Abrantes | PSD propõe vender “carro de luxo” da presidência

Sessão de Assembleia Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O “carro de luxo” da presidência da Câmara Municipal de Abrantes voltou a discussão na última Assembleia Municipal. Desta feita, não para criticar a sua aquisição, mas para se propor a sua venda, uma proposta de recomendação da bancada do PSD que acabou rejeitada merecendo apenas os votos favoráveis do PSD e uma abstenção do presidente da União de Freguesias de Aldeia do Mato e Souto.

O grupo municipal do Partido Social Democrata (PSD) propôs que a Assembleia Municipal de Abrantes, na sua sessão de 27 de setembro de 2019 deliberasse recomendar ao Executivo Camarário que vendesse o Mercedes E350 adquirido pelo município de Abrantes em 2018.

Naquele ano, o município de Abrantes adquiriu tal viatura pelo preço de 62.500,00 euros. Na época, o PSD considerou que, “apesar de ser necessário renovar o parque automóvel do município, a escolha concretizada manifestava-se frívola, afrontosa e desrespeitosa das dificuldades económico-financeiras por que passam muitos dos munícipes” do concelho de Abrantes.

Questionou também, na altura, o porquê do executivo liderado por Maria do Céu Albuquerque “ter optado pelo ajuste direto, não se seguindo as melhores práticas de administração que aconselham o recurso a outras formas de contratação pública que garantam maior transparência e concorrência”.

Agora, o PSD considerou que “após o câmbio de rosto na liderança do executivo camarário do Partido Socialista, o veículo de luxo em causa foi arrumado nos estaleiros municipais e pouco ou nada tem sido utilizado”, lê-se na proposta de recomendação.

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Para a bancada social democrata tal significa “uma compreensão a posteriori de que a compra deste automóvel pomposo e ostentoso foi um erro grave e uma cedência a caprichos da anterior incumbente”.

Daí a sugestão de “corrigir esse clamoroso erro; um erro que é tacitamente reconhecido pelo executivo camarário do Partido Socialista ao esconder o automóvel dos olhos dos munícipes, sujeitando-o à deterioração decorrente do respetivo desuso”, declarou João Salvador Fernandes.

Após a apresentação da proposta pelo deputado municipal do PSD, o presidente da União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, Luís Alves, pediu a palavra para manifestar gosto que “a Assembleia tivesse noção que em grande parte do concelho ainda não se cumpriu o 25 de Abril, que na sua essência prometia às populações dotá-las de estradas, água, esgotos, de luz […] isso é a nossa preocupação!”, afirmou.

Em tom de crítica, Luís Alves apelou a “uma linha de desenvolvimento para Abrantes, de progresso, podia mudar de timoneiro mas ter uma linha. Assim não anda! Um faz e o outro deita abaixo”, criticou. Quanto ao carro? “Numa questão de investimento foi bem comprado”, opinou.

De seguida, o deputado socialista, Jorge Beirão, considerou “uma afronta que se venda património recente, com os prejuízos inerentes sem qualquer justificação plausível quando é reconhecido oficialmente que o município é cumpridor em termos orçamentais servindo até de referência para os seus pares”.

Para a bancada socialista tal recomendação não passa de “um ataque” à antiga presidente de Câmara e atual secretária de Estado “de forma muito pouco corajosa” uma vez que o PSD sabia que “não estaria presente para se poder defender”.

Jorge Beirão sublinhou que “o capricho da ex presidente de Câmara de Abrantes foi liderar uma equipa que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento de uma gestão clara bastante competente e participada por todos os munícipes que o pretenderam […] o veículo é utilizado pelos membros executivos do município e não em especial por alguém”.

Do lado do Bloco de Esquerda, Pedro Grave questionou o presidente da Câmara Municipal: “É factual que o veículo está parado, quase sem uso? O sr. presidente tem vergonha de se fazer deslocar no veículo?”.

Em resposta, Manuel Valamatos afirmou ser “uma pessoa simples, do povo”, sentindo-se “confortável num carro mais normal”. No entanto, garantiu utilizar a viatura da presidência da Câmara para viagens mais longas, como em “deslocações a Lisboa” exemplificou, assegurando a utilização do carro “muitas vezes. Não sendo exclusivo para mim, mas está ao serviço dos vereadores, do município. É preciso otimizar o carro e não nos envergonha!”, declarou.

O Bloco de Esquerda, após os esclarecimentos do presidente, optou por votar contra a proposta do PSD. Considera tratar-se “de um erro de aquisição”, contudo, “como se trata de um bem de desvalorização rápida, afigura-se-nos difícil minorar o prejuízo. Nesse sentido, a maior rentabilização do veiculo será a sua utilização regular, de preferência no modo elétrico, o mais possível”, dedendeu Pedro Grave.

A proposta foi rejeitada por maioria merecendo quatro votos favoráveis do PSD e uma abstenção do presidente da junta de Aldeia do Mato e Souto.

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