Abrantes | Projeto de preservação da arte em esparto de Mouriscas vence Prémio Tradições, da EDP

Seiras e capachos da Sifameca, Mouriscas, Abrantes. Créditos: mediotejo.net

À terceira foi de vez. O Município de Abrantes candidatou-se pela terceira vez ao Programa Tradições da EDP e este ano foi um dos nove municípios vencedores com o projeto “Esparteiros: Artes de Entrelaçar”. Um projeto para preservar a produção em esparto com um custo financeiro de 25 mil euros, sendo 19 mil financiamento da EDP.

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O projeto “Esparteiros: Artes de Entrelaçar” foi um dos vencedores da 3ª edição do programa da EDP, “Tradições 2018/2020”, cujos prémios foram entregues no Complexo da Levada, em Tomar, esta quarta-feira, 05 de dezembro, numa cerimónia em que estiveram presentes os vereadores João Gomes e Luís Dias.

A Câmara de Abrantes apresentou este projeto, uma vez que pretende fazer o levantamento da história da atividade artesanal ligada às técnicas de produção em esparto, em Mouriscas, tanto das seiras e capachos usados nos lagares de azeite tradicionais como de outros produtos que, entretanto, passaram a ser produzidos (tapetes e carpetes).

A ideia nasceu tendo em conta “a estratégia de valorização do património natural e imaterial” do concelho de Abrantes, explicou ao mediotejo.net o vereador Luís Dias. Ora o Programa Tradições da EDP “vai ao encontro dessa valorização” pensando num produto turístico de tradição, considerou.

Assim, com o projeto “Esparteiros: Artes de Entrelaçar” pretende-se “preservar uma tradição e renovar a produção artesanal – das seiras e capachos – de Mouriscas, relevante para a comunidade e para a tudo o que temos feito e produzido em torno da indústria do azeite”, acrescentou o vereador responsável pelo pelouro da Cultura.

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Abrantes | Projeto de preservação da arte em esparto de Mouriscas vence Prémio Tradições, da EDP
Projeto de preservação da arte em esparto de Mouriscas vence Prémio Tradições, da EDP. Créditos: CMA

A confirmação da importância das artes de entrelaçar, nomeadamente da espartaria, uma arte milenar no concelho de Abrantes, chegou com a Feira de Outono de Serralves. Depois de juntar os parceiros, foi iniciar o trabalho, com o objetivo de “potenciar ao máximo esta indústria tradicional”.

O registo desse levantamento ocorrerá em suporte escrito (livro) e em vídeo (documentário). Valorizando o saber das últimas artesãs, em articulação com o Grupo Etnográfico “Os Esparteiros”, com a EPDRA – Escola Profissional de Desenvolvimento Rural e com o CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, promover-se-á a formação ao nível das técnicas da produção tradicional em esparto. Como formadores, ainda que em matriz de experimentação, o projeto conta com as artífices da fábrica Sifameca de Mouriscas para gerar novos artesãos.

Esta capacitação de jovens, alguns dos quais com necessidades especiais, garantirá a salvaguarda e continuidade desta arte tradicional. Posteriormente, será realizada divulgação junto da comunidade, tornando-se esta prática tradicional um ícone da cultura popular do concelho de Abrantes, através da apresentação da produção ao vivo em feiras e outros eventos, bem como junto da comunidade escolar.

No dia da entrega do Prémio, em Abrantes decorreu de imediato uma ação de capacitação dos técnicos da Câmara Municipal, indicou Luís Dias. De futuro o projeto integrará oficinas de carpintaria, criação de percursos à volta da oliveira milenar do Mouchão, oficinas sensoriais e visitas a lagares no sentido de “partir da dimensão mais tradicional de como o azeite chega à mesa”, disse. Deu conta ainda de uma parceria, neste âmbito, com a Câmara Municipal do Fundão.

