Abrantes | Primeiro ninho de vespa asiática destruído em Alferrarede

Ninho de vespa asiática destruído em Alferrarede. Créditos: Proteção Civil Municipal

A Proteção Civil de Abrantes destruiu na quarta-feira, dia 31 de outubro, o primeiro ninho de vespa asiática no concelho. O ninho, de alguma dimensão, encontrava-se numa árvore junto ao parque de estacionamento do Tecnopolo do Vale do Tejo, em Alferrarede. O gestor de ciência Henrique Pereira, presente em Abrantes, na terça-feira, disse ao mediotejo.net que, devido à rápida proliferação da vespa asiática, para o ano será natural encontrar ninhos dentro da cidade. A Proteção Civil Municipal já está em preparação e fala em mais ninhos sinalizados em Tramagal e Barreiras do Tejo.

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Foi destruído em Abrantes o primeiro ninho de vespa velutina (asiática) assinalado pela Proteção Civil de Abrantes, na noite desta quarta-feira 31 de outubro. O ninho secundário com 50 cm de altura e 30 de diâmetro – os primários têm o tamanho aproximado de uma bola de ténis – encontrava-se numa árvore a cinco metros do chão, junto ao parque de estacionamento do Tecnopolo do Vale do Tejo, em Alferrarede.

O ninho “foi identificado na quarta-feira de manhã e retirado à noite. Sabíamos que alguns apicultores tinham avistado vespa velutina, alguns exemplares apanhados em armadilhas, mas a localização dos ninhos não temos para já. Este foi o único identificado”, explicou ao mediotejo.net a coordenadora da Proteção Civil de Abrantes, Inês Mariano.

A Proteção Civil sabe que no concelho já foram destruídos outros ninhos, nomeadamente em Barreiras do Tejo e Tramagal, sem terem sido, no entanto, identificados. Ou seja, “identificados na plataforma SOS Vespa e validados como de vespa velutina”, referiu.

Inês Mariano deu conta da Proteção Civil de Abrantes deslocar-se a “vários ninhos” mas de vespa crabro, sendo este o primeiro de vespa velutina. “Os ninhos de vespa crabro não são para destruir, fazem parte do ecossistema natural, a não ser que estejam numa escola ou numa casa. Prestamos auxílio mas normalmente fica a cargo dos particulares”.

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O ninho foi recolhido por apicultores do concelho de Abrantes já com formação em neutralização de ninhos, com os devidos equipamentos e com ajuda de um sistema elevatório. O ninho foi introduzido num saco de plástico, tirado da árvore através do corte dos ramos e, contrariamente à habitual exterminação por fogo, foi colocado num bidon até à morte das vespas, no sentido de estudar, posteriormente, a anatomia do inseto.

O procedimento foi realizado de noite, tal como mandam as regras de quem lida com a problemática. O objetivo é apanhar todas as vespas no vespeiro – e um ninho secundário pode albergar até 3 mil vespas –, quando estão mais calmas e há menor risco de fugirem as rainhas fecundadas replicando os ninhos. Note-se que um só ninho tem até 150 novas fundadoras.

Abrantes | Primeiro ninho de vespa asiática destruído em Alferrarede
Ninho de vespa asiática destruído em Alferrarede. Créditos: Proteção Civil Municipal

“Isto foi só o início, provavelmente teremos mais casos. A grande dificuldade está na localização dos ninhos”, disse Inês Mariano, dando conta que a Proteção Civil em Abrantes está em fase de preparação.

“Estamos a realizar todos os passos para termos equipas especializadas para a destruição dos ninhos. Precisamos de apicultores ou sapadores, vamos pedir uma formação através do INIAV [Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária] na tentativa de encontrar uma solução profissional para a destruição. Estamos a preparar-nos até à próxima primavera. Vamos esperar que hibernem”, disse.

Recorde-se que a vespa velutina entra em hibernação no outono, saindo as rainhas na primavera para formarem novos ninhos. Contudo, os especialistas alertam para a rápida adaptação desta espécie ao nosso clima, temendo que o processo de hibernação possa já não passar por todas.

A destruição deste ninho “foi relativamente fácil. O ninho estava a cinco metros de altura… se estiver numa árvore a 30 metros será muito mais complicado e temos de reunir todos os meios que conseguirmos. Para o ano temos de estar preparados. Nós e todos os concelhos à volta” de Abrantes, considerou Inês Mariano.

Segundo a responsável, as ações de formação serão, para além da Proteção Civil Municipal, dirigidas a apicultores, sapadores e bombeiros.

A vespa velutina é uma espécie não-indígena, predadora da abelha europeia (Apis mellifera), encontrando-se, até há pouco tempo, circunscrita a concelhos do norte do País. Esta vespa asiática, proveniente de regiões tropicais e subtropicais do norte da India, do leste da China, da Indochina e do arquipélago da Indonésia, ocorre nas zonas montanhosas e mais frescas da sua área de distribuição.

A sua introdução involuntária na Europa ocorreu em 2004 no território francês, tendo a sua presença sido confirmada em Espanha em 2010, em Portugal e Bélgica em 2011 e em Itália em finais de 2012.

Na época da primavera constroem ninhos de grandes dimensões, preferencialmente em pontos altos e isolados. Esta espécie distingue-se da espécie europeia vespa crabro por ser ligeiramente mais pequena, pela coloração do tórax (negro na vespa asiática) e das patas (cor amarela na vespa asiática). A vespa crabro por norma faz o ninho dentro dos buracos das árvores, nos alpendres etc, mas a entrada para o ninho é por baixo, enquanto as entradas nos ninhos da vespa asiática são laterais.

O que fazer se encontrar ninhos ou vespas, incluindo vespa-asiática?

Se descobrir um ninho de vespa que não seja de vespa-asiática, e se este não estiver num lugar que ameace a sua segurança, pode aproveitar para observar, com calma e cuidado, o comportamento fascinante destes insetos sociais. As vespas são muito úteis na regulação dos ecossistemas e de muitas pragas, até o final do seu ciclo, nos bons tempos do outono, e poderá comprovar que não são agressivas nestas circunstâncias.

No entanto, no caso do ninho ser de vespa velutina deve avisar os serviços competentes (“contatos” no final do documento) do seu município e/ou registá-lo na plataforma internet www.sosvespa.pt. Não deve, em qualquer circunstância, tentar destruir o ninho pelos seus próprios meios. Uma vez registado no site da ICNF, a Proteção Civil Municipal terá acesso aos dados e à localização. Se não tiver acesso à Internet contacte qualquer agente de Proteção Civil daquela área, incluindo a Junta de Freguesia.

Consulte o Plano de Ação para a vigilância e controlo da vespa velutina em Portugal.

Abrantes | Primeiro ninho de vespa asiática destruído em Alferrarede
Ninho de vespa asiática destruído em Alferrarede. Créditos: Proteção Civil Municipal

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