Abrantes | PSD questiona sobre Tectania e lembra PS que a empresa já devia estar a laborar

Reunião de Câmara de Abrantes

Anunciada como já instalada no Parque Tecnológico do Vale do Tejo, em maio do ano passado, a empresa Tectania tarda em arrancar com a laboração em Abrantes. Deveria ter criado, em 2018, oito postos de trabalho, mas tal ainda não aconteceu. O vereador do Partido Social Democrata, Rui Santos, quis saber o ponto da situação e levou o assunto a reunião de executivo. A presidente justificou o atraso com a situação política no Brasil, dizendo que a responsabilidade da Câmara prende-se com a criação de condições para o investimento e com o acompanhamento dos trabalhos sem pressionar o investidor.

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A empresa Tectania – Tecnologia Automóvel Lda. que se dedica à investigação, conceção e fabrico de veículos automóveis e motociclos para o segmento Off-Road, instalada no Parque Tecnológico Vale do Tejo, em Abrantes, deveria ter criado em 2018 oito postos de trabalho segundo o que foi anunciado pela Câmara Municipal de Abrantes em maio do ano passado. Acrescentava esse anúncio que a empresa de investidores brasileiros esperava quintuplicar o número em 2019, atingindo os 296 trabalhadores em 2025.

Mas as explicações já anteriormente fornecidas pelo executivo socialista, nomeadamente imputando o atraso da laboração da empresa à situação política no Brasil, não convencem o PSD que aliás levou à última Assembleia Municipal uma proposta de recomendação, aprovada por maioria, a convidar a empresa Tectania a apresentar o seu projeto de investimento e dar a conhecer à Assembleia Municipal o estado da respetiva implementação no concelho de Abrantes.

Esta terça-feira, 8 de janeiro, Rui Santos, vereador eleito pelo PSD, voltou a questionar o executivo classificando de “pouco” as informações da presidente defendendo que a Câmara deve ter “uma explicação clara e transparente” para que os munícipes tenham toda a informação sobre a implementação da empresa em Abrantes, uma vez que anunciou o investimento.

Rui Santos lembrou que no cronograma que a empresa apresentou à Câmara Municipal, em 2018, “comprometia-se a ter oito trabalhadores. Em 2019 comprometia-se a ter 39”.

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Manifestando compreensão relativamente às justificações, em dois momentos distintos, da presidente da Câmara Municipal, Maria do Céu Albuquerque, no entanto, também o vereador pediu compreensão da parte do executivo para “o dever de esclarecer os munícipes do porquê dessa empresa ainda não estar implementada no concelho” uma vez que a Câmara anunciou publicamente a Tectania como “uma grande empresa”.

Alertou que a “pouca” informação leva à criação de “especulações […]. Gostava que as coisas fossem claras, transparentes, e que os munícipes tivessem toda a informação do porquê desta empresa ainda não estar implementada e se vem ou se tem realmente capacidade para se vir a implementar. […] estávamos a falar da criação de cerca de 300 postos de trabalho diretos, num prazo de 10 anos, fora os indiretos”, referiu o vereador do PSD.

Reunião de Câmara de Abrantes

Em resposta, Maria do Céu Albuquerque recusou dizer “mais” sobre esta matéria. E explicou as razões: “Há um tempo, do promotor, e o promotor tem a legitimidade de criar as melhores condições para fazer ou não o seu investimento”.

Chamou também a atenção que o executivo trouxe o assunto à Câmara “a partir do momento em que entendemos que estavam reunidas as mínimas condições para o poder tornar público. Nomeadamente, com a aprovação, no âmbito do Portugal 2020, do Compete, de um projeto de investimento. Essa aprovação carecia também de uma resposta cabal e concreta sobre a localização” do mesmo.

Lembrou ainda que “a par da intenção de alienação de um terreno, que ainda não foi consumada, há também, e aí já com a criação de um posto de trabalho, a instalação da empresa no Parque Tecnológico do Vale do Tejo”.

Garantiu o “acompanhamento” até porque, “semanalmente, o chefe de Desenvolvimento Económico fala com os promotores seja presencialmente, quando estão em Portugal, seja por vídeo-chamada, quando estão no estrangeiro”, tendo afirmado não entender que “nesta altura, a Câmara de Abrantes deva fazer mais do que o que está a fazer”. A autarca também não crê que “a esta altura, a Câmara de Abrantes tenha mais informação para divulgar aos cidadãos”.

