Abrantes | Postos de Correio quase todos encerrados no concelho pela Covid-19

Postos de Correio quase todos encerrados no concelho de Abrantes pela Covid-19. Foto: DR

São seis os Postos de Correio que ainda se encontram abertos ao público no concelho de Abrantes: em Bemposta, a funcionar na Junta de Freguesia; em Rossio ao Sul do Tejo, numa papelaria situada na Rua Almirante Reis; em Tramagal, a funcionar no edifício da Associação Humanitária de Dadores de Sangue da Freguesia; em Mouriscas, numa papelaria na Estrada Nacional 3; em Abrantes na loja Note do Continente; e em São Facundo (União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós), na Junta de Freguesia. Aberta está também a Loja CTT no centro histórico de Abrantes, mas a funcionar apenas durante a manhã, nos dias úteis, entre as 09h00 e as 13h30.

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Por decisão dos CTT o atendimento nas lojas é agora feito à porta fechada “para minimizar a permanência de clientes e para garantir o distanciamento” entre cada um, assim apenas podem permanecer no espaço os que estão a ser atendidos, na sequência das restrições provocadas pelo surto do vírus que provoca a doença Covid-19. Sendo que em Abrantes a loja permanece aberta no centro histórico da cidade agora com o horário das 09h00 às 13h30, durante os dias úteis. Até ao momento, a entrega do correio continua a decorrer dentro da normalidade.

Mas a maioria dos Pontos CTT encontram-se encerrados, por todo o concelho, sendo apenas três os que permanecem abertos ao público. Em Rossio ao Sul do Tejo, numa papelaria situada na Rua Almirante Reis; em Tramagal a funcionar no edifício da Associação Humanitária de Dadores de Sangue da Freguesia tendo a direção da AHDSFT decidido manter o posto aberto a partir desta segunda-feira, com horário parcial (das 9h30 às 12h30); em Mouriscas, numa papelaria situada na Estada Nacional 3 a caminho da Fonte dos Amores, a funcionar com horário restrito das 09h30 às 12h30, na União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, no edifício da Junta de Freguesia em São Facundo (em Vale das Mós o edifício encontra-se encerrado), e em Bemposta com o Posto de Correio na funcionar nas instalações da Junta de Freguesia.

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Posto dos CTT de Tramagal mantém-se a funcionar após pressão da população. Foto: AHDSFT

Os CTT informaram, relativamente aos Pontos CTT (Postos de Correio), da possibilidade de alterações nos horários de funcionamento ou o encerramento dos mesmos, por decisão dos parceiros dos CTT na prestação do serviço postal.

Em Bemposta, para já, vence a proximidade, explicou ao mediotejo.net o presidente da Junta de Freguesia, Manuel João Alves.

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“Enquanto não existirem infetados na freguesia e devido ao número reduzido de pessoas a irem ao balcão, é preferível manter mais este serviço do que o limitar e concentrar tudo num mesmo sítio”, considera o autarca, referindo-se designadamente às lojas Payshop onde se efetuam pagamentos de faturas de água e de eletricidade.

Explica que o atendimento, embora presencial, decorre “com muitas limitações, mantendo a distância de segurança de 3 ou 4 metros e com muita desinfeção. Criou-se condições. É um atendimento exterior!”, indica.

O atendimento no Posto de Correio funciona sem contacto direto desde a semana passada, mas Manuel João Alves admite que este modelo poderá ser alterado. “Com a evolução do surto teremos de analisar as circunstancias. Se a freguesia registar casos teremos de ver se não será tudo encerrado. São vários os fatores que irão pesar na decisão”, nota.

Manuel João Alves, presidente da Junta de Freguesia de Bemposta- Foto: mediotejo.net

Se entretanto, as circunstâncias obrigarem ao encerramento do Ponto CTT, tendo em conta o pagamento das pensões de reforma a muitos idosos dentro do período do Estado de Emergência, o presidente admite que a Junta de Freguesia possa fazer essa entrega no domicilio dos beneficiários. “Poderemos tentar fazer essa entrega porta a porta. Teremos de analisar!”, diz.

Questionado se os CTT manifestaram até ao momento qualquer intenção de entregar em casa, de forma gratuita, o valor da reforma, como forma das pensões chegarem aos seus beneficiários, Manuel João Alves nega, acreditando mesmo que a empresa recuse essa solução “até por uma questão de recursos humanos”.

Não obstante, em Bemposta algumas medidas para combater a propagação da Covid-19 foram implementadas, nomeadamente o encerramento dos parques infantis e “em cada aldeia há um grupo de pessoas que identifica as necessidades” dos fregueses no sentido de receberem apoio da Junta de Freguesia quer na compra de alimentos quer na compra de medicamentos, sendo que a “comissão social da freguesia prestou apoio na entrega de alimentos”, referiu o presidente.

