Abrantes | Tectania adia por mais um ano instalação na zona industrial

Reunião de Câmara de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

A empresa Tectania – Tecnologia Automóvel, Lda. requereu a prorrogação por um ano do prazo de assinatura do contrato de compra e venda e para submeter o projeto das instalações a controlo urbanístico, ou seja, 15 de maio de 2020. O pedido foi aprovado por unanimidade em reunião de executivo de Abrantes, apesar da “apreensão” manifestada pelos vereadores da oposição – PSD e BE. O presidente Manuel Valamatos (PS), no entanto, continua otimista, mantendo a “esperança” que a empresa acabe por se instalar na zona industrial da cidade. E com outras razões de “confiança” uma vez que Abrantes conta com 23 empresas distinguidas como PME Líder 2018, três delas consideradas de Excelência, pelo IAPMEI.

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A Câmara Municipal de Abrantes aprovou por unanimidade esta terça-feira, dia 14 de maio, a pedido da empresa Tectania, “a prorrogação por um ano do prazo de assinatura do contrato de compra e venda e para submeter o projeto das instalações a controlo urbanístico”, ou seja, até 15 de maio de 2020.

“Falamos na instalação de uma empresa que está com algumas dificuldades pela desvalorização da moeda no Brasil, pela instabilidade política, e também na negociação com uma empresa de motas instalada em Portugal”, começou por explicar o presidente Manuel Valamatos.

Para o executivo de maioria socialista, “a argumentação é válida. Não é a primeira vez que as empresas pedem mais algum tempo para a sua instalação”, referiu o autarca ao mediotejo.net, reconhecendo a inexistência de “outra forma de abordar este assunto senão aprovar esta prorrogação por mais um ano, tendo a consciência de se tratar de uma empresa com uma dimensão enorme que não se pode instalar de um dia para o outro”.

Para Manuel Valamatos, “o grau de complexidade leva à confiança. Apesar do ato de instalação não depender exclusivamente de nós, continuamos com esperança que possa acontecer e faremos tudo para que isso possa acontecer”, frisou.

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A Câmara Municipal de Abrantes (CMA) aprovou em maio de 2018 uma candidatura da empresa Tectania – Tecnologia Automóvel, para aquisição a preço simbólico de terreno no Parque Industrial de Abrantes e a concessão de apoios de natureza fiscal e para instalação de uma empresa exportadora da indústria automóvel, motorizadas e motociclos, no âmbito do quadro de incentivos fiscais da CMA a projetos empresariais que contribuam para o desenvolvimento económico e para a criação de emprego no concelho, o Abrantes INVEST.

Reunião de Câmara de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Aquando da aprovação da proposta de prorrogação, o vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, referiu “alguma apreensão” no que toca ao processo de instalação da empresa promovida por dois empresários brasileiros. “Vamos votar a favor. Não será pelo Bloco de Esquerda que este investimento sairá hipotecado”. No entanto, o BE mantém a posição inicial solicitando “ser informado de alguma alteração ao processo”, disse o eleito.

Também o vereador do Partido Social Democrata, Rui Santos, optou pelo voto favorável salientando, no entanto, parecer um processo “encalhado”, uma vez que decorre “há um ano e dois meses”.

A esse propósito, o vereador social democrata lembrou o momento do anúncio do investimento e defendeu que “quando se fazem anúncios desta envergadura devemos ter algum cuidado”.

Dirigindo-se ao atual presidente da Câmara, disse que “a sua antecessora gostava muito destes show off’s”, não sendo este “o primeiro caso, ao longo de oito anos, que depois caem por terra. Foram feitos grandes show off’s e depois em nada deu”, afirmou.

Para Rui Santos, “a questão das eleições no Brasil e da desvalorização da moeda começa a cheirar a qualquer coisa que não bate certo”, manifestando não ter “grande esperança neste projeto” Tectania.

“É com grande pena que digo que se este investimento não vier para Abrantes é muito mau. Espero estar enganado”, reforçou.

