Abrantes | ‘Ponte de Tramagal’ e requalificação da EN118 na discussão de executivo (Atualizada)

Acessibilidades na região do Médio Tejo foram abordadas na reunião de executivo de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Os investimentos em novas acessibilidades na região do Médio Tejo, nomeadamente a construção da denominada ‘ponte de Tramagal’ no âmbito do IC9 e a requalificação da EN 118 na zona de Abrantes estiveram em discussão na reunião de executivo de terça-feira, tendo o vereador do PSD, Rui Santos, questionado a presidente Maria do Céu Albuquerque (PS) sobre a situação atual. Também o vereador do BE, Armindo Silveira, perguntou se “o executivo PS já escolheu a localização da nova ponte rodoviária sobre o rio Tejo? Se sim, qual  o local”.

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“O executivo não tomou nem vai tomar posição em relação a esta matéria”, começou por responder Maria do Céu Albuquerque, presidente da autarquia. “Existe um projecto para fazer uma ponte em Abrantes que chegou a estar em estudo de impacte ambiental, sabemos todos de antemão que as condições do país são diferentes daquelas que tínhamos a essa altura e também sabemos que para podermos ser consentâneos com uma acção que leva ou pode levar a fazer investimentos desta ou de outra natureza temos que encontrar consensos regionais que sirvam a região”.

“E, portanto, é em sede de concertação com as outras autarquias que havemos de encontrar condições para pensar o que melhor serve o concelho de Abrantes: a travessia, a variante nacional 118, porque falamos sempre em travessia mas esquecemo-nos sempre de uma coisa que é determinante para a competitividade do nosso concelho e da nossa região que é a variante à nacional 118 e depois a melhoria da ferrovia, que como sabem ainda na semana passada, o primeiro-ministro visitou as obras de confluência daquilo que liga a linha da Beira Alta com a linha da Beira Baixa e Espanha e isso sim, são obras verdadeiramente importantes, até porque também já sabemos que o próximo quadro comunitário, mais do que privilegiar as intervenções rodoviárias, vai trazer um pacote financeiro muito significativo para criar condições para o investimento na ferrovia”, referiu.

Nesse sentido, na conclusão à resposta ao vereador do BE, a presidente da Câmara de Abrantes disse: “estamos todos atentos e em relação àquilo que será o futuro, não vamos entrar em movimentos especulativos sob pena de, se o fizermos, quem perde é Abrantes, quem perde é a região e quem perde é o país. Portanto vamos entrar num processo de diálogo, inclusivamente na próxima semana, a Comunidade Intermunicipal vai reunir o seu conselho estratégico, onde têm assento 40 instituições, organizações, empresas da sociedade civil e não só, representativas do Estado descentralizado na nossa região para ouvirmos aquilo que estas entidades entendem que melhor serve a região. E é nesse trabalho de concertação que nós estamos todos apostados”, frisou.

No final da reunião, a autarca daria mais algumas informações sobre a matéria tendo reafirmado que não vai defender a construção da ponte na zona de Abrantes mas sim num local que sirva os interesses da região.

O vereador do PSD, Rui Santos, por sua vez, começou por questionar a presidente da autarquia sobre a questão da “hipotética ponte sobre o rio Tejo”, indagando se a autarca, que também preside à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) “irá ter ou não nos próximos dias uma reunião com o senhor Ministro onde alguns municípios da comunidade intermunicipal iriam apresentar uma proposta”.

“Não, aquilo que eu disse aqui foi que, na sequência de uma reunião que tivemos com o senhor Ministro, ele pediu-nos para que no mês de setembro pudéssemos apresentar uma proposta daquilo que serve a região. E, portanto, basicamente, nós estamos no processo de auscultação da sociedade civil, para que depois possamos discutir em cada um dos locais uma proposta para ser [apresentada] mas não temos sequer previsto reunir com o senhor Ministro sobre o assunto”, respondeu Maria do Céu Albuquerque.