Manuel João Alves garante que o executivo da freguesia está atento. “Até agora conseguimos dar resposta a todos os pedidos. Além disso fazemos rondas de sensibilização para transmitir mais segurança às pessoas, até mesmo durante a noite ajudando as forças de segurança”.

Decisão semelhante tomou o presidente da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, António Campos. Apesar da Junta de Freguesia ter suspendido o atendimento presencial, continua de portas abertas para o atendimento no Posto CTT, apenas das 09h00 às 13h00 e com restrições. “Não há serviços presenciais!”, esclarece o presidente. “Atendemos só casos urgentes”.

Mas António Campos manifesta-se preocupado com o pagamento das pensões de reforma aos seus fregueses, uma população maioritariamente idosa que recebe as pensões através de vale de correio, indicou.

“Os CTT estão a empurrar a questão para cima das Juntas de Freguesia e recebemos uma ninharia pelo trabalho que fazemos” vinca o presidente, acrescentando ter falado com “o coordenador dos CTT na semana passada sem qualquer indicação” de que seja a empresa a entregar o dinheiro das reformas em cada domicílio.

António Campos, presidente da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós. Foto: mediotejo.net

Por enquanto, a porta da Junta em São Facundo está aberta “com as pessoas a aguardarem no hall de entrada, a 4 ou 5 metros de distância da funcionária. Para os pagamentos enfiam o envelope por debaixo da porta, sem qualquer contacto. E são seguidas as orientações de higienização da Direção-Geral da Saúde”, explica.

Contudo, se os CTT não assumirem a entrega do valor das pensões de reforma no domicilio dos beneficiários, António Campos admite ter “um problema” particularmente se nesse momento, tendo em conta a evolução da pandemia, nomeadamente se existir um infetado com a doença Covid-19 na Freguesia, o Posto de Correios já estiver encerrado.

“Um problema para mim e para os funcionários. É um risco que estamos a correr!”, nota admitindo desconhecer qual a solução a adotar. “Não é fácil! A Freguesia tem cinco localidades. Não posso mandar um funcionário fazer quilómetros com um valor avultado, havendo risco de assalto. E depois quem se responsabiliza pela perda?”, questiona António Campos.

Por isso, diz ter pedido à Câmara Municipal, durante a reunião por videoconferência, “para fazer pressão” junto da empresa privada, no sentido de serem os CTT a assegurar o pagamento das reformas no domicílio dos beneficiários.

Também em Tramagal o Posto dos CTT continua a funcionar no edifício da Associação Humanitária de Dadores de Sangue da Freguesia. A AHDSFT decidiu manter o posto aberto após manifestações de desagrado da população e da própria Junta de Freguesia.

Certo é que, para já, o posto dos CTT em Tramagal funciona todos os dias das 9:30 às 12:30.

Posto dos CTT em Tramagal. Foto: mediotejo.net

“A pedido do nosso presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, o sr. Vitor Hugo, e depois de ponderadas todas as situações possíveis, o Posto de CTT de Tramagal a funcionar na nossa Associação irá permanecer aberto mas com novo horário e regras de funcionamento”, anunciou a AHDSFT, tendo feito notar que, “segundo a Resolução do Conselho de Ministros, a qual ainda não foi realizado o Decreto, não estamos de modo algum obrigados a manter-nos abertos nem o somos pelos próprios CTT”.

E essa é uma das razões que determinou o encerramento do Posto dos CTT em Alvega, que funciona no edifício da Junta de Freguesia.

A decisão surgiu no seguimento do comunicado do CTT onde a empresa deixa ao critério dos parceiros os horários de funcionamento ou o encerramento dos mesmos, disse o presidente da União de Freguesias de Alvega e Concavada, José Felício.

“Encerramos por segurança. Para não haver acumulação de pessoas junto à entrada do Posto CTT como é habitual”, explica.

Quanto ao pagamento das pensões de reforma, José Felício diz estar “programado” que sejam os CTT a assegurarem esse serviço. “Se não cumprirem a Junta garantirá o pagamento. Ninguém ficará sem receber a sua reforma”, garante José Felício.

Junta de Freguesia de Alvega. Imagem Google

Nota que a Junta de Freguesia continua a funcionar, embora com restrições, tendo suspendido por tempo indeterminado o atendimento presencial. O presidente dá conta da disponibilidade do executivo da autarquia para “ajudar alguém que necessite” de apoio quer para compra de alimentos quer de medicamentos.

