Abrantes | RAME vai ter grupo permanente de Intervenção Rápida em Catástrofes

“Apoio Militar de Emergência – Novos Desafios”, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

A Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, em Abrantes, recebeu o seminário “Apoio Militar de Emergência – Novos Desafios” esta quarta-feira, dia 4, que juntou mais de uma dezena de oradores e agentes da Proteção Civil de todo o país. O Chefe do Estado-Maior do Exército, General Frederico Rovisco Duarte, esteve presente na iniciativa promovida pelo Regimento de Apoio Militar de Emergência e, entre outros investimentos, anunciou a criação de um grupo permanente de Intervenção Rápida em Catástrofes no Quartel de São Lourenço.

Agentes da proteção civil e entidades militares de norte a sul do país encheram o auditório para ouvir e debater os desafios do apoio militar de emergência nos três painéis realizados ao longo do dia. As apresentações tiveram início pouco depois da intervenção do Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), que afirmou ter lançado o desafio do seminário em 2017, no sentido de se encontrarem respostas mais “rápidas” e “consistentes” que contribuam “para a melhoria e bem-estar das populações”.

A ação eficiente do Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME) no seu primeiro ano de existência, em que se destacou a resposta aos incêndios que assolaram o país em 2017, foi referida pelo General, segundo o qual, o regimento “deve assumir o comando, o controlo e as comunicações robustecidas e dedicadas exclusivamente às operações de Apoio Militar de Emergência”, sendo necessário “proceder a ajustamentos organizacionais (…) e testá-los muito rapidamente”.

General Frederico Rovisco Duarte e a plateia. Fotos: mediotejo.net

O processo em curso envolve a criação de um Grupo de Intervenção Rápida em Catástrofes, que funcionará em permanência no Quartel de São Lourenço, assim como uma aposta clara na formação com recurso a especialistas estrangeiros, tendo já sido estabelecidos contactos com unidades militares de Espanha, França e Estados Unidos. Além destes investimentos, a operacionalidade do RAME será reforçada com a aquisição de equipamentos que permitirão “ter uma capacidade muito própria pré-instalada”, acrescentou o CEME.

O modelo atual também sofrerá alterações e uma das formas apontadas foi o teste “no terreno” da capacidade de Comando, Controlo e Comunicações através de um exercício militar que terá lugar no Algarve a 16 e 17 de abril. Desta forma, será possível ajustar os conhecimentos obtidos nos primeiros meses de atuação e “estaremos preparados para as missões que vierem”. Mudanças concretas que se avizinham no regimento sediado no concelho de Abrantes desde novembro de 2016.

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Maria do Céu Albuquerque e o primeiro painel de oradores. Fotos: mediotejo.net

A instalação do RAME no concelho de Abrantes foi saudada pela presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque, que considerou a criação desta unidade militar como “uma nova dimensão de serviço público”.

A autarca recorreu à expressão “Tudo como dantes no quartel de Abrantes”, surgida nas Invasões Francesas, para sublinhar que esta não se trata de sinónimo de estagnação, antes pelo contrário. Ser como “dantes” representa, nas palavras da autarca, algo “seguro”, assente numa perspetiva estratégica que deve envolver todos enquanto agentes de Proteção Civil.

E foram os desafios com que estes agentes se deparam que foram apresentados ao longo do dia na Escola Secundária Dr. Solano de Abreu. O primeiro painel teve como tema “Os Novos Desafios para o Sistema de Proteção Civil em Portugal”, o segundo “Apoio Militar de Emergência no Exército – O Novo Modelo Organizacional” e o terceiro “O Apoio Militar de Emergência – Visões e Desafios sobre o Futuro”, juntando mais de uma dezena de oradores e moderadores de instituições académicas, militares e civis.

O enfoque esteve na importância da prevenção, sobretudo através da identificação e gestão de riscos, assim como numa maior aproximação às populações e no reforço e formação de meios operacionais que permita dar uma resposta mais eficaz e coordenada em cenários de emergência. O Exército é um dos elos desta cadeia e ao RAME cabe a missão de aprontar a UAME – Unidade de Apoio Militar de Emergência quando solicitado pela Autoridade Nacional de Proteção Civil em situações associadas a acidentes graves ou catástrofes.

O Coronel de Artilharia César Reis integrou o segundo painel. Fotos: mediotejo.net

Esta força que envolve a atuação coordenada dos recursos humanos e materiais de 30 unidades militares portuguesas foram apresentadas pelo Coronel de Artilharia César Reis, Comandante do RAME e um dos oradores do seminário. Na sua intervenção, sublinhou que o modelo de atuação deve abranger sinergias, sincronização e formação, entre outros vetores, no sentido de “estarmos o mais rapidamente possível, no tempo oportuno, para fazermos face às necessidades”.

A confiança e esperança dos cidadãos, acrescentou, devem ser asseguradas nos cenários de emergência em que a UAME for solicitada para intervir. A sua atuação está prevista para situações que envolvam um número elevado de desalojados, riscos tecnológicos, atos terroristas, contaminação do meio ambiente, incêndios florestais, cheias e inundações, sismos e erupções vulcânicas.

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1 COMENTÁRIO

  1. Porque e voz corrente que as Forças Armadas nunca tiveram tão pouco pesoal como actualmente, convinha saber-se quantos elementos é que vão constituir este Grupo e qual a sua disponibilidade nas 24 horas do dia, durante todo o ano.

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