Abrantes | Perto de uma centena de galináceos mortos deixa Concavada em alerta

Perto de uma centena de galináceos mortos alarma Concavada. Leopoldina Silvestre. Créditos: mediotejo.net

Cerca de uma centena de animais de criação caseira (galinhas, patos, gansos e perus) foi encontrada morta de forma bizarra na aldeia de Concavada, no concelho de Abrantes. O modo como o predador mata as aves, comendo-lhes apenas a cabeça e deixando os corpos espalhados pelas capoeiras, causa estranheza e está a alarmar a população.

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A população de Concavada, em Abrantes, está alarmada com os ataques às capoeiras que decorreram nas últimas duas semanas. Algumas pessoas, após um primeiro ataque, optaram por trancar os animais durante a noite, sendo essa, aparentemente, a única forma de os salvar, uma vez que o predador, segundo contam, é implacável, deixando um rasto de morte e pegadas nos terrenos cultivados por onde passou, indiferente a redes ou muros altos.

“Só numa noite mataram-me 40 animais: 35 galinhas, 2 perus e 1 cocó”, enumera ao mediotejo.net José Barão, que agora tem na capoeira cerca de vinte animais, sendo um deles um cão como vigilante dos galináceos, a maneira que encontrou de proteger a criação.

Perto de uma centena de galináceos mortos alarma Concavada. Créditos: mediotejo.net

A população lesada – e contabilizam-se só desta levada cerca de oito propriedades atacadas na pequena aldeia onde residem 653 pessoas -, fala em prejuízos e desconhece como defender as capoeiras contra um predador anónimo.

Leopoldina Silveste é uma dessas habitantes que perdeu 8 galinhas, 2 galinhas cocós e um galo. “Sobreviveu ao ataque uma galinha que já penica e os pintos, porque ficaram de porta fechada dentro da capoeira”, indica.

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Apesar dos prejuízos, as pessoas teimam em não desistir pois toda a vida criaram os seus galináceos naquelas capoeiras ao ar livre, apesar dos muros e das redes que se já revelaram ineficazes como obstáculos para o predador.

Leopoldina Silvestre foi uma das lesadas. Foto: mediotejo.net

Leopoldina conta incrédula que a vizinha Maria “perdeu mais de 30 bicos num dia”. Foi ao mercado de Mouriscas, onde comprou mais 4 galinhas “e já ficou sem elas outra vez”.

Interrogam-se sobre a espécie do bicho atacante devido à forma “como arranca as cabeças das aves, deixando os corpos espalhados pela capoeira”, explica José Barão, acrescentando que dois dias depois do ataque um vizinho a plantar tomates descobriu duas cabeças enterradas no seu quintal, o que adensou ainda mais o enigma. “Que bicho é este que só come as cabeças ou as enterra?” questiona.

“Aqui em Concavada não escapa ninguém, só na Quinta do Dr. Aruna, e os prejuízos são muitos, cada galinha custa 7 euros no mercado, mais a ração 40 euros, veja lá!”, diz ainda Leopoldina, indignada.

Perto de uma centena de galináceos mortos alarma Concavada. José Barão. Créditos: mediotejo.net

Eurídice Varela também perdeu 16 galinhas, 2 gansos, 1 cocó e 2 galos e, tal como os seus vizinhos, não lhe valeu o muro alto que circunda o terreno onde tem os galináceos mesmo no centro da aldeia, no largo onde fica a igreja. Revela que a última habitante a ser lesada foi Maria Isabel Ribeiro, no passado domingo, num ataque onde perdeu “4 galinhas, 1 galo, 2 cocós e os pintos”. Eurídice confirma o prejuízo financeiro dos ataques às capoeiras. “Gastava cerca de 30 quilos de ração por semana com os animais, fora vegetais e fruta”, explica.

Para minimizar o desperdício, os habitantes lesados acabaram por cozinhar, ou oferecer a quem quisesse cozinhar, os animais mortos no ataque, para alimentar os cães da aldeia.

A raposa reúne algum consenso entre as pessoas de Concavada como sendo responsável pela matança. Mas José Barão descarta a possibilidade de ser raposa ou doninha, apontando em alternativa para gato bravo ou gineta.

Perto de uma centena de galináceos mortos alarma Concavada. As penas no chão são os únicos vestígios que ainda  resistem do ataque. Créditos: mediotejo.net

Não obstante a falta de novidade nos ataques a capoeiras, já acontecera há dois anos em Concavada algo semelhante, embora com números longe da atual mortandade. Nenhum dos lesados fez queixa Guarda Nacional Republicana (GNR) ou sequer participou oficialmente o ataque à Junta de Freguesia. “Não pensei nisso! Fiquei tão nervosa com aquele cenário de morte que nem fotografias tirei. Olhe, eu só chorava”, conta Eurídice.

No entanto, registar queixa na GNR no sentido de ativar o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) era o primeiro passo a dar pelos lesados, explica ao mediotejo.net Sérgio Coentro da Associação de Caça e Pesca de Alvega, a coletividade que segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) é responsável pela caça associativa naquela zona do concelho de Abrantes.

Sérgio, caçador há muitos anos, tal como José Barão, descarta a hipótese do ataque ter sido cometido por uma raposa. “Não! A raposa mata e leva um ou dois animais. Doninha também não é porque apenas se alimenta do sangue. Gato bravo está fora de questão… poderá ser cão errante”, sugere, admitindo, no entanto, desconhecer que tipo de animal possa ser o predador. “Só leva as cabeças? Nunca vi nada assim!”, afirma.

Perto de uma centena de galináceos mortos alarma Concavada. Eurídice Varela. Créditos: mediotejo.net

E aconselha a população a contactar a GNR, a tirar fotografias aos animais mortos ou deixar ficar os corpos no sítio do ataque. “Dessa forma o SEPNA solicita junto do ICNF a devida autorização para que a Associação de Caça e Pesca proceda à colocação de armadilhas no sentido de capturar o predador. Temos armadilhas especificas para isso, que capturam o animal vivo. Sem essa autorização não podemos agir”, conclui.

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3 COMENTÁRIOS

  1. As Galinhas
    nao “apareceram”. “Foram .encontradas ………mortas.
    humanos ou animais, nao mais aparecem; isso era so no tempo dos milagres.

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