Abrantes resolve problema da falta de médicos de família com reorganização dos serviços (C/VIDEO)

O município de Abrantes anunciou esta semana ter conseguido “inverter uma taxa de 43% de utentes sem médico de família em dezembro de 2013, contra os atuais 8%”, resultado de uma “política articulada de investimento e reorganização de serviços” de saúde.

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“Em cinco anos, e apesar do município não ter competências próprias [na área da saúde] conseguimos inverter a situação”, em trabalho de parceria desenvolvido com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo e a tutela, disse a presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque (PS) na terça-feira, na nova Unidade de Saúde Familiar (USF) Beira Tejo, em Rossio ao Sul do Tejo, onde decorreu a apresentação dos resultados e objetivos ainda a alcançar com a reorganização dos serviços médicos de proximidade.

No momento, perante profissionais de saúde e presidentes das 13 juntas de freguesia do concelho de Abrantes, a autarca congratulou-se com um trabalho iniciado há mais de cinco anos e em que o objetivo era “criar condições para que todos tivessem acesso à saúde”, num município com um território de 714 quilómetros quadrados, 13 freguesias, e 38 mil utentes inscritos, dos quais “35.718 utentes frequentadores”.

Abrantes resolve problema da falta de médicos de família com reorganização dos serviços (C/VIDEO)
O município de Abrantes anunciou ter conseguido “inverter uma taxa de 43% de utentes sem médico de família em dezembro de 2013, contra os atuais 8%”. Foto: mediotejo.net

Em dezembro de 2013, eram 15.190 os utentes sem médico de família em todo o concelho (43%), “o caso mais grave” em todo o Médio Tejo, tendo os números apresentados revelado que esse valor se cifra agora nos 2.683 utentes (8%) e que resultaram de uma aposta de investimento municipal, em articulação com as autoridades de saúde.

“Além do apoio financeiro [o Município de Abrantes criou em 2014 um incentivo financeiro anual de 9 mil euros (valor individual por médico) com o objetivo de estimular a permanência de médicos nas USF], foram criados novos modelos de organização, nomeadamente as USF, recuperámos dois edifícios antigos para a sua instalação, investimos em viaturas para atendimento ao domicílio”, enumerou Céu Albuquerque, entre outros, tendo destacado ainda o “apoio a vários níveis” efetuado na unidade hospitalar de Abrantes, no sentido de “libertar a Urgência Médico Cirúrgica”, do grande fluxo de utentes.

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Abrantes resolve problema da falta de médicos de família com reorganização dos serviços (C/VIDEO)
Maria do Céu Albuquerque, presidente CM Abrantes. Foto: mediotejo.net

“Os grandes constrangimentos sentidos nas urgências hospitalares derivam de um mau funcionamento dos serviços primários”, afirmou, tendo estimado que “60% dos utentes chegam indevidamente às Urgências”. Com esta reorganização e assegurando cuidados de saúde de proximidade, o que se pretende é também “libertar” as urgências hospitalares.

Com a entrada em serviço de quatro médicos na USF Beira Tejo, no dia 1 de fevereiro, coordenada pelo médico Flávio Ribeiro, que se juntou à USF D. Francisco de Almeida, em Abrantes, o problema do acesso aos cuidados de saúde primários poderá ficar definitivamente resolvido com a criação de uma terceira unidade “a criar na zona norte do concelho”, notou Maria do Céu Albuquerque.

Abrantes resolve problema da falta de médicos de família com reorganização dos serviços (C/VIDEO)
Unidade de Saúde Familiar Beira Tejo entrou em funcionamento no dia 1 de fevereiro, em Rossio ao Sul do Tejo. Foto: mediotejo.net

Nesse sentido, a USF Beira Tejo vai, numa primeira fase, servir as freguesias de Tramagal, Bemposta e Rossio ao Sul do Tejo, mantendo estes polos a funcionar e deslocando os profissionais de saúde às respetivas extensões de saúde, encerrando os polos de São Miguel do Rio Torto e da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, medida que gerou algum desconforto nos respetivos presidentes de junta de freguesia.

O médico Flávio Ribeiro, coordenador da USF Beira Tejo, veio de Valongo para desenvolver a sua atividade profissional na USF Beira Tejo, e deu conta aos presentes do serviço que a unidade de saúde vai prestar aos cerca de 12 mil utentes da Zona Sul do concelho, de forma gradual.

“Quando estiver a funcionar na sua plenitude, propõe-se que esta USF possa ter 7 médicos de família, 7 enfermeiros de família e 6 secretários clínicos”,alargando a prestação de serviço em Rossio, Bemposta e Tramagal à freguesia do Pego e à União de Freguesias de Alvega e Concavada, sendo assegurado que todos “os utentes inscritos nesta USF terão médico e enfermeiro atribuído”.

