse acontecer, mas de facto o Ministério das Finanças ainda não deu luz verde a este processo”. Assim a Câmara decidiu avançar arrendando o espaço e realizando obras de adaptação.

“No fundo não é diferente do que vai acontecer com a descentralização de competências também na área da saúde e essencialmente na área dos cuidados primários, porque vamos gerir as infraestruturas”, disse a autarca, falando na necessidade de “dar respostas efetivas às necessidades das pessoas”.

Assinatura do protocolo para a instalação da Unidade de Cuidados na Comunidade de Abrantes

Para Maria do Céu Albuquerque, a descentralização de competências dará as necessárias no sentido de evitar um parecer jurídico por cada ato, manifestando-se “particularmente satisfeita” por aquela casa voltar a ser uma casa de saúde, dando respostas “diferentes” daquelas que eram administradas às gerações passadas, lembrando que há nove anos, quando chegou à Câmara, faltava médico de família a 60% da população de Abrantes.

Dirigindo-se a Luís Pisco, Maria do Céu Albuquerque deu conta do trabalho da Câmara com a ACES Médio Tejo relativamente às USF’s “para aproximar a saúde das pessoas” através do transporte a pedido, no sentido de disponibilizar aos doentes “uma mobilidade diferente”, e aos profissionais “dias de atendimentos específicos” em alguns locais e na sede da USF. Um processo que considerou “inovador”, admitindo ser também “arriscado”.

Deu ainda conta de, na primavera, o CHMT  “tal qual o compromisso que assumiu com a comunidade”, pode assim “iniciar as obras de requalificação definitiva. Não a intervenção em parte da urgência que está a ser realizada agora”, notou, e que foi, entretanto, concluída.

Instalações da futura Unidade de Cuidados na Comunidade de Abrantes

Salientando ser diferente o entendimento do presidente ARSLVT, Maria do Céu Albuquerque defendeu “uma integração entre cuidados primários hospitalares e continuados nomeadamente com as unidades locais de saúde. Não sendo uma unidade local de saúde formal, aqui é o que estamos a fazer, participando ativamente na organização dos cuidados de saúde quaisquer que sejam, no nosso território”.

Por seu lado, Luís Fernandes, após uma pequena história sobre a ocupação daquele espaço, disse que a instalação da UCC só é possível “graças ao empenho” da Câmara Municipal na pessoa da presidente Maria do Céu Albuquerque “que se inteirou do congestionamento da urgência médico-cirúrgica do Médio Tejo que funciona no Hospital de Abrantes”, considerando que o executivo camarário “tem dado uma grande contributo para a saúde no concelho”, e de que a instalação da UCC “é um exemplo”.

A autarquia avança assim com este investimento contribuindo para acelerar o processo de instalação desta nova valência e libertar o espaço onde funciona a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (centro de saúde), no sentido de dar celeridade à instalação da área das consultas externas e libertar espaço para a requalificação e expansão da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Abrantes.

Esse processo tem vindo a ser trabalhado em articulação entre a Câmara, o ACES Médio Tejo e o CHMT.

Assinatura do protocolo para a instalação da Unidade de Cuidados na Comunidade de Abrantes. Luís Pisco e Maria do Céu Albuquerque

Na UCC serão acolhidas algumas valências da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (centro de saúde), onde continuarão a ser realizadas as consultas de recurso e a partir de onde é feita a gestão das 12 extensões de saúde a funcionar no concelho.

As UCC são constituídas por equipas de profissionais de saúde, nomeadamente de cuidados continuados integrados que prestam cuidados de saúde e apoio psicológico e social de âmbito domiciliário e comunitário, especialmente às famílias e grupos mais vulneráveis, em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença que requeira acompanhamento próximo.

Trabalham também, como foi explicado, na educação para a saúde e na integração em redes de apoio à família.

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