Por outro lado, Maria do Céu Albuquerque considera que “posição da Câmara está claramente salvaguardada” defendendo uma “disponibilidade total para atrair investimentos”.

Já Rui Santos teme que se repita na zona industrial, como já aconteceu no passado, a compra de um terreno para a instalação de uma empresa estrangeira que não se concretizou.

A presidente admitiu ter havido “uma expectativa anterior, que não chegou a vir à Câmara, de um empresário chinês que tencionava instalar-se em Abrantes e foi nessa altura que adquirimos aquele terreno, em Alferrarede. É um ativo que temos disponível […] Esse negócio não se concretizou, apareceu uma nova possibilidade e, se esta não se concretizar, continuaremos a trabalhar”, vincou. “Se os projetos não se concretizarem não é por falta de condições” criadas pela Câmara de Abrantes, insistiu a autarca.

A instabilidade política no Brasil voltou a ser apontada pela presidente como causa, explicando que “as condições para o investimento nacional e internacional são seguramente diferentes daquelas que estiveram na génese daquilo que levou os investidores a virem para Portugal. E agora, vamos pressionar o investidor? Ou vamos acompanhar?”, questionou, encerrando o assunto.

Trata-se de um investimento de 44 milhões de euros pela empresa Tectania. O Município apoia com mais de meio milhão de euros em isenção de natureza fiscal e tributária.

Os investidores, José Fernando Faraco (70%) e Giovani Balduíno (30%), escolheram o nosso País devido “à instabilidade política e económica vivida no Brasil reforçada com a oportunidade que Portugal representa enquanto plataforma de atuação para o mercado europeu, contando um leque alargado e diversificado de agentes e possíveis fornecedores para um dos principais projetos que balizarão o desenvolvimento da empresa – propulsão elétrica, constituíram-se com precursores deste projeto, que conduzirá à criação de um fabricante de veículos (automóveis e motociclos) para utilização maioritariamente em ambiente fora estrada, para o segmento Off-Road, equipados com sistema de propulsão convencional ou elétrico” baseado em fontes renováveis.

Em reunião de Câmara, em maio último, foi então aprovado então por unanimidade a alienação da parcela de terreno no Parque Industrial de Abrantes, com a área de 89.270 m2, pelo valor de 133.905,00 euros e igualmente aprovado por unanimidade o reconhecimento do projeto enquanto projeto empresarial de interesse municipal e consequentemente na concessão de apoios de natureza fiscal e tributária no valor estimado de 523.912,93 euros, “que vai permitir capitalizar este investimento e criar condições para a criação postos de trabalho até 2025” o que a presidente classificou de “muito importante” para o Município, podendo potenciar o estabelecimento ou crescimento de outras empresas a montante a a jusante.

Na época foi anunciado que a empresa Tectania, Tecnologia Automóvel Lda., produzirá a nova versão do Modelo Stark 4×4 da brasileira Tac Motors SA. e todos (cinco) os modelos de motociclos desenvolvidos pela empresa portuguesa AJP Motos, sediada em Penafiel. A previsão anual de vendas em 2021 será de 3000 carros e 3100 motociclos.

Todo o projeto de investimento encontra-se alicerçado em duas candidaturas, ao sistema de incentivos no valor total de 15.478.764,98 euros, já aprovadas pelo Portugal 2020, que aposta na fabricação e comercialização de um automóvel representativo de uma marca portuguesa.

No dia 5 de maio de 2017 ocorreu a comunicação informal que Abrantes havia sido a cidade escolhida e em julho do ano passado foi apresentada a candidatura formal à aquisição do lote de terreno na Zona Sul do Parque Industrial. Em abril de 2018 era apresentada a candidatura formal a projeto de interesse municipal.

A submissão do projeto a licenciamento estava prevista acontecer em junho de 2018 com a conclusão da construção com data previsível para março de 2020.

A Tectania propõe-se ter capacidade plena de laboração de motociclos e do primeiro modelo em dezembro de 2021, e capacidade plena de laboração de motociclos mais dois novos modelos em outubro de 2025. A previsão de volume de negócios em 2021 é de 83,7 milhões de euros.

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