Abrantes | Techframe aposta nos jogos para chegar ao mercado internacional

Jogo U51TS da Techframe. Estação Espacial Tannhäuser

No centro de investigação e desenvolvimento tecnológico da Techframe, no Tagusvalley, em Abrantes, desenvolvem-se projetos digitais na área do ‘Gaming & Entertainment’ para competir em todo o mundo. São três as apostas da empresa portuguesa: o Universe 51, um jogo de guerra apresentado como disruptivo e inovador; uma curta metragem de animação; e uma aplicação de realidade aumentada, para telemóvel.

PUB

A empresa Techframe, implementada desde 2017 no Tagusvalley, quer envolver-se na criação de um cluster de Jogos Digitais na região, para aproximar a academia e a indústria na partilha de recursos disponíveis e na participação ativa em projetos nacionais e internacionais.

Os responsáveis pela empresa apresentaram esta sexta-feira, 29, no seu Annual Internal Meeting (que é como quem diz, encontro anual de quadros e parceiros), as suas principais apostas em desenvolvimento. E fizeram-no precisamente em Abrantes, onde a Techframe tem a sua “massa criativa”, aproveitando os talentos locais numa parceria com o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA).

PUB
Experimentação do primeiro episódio do U51

Na área ‘Gaming & Entertainment’ a Techframe está a desenvolver o jogo ‘Universe 51’ – Tannhäuser Station; a curta metragem de animação ‘Soapy – A Soap Opera’ e realidade aumentada ‘MAR no Convento’.

Cumulativamente com a área ‘Gaming & Entertainment’ (jogos e entretenimento), a empresa também trabalha em ‘Information Systems’ (sistemas de informação) e ‘Military & Security’ (militar e segurança). A empresa pretende captar novos talentos para as áreas de sistemas e informação e de jogos, através da criação de uma bolsa de emprego para a região, quer como uma oportunidade profissional para os alunos que se formam nas áreas da Techframe na ESTA-IPT, quer como uma afirmação da região na concentração de especialistas e de entidades que estão a construir um novo conceito de indústrias criativas digitais, neste “Digital Valley”.

PUB

Relativamente ao jogo, o CEO da Techframe, Carlos Mora, admite ao mediotejo.net ser “cada vez mais complicado criar produtos diferenciadores”. Ainda assim, a equipa tentou “criar um produto muito imersivo”, capaz de se apresentar nos mercados internacionais, explica. Sendo mais um jogo de guerra, distingue-se pela dimensão da Estação [espacial] que está disponível e pela sua geometria”. Sempre que um jogador inicia o jogo o cenário é gerado de forma automática, o que “implica cenários diferentes, aumentando a variabilidade do jogo”.

Carlos Mora e Amaury Seco, da Techframe

A segunda diferença em relação à concorrência é “a própria dimensão absoluta e enorme da Estação e dos milhares de objetos” existentes, ou seja, o jogador pode passear-se pela Estação Espacial, pode apreciar os jardins, as áreas de lazer ou a biblioteca (com referências à de Nova Iorque). São salas lindíssimas, em qualidade fotográfica, e é também possível manipular canetas, computadores, copos de água, cadeiras…”. Segundo Carlos Mora, estes e outros fatores introduzem no jogo “a diferença”, para o tornar mais imersivo e mais envolvente.

Para já, a equipa liderada pelo diretor criativo, Amaury Seco, trabalha no primeiro episódio do U51. Trata-se de um Coop FPS (cooperative first person shooter) com duas equipas de 3 ou 5 elementos, em missões do tipo Capture the Flag em ambiente espacial. A ação decorre numa estação espacial com 10 andares, em 4 mil metros quadrados. Apresenta-se como um MORPG (massively multiplayer online role-playing game), passado em 5 milhões de sistemas solares que originam 24 milhões de planetas e 2.26×1027 possíveis locais de jogo, onde, por exemplo, os sistemas solares foram gerados de acordo com o diagrama Hertzsprung – Russell.

Todos os locais de jogo são gerados segundo regras astrofísicas, químicas, etc., que garantem a realidade e maximizam a imersão do jogador. Plantas, animais e espécies inteligentes evoluem segundo modelos biológicos e económicos constituindo o contexto no qual o jogador se movimenta, segundo os mais variados perfis.

Jogo U51TS da Techframe. Corredor da Estação Espacial

Os primeiros desenvolvimentos dos algoritmos base ocorreram em março de 2013 e a primeira playable game está concluída em julho de 2018. A Techframe planeia o lançamento do U51TS em quatro momentos: pré-alpha em novembro de 2018; Alfa em março de 2019; Beta em julho de 2019; e Release em novembro de 2019.

O jogo já envolveu 26 artistas e programadores, recebeu mais de 15 mil horas de esforço, das quais 10.184 especificamente no U51TS. A empresa estima que sejam necessárias mais 10 mil horas até ao lançamento do episódio, com um investimento (em condições de mercado) de cerca de 450 mil euros.

A empresa não espera recuperar este meio milhão de euros com o lançamento do episódio. “Tem como objetivo criar na comunidade uma primeira presença no mercado porque a Techframe nunca lançou nenhum jogo”, referiu Carlos Mora. A finalidade é “ganhar o suficiente para permitir chegar ao Universe, que tem um custo de 5 milhões”. Ou seja, será “o que vai custar o desenvolvimento deste jogo”, indica, falando num eventual “crowdfunding para captar a participação de financiadores institucionais que possam estar interessados”.