Para além das seiras e capachos, dos tapetes e carpetes “há um mundo de novos produtos que podem ser feitos com as artes de entrelaçar” dependendo da criatividade, afirmou Luís Dias.

Abrantes | Projeto de preservação da arte em esparto de Mouriscas vence Prémio Tradições, da EDP
I Festival do Azeite e do Figo, Mouriscas. Lagar da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes (EPDRA)

O Programa Tradições recebeu 67 candidaturas de 91 municípios onde a EDP tem centros produtores de energia, mas só nove é que foram aprovados. Este ano o montante de apoio é de 250 mil euros a repartir pelos projetos vencedores. O projeto abrantino mereceu apoio de 19 mil euros.

Em 2018, o Programa Tradições associou-se ao Ano Europeu do Património Cultural, que tem como objetivo chamar a atenção para o papel da cultura e do património no desenvolvimento social e económico na Europa, assim como motivar os cidadãos para os valores comuns europeus.

Este programa tem como objetivos valorizar as culturas e tradições locais, estimulando a autoestima das comunidades, ajudar a criação de novos públicos, garantindo que as novas gerações valorizam e integram as artes e os saberes populares, evitando a extinção das mesmas.

Abrantes | Projeto de preservação da arte em esparto de Mouriscas vence Prémio Tradições, da EDP
I Festival do Azeite e do Figo, Mouriscas. Manuela Borges cujo pai teve uma oficina de espartaria em Mouriscas, ensina como se faz um capacho com cairo

Conheça os restantes oito projetos vencedores:

O projeto “Almoce e jante connosco”. É promovido pela Associação do Turismo de Aldeia, de Ponte de Lima, e pretende que os habitantes de diversas aldeias abram as portas de casa e convidem pessoas de outros locais para celebrar uma refeição tradicional. É uma oportunidade de conhecer a história e gastronomia destas aldeias, enquanto se promove a identidade comunitária e a diminuição do isolamento das populações.

A cestaria tradicional e o cultivo dos currais de lagoa, no município de Montalegre, vão ser promovidos e preservados pelo projeto “Carrejadas”, promovido pelo Conselho Diretivo dos Baldios do Cabril.

O projeto que quer proteger o trabalho dos artesãos de Penafiel também foi selecionado pelo júri. “Das artes e ofícios tradicionais de Penafiel” vai registar as memórias, técnicas e produtos utilizados pelos artesãos, para depois promover a transmissão destes conhecimentos às novas gerações.

“As contradanças e quadrilhas enquanto património cultural imaterial na região duriense”, promovido pela Universidade do Porto, foi escolhido por querer preservar as contradanças/quadrilhas durienses, uma celebração cultural em extinção, devido à falta de dançadores tradicionais.

No caso do “Rio Douro – um povo de remadores”, o Centro de Recreio Popular de Arnelas quer formar novos remadores que dominem a arte de navegar nos tradicionais barcos pescadores do baixo Douro. O apoio ao projeto vai permitir adquirir quatro barcos pescadores, assim como a manutenção de barcos tradicionais.

O projeto “Promoção e construção artesanal de Bombos, Caixas e Pífaros” pretende preservar os saberes associados à construção de bombos e restantes instrumentos musicais, originários da zona do Fundão. Serão promovidas oficinas para ensinar a construção destes instrumentos e assim promover a transmissão de conhecimentos entre gerações.

“À (re)descoberta do Cofo e sua Arte” é outro dos projetos vencedores, que pretende manter a arte de trabalhar o cofo e reavivar a sua identidade cultural, através de oficinas. O projeto é promovido pelo Grupo Recreativo Vilaverdense, da Figueira da Foz.

Por último, este projeto escolhido vai preservar e promover um falar de Sines, desconhecido pela maioria dos munícipes da cidade, e que se encontra em risco de desaparecimento. O “Dizeres” é promovido pela Câmara Municipal de Sines e pretende recolher e estudar informações sobre este falar, para mais tarde divulgar e promover vocábulos e expressões específicas.

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