A esse propósito deu conta de uma reunião que terá decorrido com o município, esta segunda-feira, por videoconferência, para a adoção de mais medidas a serem implementadas no concelho.

O mediotejo.net sabe que a Câmara Municipal irá disponibilizar três carrinhas para apoio aos munícipes que necessitarem de ajuda e ainda uma linha telefónica direta e uma equipa para receber os pedidos. Cabe à Associação Vidas Cruzadas o trabalho de levantamento das pessoas que poderão necessitar do apoio municipal.

Outro Posto dos CTT encerrado é o de São Miguel do Rio Torto, igualmente a funcionar na Junta de Freguesia.

“Encerrámos a Junta ao atendimento presencial, não faz sentido mantermos aberto o Posto dos Correios. Como serviço público seguimos as orientações da Direção-Geral da Saúde e da Câmara Municipal e agora mantínhamos aberto por causa de uma empresa privada? Era um contrassenso!” considera por seu lado Luís Alves, presidente da União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo.

O autarca lembra que a empresa Correios de Portugal “paga 300 euros para a manutenção do Posto na Junta” montante “que não dá para pagar o salário da funcionária pública. Ser privado com dinheiros públicos é fácil!”, critica, considerando ser o momento para “olhar o problema de frente”. Nomeadamente quando chegar a altura do pagamento das pensões de reforma, restando aos cidadãos deslocarem-se à Loja dos CTT no centro histórico de Abrantes.

Até ao momento Luís Alves não recebeu qualquer proposta de intenção da parte dos CTT no sentido de ser a empresa a assegurar de forma gratuita, a entrega do valor da reforma em casa dos beneficiários. “Nada! E duvido muito que o façam”, acrescenta, lembrando que a Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do concelho de Abrantes alertou “com o devido tempo” para situações como a que agora pode ocorrer.

Luís Alves – presidente da União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo

Quanto à possibilidade de ser a Junta a entregar o valor das pensões em cada domicílio, Luís Alves fala em “elevados riscos”, lembrando que a autarquia “paga um seguro substancialmente mais caro por causa do posto dos CTT e não era suposto”. Além disso, “se houver um assalto, quem é que paga?”, interroga. Entretanto, dá conta que o correio está a ser distribuído com normalidade.

Também Rui André, presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos explicou os motivos da decisão de encerrar o Posto de Correios na Junta por causa do surto do vírus que provoca a doença Covid-19. “Por uma questão de segurança, por serem os idosos quem mais recorre ao Posto dos Correios, ou seja, o maior grupo de risco, e pela proximidade com a cidade de Abrantes”, diz.

Reconhece, contudo, a existência de um problema “com o pagamento das reformas” uma vez que o pagamento das faturas da água e da eletricidade aconteceu “antes do encerramento dos serviços”, revela. Vinca que a Junta de Freguesia permanece “aberta” ainda que sem atendimento presencial.

Rui André declara “não ter informação se os CTT vão assumir a entrega ao domicilio do valor das pensões” mas acredita que “pode acontecer” até porque os CTT avaliam, neste momento, essa entrega gratuita de pensões, durante o período da pandemia, avançou esta segunda-feira o jornal Público. Atualmente, por 1,80 euros, cada beneficiário pode autorizar o carteiro a levantar o valor da pensão, que é depois entregue em casa.

Se os CTT não assegurarem esse serviço “iremos fazer”, garante Rui André, se a Junta puder contar com todos os funcionários, descartando um cenário de “quarentena generalizada. Nesse caso já não conseguiremos”, reconhece.

O presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, Rui André, no cais de Rio de Moinhos

Tal como acontece na freguesia de Alvega, a Junta de Rio de Moinhos assumiu a distribuição e a impressão dos trabalhos/testes escolares aos alunos da freguesia. Rui André refere que o apoio designadamente na compra de alimentos e de medicamentos, aos mais idosos, doentes crónicos e famílias que necessitem “está a ser trabalhado ao nível do concelho”.

A reunião que hoje decorreu com os presidentes das 13 freguesias do concelho e o executivo camarário pretendeu elencar novas medidas para tentar minimizar a propagação do vírus na comunidade abrantina, por exemplo encerrar todos os parques infantis e parques de fitness.

Em todo o País, os CTT encerraram, ainda, um conjunto de lojas, em função da ausência de colaboradores pertencentes a grupos de risco de saúde, e também necessidades de assistência a filhos menores de 12 anos pelo encerramento das escolas. São 18 no total, mas nenhuma no Médio Tejo.

* Notícia atualizada no dia 24 de março de 2020, com novas informações relativamente a São Facundo, Abrantes e Mouriscas.

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