Por seu lado, Manuel Valamatos reconhece que as preocupações dos vereadores da oposição “são legítimas” mas diz que ambos concordam que a Câmara Municipal “tem feito tudo e tem criado as melhores condições para a instalação de empresas”.

O autarca garante manter o contacto com os promotores e indica que estes estão “desejosos de se instalar em Portugal. Se estivessem reunidas todas as condições já teriam operacionalizado essa ação”, assegurou.

Segundo os investidores, José Fernando Faraco (70%) e Giovani Balduíno (30%), escolheram o nosso País devido “à instabilidade política e económica vivida no Brasil reforçada com a oportunidade que Portugal representa enquanto plataforma de atuação para o mercado europeu, contando um leque alargado e diversificado de agentes e possíveis fornecedores para um dos principais projetos que balizarão o desenvolvimento da empresa – propulsão elétrica, constituíram-se com precursores deste projeto, que conduzirá à criação de um fabricante de veículos (automóveis e motociclos) para utilização maioritariamente em ambiente fora estrada, para o segmento Off-Road, equipados com sistema de propulsão convencional ou elétrico” baseado em fontes renováveis.

Num investimento de 44 milhões de euros na Unidade Industrial a instalar no concelho, mais especificamente no Parque Industrial de Abrantes, na Zona Sul, a instalação da unidade será faseada, até 2023, ano em que propuseram estar criados 251 postos de trabalho.

Questionado pelo mediotejo.net sobre os números da oferta de mão de obra qualificada no concelho que possa atrair a instalação de mais empresas, o presidente considera a falta de trabalhadores especializados no concelho “bom” por um lado, defendendo que representa “uma baixa taxa de desemprego” e “menos bom” por outro, uma vez que cria “dificuldades” quando novas empresas se instalam ou as instaladas crescem.

Contudo, rejeita que o fenómeno esteja ligado à perda de população no concelho. “A perda de população acontece em todo o País e na Europa. O interior do País não é Abrantes. É todo o interior do País que vai perdendo população para o litoral. É uma tendência. Temos de ir contrariando com ações e estratégias”, defendeu.

“Não é um problema de Abrantes mas de todos os concelhos do interior e se alguém protagoniza a ideia de que só acontece em Abrantes deve-se a uma interpretação política muito específica”, insistiu.

23 empresas do concelho distinguidas como PME Líder e de Excelência

Mas nem tudo são más notícias, aliás, o presidente considerou-a mesmo “a melhor notícia dos últimos dias”: 23 empresas de Abrantes mereceram reconhecimento pelo trabalho que desenvolveram na região e no País em 2018, pelo IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, I.P.

“Temos três PME que receberam o prémio Excelência 2018 das 23 empresas distinguidas com estatuto PME Líder. Referências muito importantes no nosso tecido empresarial porque distinguem empresas com consolidação económica e faturação robusta e significativa”, afirmou o presidente.

No Médio Tejo, “somos claramente o concelho com expressão muito forte deste ponto de vista. Não é de agora, mas dos últimos anos. Temos vindo a crescer e deixa-nos muito felizes”, disse Manuel Valamatos classificando tal distinção de “incentivos importantes”.

As três empresas que conquistaram o prémio Excelência são: Ilmet, Lda. (Irmãos Lemos); Óptica Central Abrantes Lda; e Saov – Sociedade Agrícola Ouro Vegetal, S.A.

São 10 as empresas são PME Líder há 3 anos consecutivos: Abranclinica; Farmácia Ondalux; Padaria Pereira; Óptica Central de Abrantes, PAPETARGET,; S.A.O.V.; Valente & Marques; Vieira Alves; Superabrantes – Supermercados; TRM.

Seis delas há 2 anos consecutivos: Abricantes; Cremilcar; MANUEL MORGADO, LDA; Nuvens de Fantasia, Lda.; MTIL; Irmãos Lemos.

E sete foram distinguidas pela primeira vez nos últimos 3 anos: Cascata; A.M.S.; F. do Vale Construções, Lda; IPALERE, LDA; Margarido & Margarido, Lda.; R.S.A.; Sabores do Ti Pereira, Unipessoal Lda.

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