A equipa acredita estar a criar um jogo triple A (AAA), algo inédito: “Nunca foi produzido nenhum em Portugal. É um jogo com qualidade internacional ao nível dos melhores que são produzidos no mundo”.

Jogo U51TS da Techframe. Personagem.

A empresa está por isso focada na mercado internacional. “O mercado português vale 200 milhões de euros por ano. O mercado de jogos em Inglaterra vale por ano 6.2 mil milhões de libras. Estamos a fazer este jogo para o mercado mundial, que é o que esperamos atingir”, refere.

A ação do U51TS passa-se 20 mil anos no futuro, 5 mil anos antes da ação do U51. A civilização humana espalhou-se já por incontáveis planetas, que encontrou vazios de inteligência e colonizou, criando inúmeros clusters, muitos deles guiados por convicções sociais, religiosas ou políticas específicas. A localização da Terra foi perdida no espaço e no tempo. Foi recentemente descoberto um objeto alienígena gigante, que ninguém sabe quem construiu ou com que finalidade, batizado Tannhäuser, segundo o nome do explorador que o descobriu. O resto da história pode conhecer-se a jogar…

‘Soapy – A Soap Opera’, curta metragem de animação da Techframe

Quanto ao projeto de animação, apareceu como plataforma de aquisição de “conhecimento para as cinemáticas”, explicou Carlos Mora, e acabou por transformar-se numa curta metragem, que a empresa conta ter pronta no final de 2018, sem estabelecer calendários por ser um projeto “muito descontraído”. No início era apenas um projeto de teste “mas como era cómico achámos que podíamos ir mais longe”. A ideia é inscrever a ‘Soapy – A Soap Opera’ nos festivais de animação.

Em oito minutos e meio conta a história de um sabonete que quer cantar ópera, cuja intenção artística é vedada pelos restantes companheiros de bancada (escova de dentes, escova de cabelo e pincel da barba), um gang de cabeludos que usam os seus adereços capilares como fator de exclusão do Soapy.

Já o Projeto MAR, acrónimo para Mixed Augmented Reality suportada em smartphones, conta com o apoio da Samsung através da cedência de equipamentos móveis para o seu desenvolvimento. O projeto neste momento ainda em desenvolvimento incide sobre o Convento de Cristo de Tomar e pretende “encher” com imagens virtuais visíveis através do telemóvel as salas do Convento, com imagens e situações passadas no local, com veracidade histórica. A aplicação pretende estar disponível até ao final de 2018 e é um projeto que se aplica a qualquer realidade ou local, quer de interesse turístico, quer de interesse educacional.

Carlos Mora faz uma demonstração da aplicação de realidade aumentada

Inicialmente chamado de “prova de conceito”, é neste momento “um produto utilizável”, visualizando “informações que contam histórias específicas”, considerou Carlos Mora.

Nesta região, o centro de desenvolvimento da Techframe é o resultado do trabalho de equipa entre a empresa, a Câmara Municipal de Abrantes, a Tagusvalley e a ESTA. No próximo ano letivo a empresa conta com alunos do IPT de quatro cursos: Artes para Jogos Digitais; Desenvolvimento de Jogos Digitais; Animação e Modelação 3; Ilustração e ainda licenciatura em Informática e Tecnologias Multimédia.

“A disponibilidade de recursos humanos foi um dos fatores da escolha de Abrantes. As instituições de ensino superior, a par das grandes empresas, constituem âncoras de pequenas organizações que se juntam à volta, porque sem disponibilidade de mão de obra especializada não há projeto que resulte”. A esta contabilidade Carlos Mora soma ainda o apoio do Tagusvalley e os incentivos do Município.

Equipa Techframe no Tagusvalley em Abrantes

A Techframe encontra-se neste momento em três países. Em Portugal tem sede na Parede, onde se concentram as áreas da Administração, Financeira, Administrativa, Suporte ao Cliente e a área de Marketing; em Abrantes, no TagusValley, concentra a instalação do Centro de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico; em Madrid a sua atividade centra-se numa estrutura comercial e em S. Paulo desenvolve uma área totalmente dedicada à agricultura de precisão, a AgroTech.

O Annual Internal Meeting da Techframe realizou-se no auditório do TagusValley perante uma plateia representativa dos principais agentes da Região, destacando-se em representação da Câmara Municipal de Abrantes, o vice-presidente, João Gomes; do TagusValley, o diretor executivo, Pedro Saraiva; da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, a diretora, Sofia Mota; da Comissão Intermunicipal do Médio Tejo, Paula Remédios; da Nersant, Maria João Ricardo; entre outros especialistas nacionais e internacionais da área do Gaming & Entertainment, da Propriedade Industrial, docentes especialistas do ensino superior nas áreas de artes digitais e de programação, e também profissionais especializados da Techframe, freelancers, alunos estagiários dos cursos de Design, Animação e Modelação 3D, de Web e Dispositivos Móveis, de Vídeo e Cinema Documental e de Informática e Tecnologias Multimédia, na sua maioria provenientes da ESTA.

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here