O vereador do PSD continuou a abordagem à autarca sobre as acessibilidades, tendo referido que, “relativamente a isso, dizer que a minha posição é exatamente a mesma que a bancada do PSD teve na última Assembleia Municipal: não defender à exaustão que a ponte deverá ser em Abrantes, mas também não deixar cair essa possibilidade. Mas, se calhar, e tendo nós conhecimento das finanças do país, que não serão tão boas quanto às vezes se quer fazer passar, sabemos que a questão da ponte vai ser quase impossível. Então temos – como a senhora presidente disse e muito bem – nos virar para outras alternativas e o melhoramento da Nacional 118, se calhar, para Abrantes, seria muito bom”, defendeu.

Questionada pelos jornalistas, Maria do Céu Albuquerque reafirmou nada estar decidido para ser ratificado em sede de CIMT, em reunião que irá decorrer esta quinta-feira em Abrantes.

“Não, não está nada definido e não vamos apresentar a proposta [a 15 de setembro], porquanto pedimos ao senhor Ministro que nos dilatasse um pouco mais o tempo, atendendo a que estamos neste momento a chegar de um período estival e onde foi impossível reunir atores do território. Efetivamente, vai haver reunião aqui mesmo, em Abrantes, no dia 13, da CIMT, mas este assunto não vai ser discutido, não está na agenda sequer e, portanto, não vai haver uma tomada de posição porque a proposta que está em cima da mesa é a realização de um Conselho Estratégico que reúne mais de 40 entidades representativas da sociedade civil e da administração central descentralizada no nosso território para auscultarmos aquilo que cada um entende que melhor serve a nossa região”.

“E quando falo da nossa região”, continuou, “falo da nossa região mais alargada: Médio Tejo, a Lezíria, o norte alentejano e com isso criarmos condições de competitividade para este nosso território e, com isso, criarmos condições para efetivamente termos uma solução que seja compaginável com o próximo quadro comunitário, mas também com as condições económicas e financeiras do nosso país e que com isso possamos de uma vez por todas resolver um entrave que temos desde há muitas décadas a esta parte. E portanto, não vai haver decisão até final do mês, porquanto faremos todo este trabalho em reunião (…) a CIMT vai reunir de novo, ordinariamente, a 27 de setembro, portanto até lá havemos de ter condições para em cada município se poder discutir também e falar sobre este assunto”, observou.

Questionada sobre se entende a ponte de Tramagal (Abrantes), inscrita no PRN no âmbito do IC9 como possibilidade defensável e pertinente para o desenvolvimento da região, Maria do Céu Albuquerque escusou-se a tomar uma posição fechada sobre o assunto.

“O que quer que se diga sobre cada uma das hipóteses pode-se condicionar a discussão e nós queremos em primeiro lugar ouvir os atores sem condicionante nenhuma. Como sabem, o que está inscrito no Plano Rodoviário à uma variante à nacional 118, é uma travessia aqui, em Abrantes, e é uma travessia na Lezíria. E, portanto, isto é o que é do domínio público, todos temos consciência que isto é um plano de investimento que dificilmente é concretizado, até porque também todos temos consciência que o próximo ciclo de investimentos vai priorizar os investimentos que sejam feitos em ferrovia, em detrimento da rodovia. E, portanto, aquilo que nós queremos é fazer uma discussão salutar, ouvindo aqueles que assentem todos os dias no terreno os problemas e com isso encontrarmos uma solução que sirva a nossa região e o nosso país.

Questionada sobre se existem condicionantes financeiras para reclamar o que é necessário em termos de acessibilidades para a região e que obriguem a optar por uma única opção, Maria do Céu Albuquerque, disse: “não sei se vamos ter que optar por uma, agora a região tem que se organizar para poder corresponder a uma estratégia que seja exequível. Sob pena de continuarmos a desenhar castelos no ar e depois não haver concretização”, concluiu.

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