De uma forma inicial, o horário da USF é das 8:00 às 18:00, prevendo-se que, em breve, possa funcionar até às 20:00.

“Os polos da USF Beira Tejo [Bemposta e Tramagal] vão estar abertos todos os dias da semana, com médicos, serviços de enfermagem e cuidados ao domicílio”, disse Flávio Ribeiro, tendo destacado ainda a realização de “consultas de saúde adulta, de planeamento familiar, de saúde materna, de diabetes, de saúde infantil e a consulta de saúde aberta para todos os utentes que assim necessitem”.

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Flávio Ribeiro veio de Valongo e é o coordenador da USF Beira Tejo. em Rossio. Foto: mediotejo.net

António Campos, presidente da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, era o mais incorformado com a solução apresentada para os seus utentes, ao passo que Luís Alves, presidente da União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo disse que os residentes em São Miguel vão perder alguma proximidade e comodidade no acesso aos serviços tendo notado que estes fatores será compensados pela qualidade das instalações da USF Beira Tejo e do atendimento médico permanente

Para que os utentes destas localidades se possam deslocar à USF Beira Tejo, a autarquia anunciou um “reforço do serviço de transporte a pedido” para aquelas populações, nomeadamente à terça-feira de manhã, 4ª feira de tarde e 6ª feira de manhã. Luís Alves, reconheceu disponibilidade para investir numa carrinha de transporte de nove lugares para reforçar a deslocação dos utentes de São Miguel para o Rossio, “assim a população o queira”.

Abrantes resolve problema da falta de médicos de família com reorganização dos serviços (C/VIDEO)
Com a abertura da USF Beira Tejo encerra a antiga extensão de saúde de Rossio ao Sul do Tejo (na foto). Foto: mediotejo.net

O objetivo é ainda que a USF Beira Tejo, com a sede em Rossio e que começou a funcionar com quatro médicos, tenha como polos as localidades de Alvega, Bemposta, Pego e Tramagal. Os utentes de São Facundo, Vale das Mós, Vale de Zebrinho, e Barrada terão transporte a pedido reforçado em direção à USF Beira Tejo (Rossio) e/ou polo de Bemposta.

De futuro, a ideia é criar a USF Norte, abrangendo os utentes de Carvalhal, Rio de Moinhos e Mouriscas, com reforço do transporte a pedido para as localidades de Fontes, Souto e Aldeia do Mato.

“Não é o modelo perfeito mas estamos satisfeitos com a reorganização efetuada, temos instalações modernas e funcionais, e equipas profissionais motivadas”, destacou a presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque.

Sofia Theriaga, coordenadora do ACES Médio Tejo, presente na sessão, disse que “o subsídio camarário foi um grande incentivo e ajuda para alcançar estes resultados”, a par da “reforma dos cuidados primários, com novos modelos organizacionais e novos equipamentos”, condições que permitiram “atrair novos médicos” para Abrantes.

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Profissionais de saúde e autarcas assistiram à apresentação da reorganização dos serviços de saúde primários em Abrantes. Foto: mediotejo.net

“Hoje posso respirar tranquila” [relativamente à situação em Abrantes], disse aquela responsável, tendo lembrado que o município constituiu, nos últimos anos, “a situação mais grave” na região do Médio Tejo. Presentemente, disse, a situação mais complicada em termos de falta de médicos verifica-se em Tomar.

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Sofia Theriaga, coordenadora do ACES Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

A Câmara de Abrantes investiu cerca de 360 mil euros na construção da USF de Rossio ao Sul do Tejo, unidade que entrou em funcionamento no dia 1 de fevereiro, tendo a obra constado da reabilitação e adaptação do edifício do antigo mercado diário, contemplando ainda a requalificação do largo existente, dotando-o de 10 lugares de estacionamento, sendo um para deficientes e outro para ambulâncias.

A construção deste equipamento de saúde, com capacidade para 5.000 utentes, foi realizada pela Câmara Municipal de Abrantes em colaboração com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, I.P. (ARSLVT) e visa oferecer modernas infraestruturas, configurando-se como mais uma resposta para atenuar o problema da falta de médicos de família no concelho de Abrantes.

Atualmente com uma Unidade Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) com uma Sede (e Recurso) e 12 polos, duas USF e uma Unidade de Cuidados na Comunidade, a proposta para futuro passa por vir a ter em todo o território de Abrantes uma Unidade Cuidados de Saúde Personalizados – Sede – Recurso, três Unidades de Saúde Familiar e duas Unidades de Cuidados na Comunidade. Depois de concretizado este projeto global de reorganização, Abrantes poderá ver a sua população totalmente servida por serviços médicos em cuidados primários.

c/LUSA

2 COMENTÁRIOS

  1. Só por acaso… Martinchel pertence ou nao ao concelho de Abrantes? É que em alguma frase essa aldeia foi mencionada.

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